segunda-feira, 11 de agosto de 2008

QUE INTERVENÇÃO CÍVICA?

LITERATURA DE INTERVENÇÃO

Quem me conhece há pouco tempo pode gostar de saber até que ponto vai a minha intervenção cívica. Se sou ou fui deputado, autarca, dirigente ou simples activista de algum partido.

Propriamente, propriamente, não sou nem fui. Mas penso que todos nós, cidadãos, devemos manifestar a nossa opinião sobre questões e aspectos da vida em sociedade que nos sensibilizem de um modo mais intenso.

Por mim, vivi um drama que toca hoje muitos homens no chamado Mundo Ocidental: o drama do divorciado, pai de filhos menores, que se vê impossibilitado, pela ex-mulher ou pelos tribunais, de conviver com eles.

Todos ouvimos condenar – e muito bem – as mais variadas discriminações, seja pela cor da pele, pela religião, pela nacionalidade, pela etnia. Todos ouvimos condenar – e muito bem – as discriminações e violências de que a mulher tem sido vítima. Mas só agora se começa a falar desta última discriminação em que a vítima é o homem e a mulher a culpada. Todos os países da chamada civilização ocidental, tanto os do Hemisfério Norte como os da América Latina, estão a despertar para esta forma de violência que por ser essencialmente psicológica não é menos execrável que qualquer violência física.

Tem sido, pois, através da escrita e também como membro de associações que se preocupam com estas problemáticas, que dou o meu contributo à luta contra uma situação tão vergonhosa. Por isso me considero um cidadão que preza a sua intervenção na sociedade: e orgulho-me do meu pequeno contributo para ajudar a tornar o Mundo mais justo.

Respeito a opção – e o talento, sim! – dos profissionais da escrita que escrevem pelo prazer de escrever, pelo gosto de alinhar palavras, frases e intermináveis páginas, muitas vezes nos fascinando com a capacidade que têm de manejar, para não dizer manipular, a linguagem. Embora não defendam nenhuma tese nem documentem nenhuma situação da qual nos queiram tornar conscientes, muitos que tomam esta atitude são considerados – e talvez sejam efectivamente – grandes escritores.

Mas não é esse o caminho que escolhi. Eu prefiro escrever apenas quando estou convencido que tenho algo para dizer. Embora por vezes também não resista a fazer um pouco de humor! Acredito que quem sofre precisa, com mais razão ainda, que lhe dêem de vez em quando um pretexto para soltar umas gargalhadas saudáveis!

Para si, que veio visitar este meu blogue, aqui tem dois exemplos da minha escrita: um pouco de ironia num caso (foi escrito quando George Bush era o Presidente dos EUA) e muito sofrimento no outro. São dois poemas extraídos do meu livro Amor Explorado.

(Nota: Se gostar e quiser ajudar, compre na sua livraria ou encomende directamente à Editora Luz da Vida, Lda. Rua Mário Pais, n.º 16-0-A, 3000-268 Coimbra. Custa 10 euros, mas se indicar que viu neste blogue são apenas 9 euros. A editora pode mandar-lho à cobrança; mas se enviar cheque ou vale postal com a encomenda, as despesas de envio são por conta da editora.)

HUMOR NEGRO

To Mister President...

- Wanna learn Portuguese, Sir?


Limpar o Mundo

De terroristas,

De armas maciças

De destruição…

+

Projecto ingente,

Ninguém duvida.

Pela nossa vida,

Vamos em frente!

+

Dizem-me até,

E ninguém mente:

– Temos metralha

Inteligente.

+

Então, avante,

Acabar co’a raça

À mosca, à pulga

Mais à carraça!

+

Mosquitos, pulgas

Que tanto picam

Matá-los todos

É uma ilusão...

+

Mas mesmo assim

Há quem insista!

Este é o conselho

Que sempre dão:

+

– Vencer as moscas

Com o avião!

Contra os mosquitos

Usar canhão!

+

E quanto às pulgas,

A solução

É estoirar bombas

De fragmentação.

+

Já para carraças,

As ordens são:

– Se for preciso,

Matem o cão!

+

– E ovos e larvas

De todas elas?...

Pensaram nisso?

– Ficam no chão…

+++

RETRATO

Aos meus filhos:

Tenho na minha mesa de trabalho

Aquele retrato em que vos vejo aos dois...

Os dois junto a mim!

Momento fugidio…

Pensava então

Que o tempo de sofrer pela vossa ausência

Tinha chegado ao fim...

+

Ingenuidade!

Não vos voltei a ver...

Nossa separação recomeçou.

Culpa de quem? De quem só é feliz

Quando a vida dos outros destroçou...

+

E é neste limbo que paira o meu amor,

Pelos filhos que o ódio me arrancou.

Santa aliança, a dos que recearam

Que vós, filhos, me vísseis como eu sou...

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