quinta-feira, 16 de outubro de 2008

EU, NÃO!

EU, NÃO!

Eu? Não!

Porque é sabido
que à nuvem não pertence o azul e o púrpura,
à mão cheia de espuma não pertence o mar,
à pétala, à flor, ao ramo não pertence a árvore…
Nem a Terra pertence ao roble secular.

Eu? Não!

Ao eco do meu grito não pertence o claustro,
e ao deslizar da lágrima não pertence o Mundo.

Eu, não!

Tu? Sim!

Tu és a força, a fonte e o alfa da vida
Tu és a porta, o portal, a entrada triunfal
Tu és o caminho, a estrada, a trajectória astral
A luz, o absoluto, a certeza e o tudo!

Tu, sim!

E os outros?

Nem sequer percebem que nós existimos.
E perceber para quê?
Nuvens, flores de espuma, ondas, solitões,
só se o dilúvio se abater sobre eles…
Pétalas, ramos, árvores? Já viram algumas,
bordejando avenidas.
Robles seculares? Eles sabem que os há,
longe, muito longe, fora da cidade.
Urbanos que são,
será que pisarão?…
que pisarão, jamais,
o húmus dos rurais?

Os outros? Sim, talvez!

Figueira da Foz, 2007-02-09
Este poema não está integrado no livro "Amor Explorado" que a Editora Luz da Vida (Rua Mário Pais, 16-0-A, 3000-268 Coimbra) publicou.
© Zé-Manel Polido

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