domingo, 6 de setembro de 2009

À MINHA MÃE

TORRENTES DE AMOR

Tantos rios de carinho que te dei!
Com dilúvios de amor eu te inundei!
Dos mais variados perigos te guardei,
pois eras frágil... ou eu assim pensei...

Falsa visão! Como é que a arquitectei?
Que eras tão frágil, fui eu que imaginei.
Em ti tudo era oposto ao que sonhei
e só agora vi que me enganei.

Tarde demais! E tu aproveitaste!
Minha entrega total sempre aceitaste,
esta devoção louca exploraste
e com um nada vazio me compensaste.

Loucura de arlequim… um sopro o verga…

E eu me vergava ao medo que sofrêssemos...
Temia tanto, tanto, que partisses...
Mas então não sofri?... Esta surpresa...
Como podia esperar que assim me ferisses?

Alguém me veio agora perguntar
“se tudo repetiria ingenuamente,
caso o tempo pudesse andar para trás...”

Respondi que sim. Pois, ainda hoje,
tudo te perdoo e, como um crente,
peço a Deus que “descanses em paz”...

2003-05-01
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Poema extraído do meu livro AMOR EXPLORADO

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