domingo, 16 de dezembro de 2012

SPM 72 ANOS DIA 12 DE DEZEMBRO


A SPM E O SEU ANIVERSÁRIO



A S P M (Sociedade Portuguesa de Matemática) tem uma história da qual se pode orgulhar. Até a sua origem a dignifica, pois foi sonhada e, depois, criada por um grupo de colegas que além de matemáticos distintos e merecidamente prestigiados, foram cidadãos corajosos: tiveram de arrostar com perseguições da ditadura, em parte devidas à visibilidade que lhes trazia uma intervenção cívica envolvendo o aparecimento de uma associação profissional.

A 12 de dezembro do corrente ano de 2012, realizou-se um almoço num hotel de Lisboa para comemorar os 72 anos da S P M. Inscrevi-me. Esperava um encontro de confraternização entre matemáticos e até seus familiares. De facto, uma colega fez-se acompanhar do seu bebé querido. E comigo esteve a minha Mulher, cujas atividades, seja de empresária seja como a escritora espiritualista Luz Compasso, pouco têm a ver com a Matemática.

Impressionou-me e gigantescamente me surpreendeu que não participassem neste almoço mais que umas 30 pessoas!!! Além de alguns membros (não todos) dos órgãos diretivos e de alguns apaixonados de outros tempos (recordo Fernando Roldão Dias Agudo, Sérgio Macias Marques e, com todo o respeito por estes dois nomes, eu próprio) quem mais? Quase todos os que participaram residem em Lisboa. De qualquer outra cidade… ninguém! Das muitas instituições deste nosso País, universidades, politécnicos, escolas dos diversos níveis fora de Lisboa… ninguém!

Bem sei que estamos em crise! Mas o almoço só custava 18 euros. Mesmo com a terrível descida de vencimentos que nós, na esmagadora maioria funcionários públicos, temos vindo a sofrer, não se justifica uma tão grande ausência. Muito pouco sentem os matemáticos portugueses pela sua Sociedade, muito pouco sentem, arrisco a dizer, pela própria Matemática.

Não posso impedir-me de pensar nos nossos colegas com responsabilidades governativas. O Secretário de Estado do Ensino Superior é um matemático. 
Não poderia ter aparecido? Mesmo que não tivesse tempo para ficar uns momentos à conversa, um simples  “passar por lá” não teria sido uma atitude de boa política? Não é – sublinho e enfatizo --  ao colega João Queiró, um profissional que admiro, respeito e prezo como professor, investigador e autor de obras didáticas para o ensino universitário, que me estou a dirigir. É ao Secretário de Estado do Ensino Superior! Podia até ser um médico, um filólogo, um arquiteto, mas, por coincidência, é um matemático! 

E quanto ao Ministro da Educação e Ciência? Também é um matemático e, mais do que isso, foi o anterior presidente da SPM, durante 6 anos. Compreendo que nem para “passar por lá” tivesse tempo, mas não poderia ter encarregado alguém do seu secretariado de mandar, em seu nome, uma pequena mensagem? Mais uma vez – sublinho e enfatizo – não é ao colega Nuno Crato, um profissional que admiro, respeito e prezo como autor de projeção internacional, um profissional brilhante que tanto tem feito para a divulgação da Matemática, para a discussão acerca da sua pedagogia e da sua importância, que me estou a dirigir. É ao Ministro da Educação e Ciência. Podia até ser um médico, um filólogo, um arquiteto, mas, por coincidência, é um matemático!

Que significado tem esta incomunicabilidade entre a SPM e um Governo, que ao contrário do que existia quando ela nasceu, por certo percebe a importância das sociedades científicas e o papel que podem ter em todas as vertentes da vida dos portugueses, sem esquecer, obviamente, o desenvolvimento económico e social?

Sem eufemismos, deixem-me exclamar: -- Pobre da Matemática em Portugal!
E ao exclamá-lo não sei se não ouvirei um eco ou reverberação: -- Pobre da Ciência em Portugal!


http://www.spm.pt/arquivo/889

 telefone (217 939 785) 

e-mail spm@spm.pt 



1 comentários:

Anónimo disse...

De: A.Kovacec (=não anónimo).

Caro Doutor Simões Pereira e outros leitores:

Em princípio tem toda a razão. Mas a SPM e outras instituições que desejam que fossemos às suas festas podiam ajudar.
O País não tem o tamanho reduzido de um estado-cidade e o dia 12 de Dezembro foi um dia útil. Eu por exemplo estava a pensar a ir, mas tive uma vigilância a cumprir.

Para festas desta natureza introduza se uma regra três simples: deviam ter lugar
em periodo de férias, feriados à noite ou na madrugada.


Opinião semelhante aliás já enviei há tempos para protocolo@uc.pt de onde vêm por vezes pedidos de assistir a ceremónias como uma `Sessão Solene de lançamento no mercado do primeiro medicamento produzido na Universidade de Coimbra' (27 de Janeiro) ou doutoramentos honoris causa. Estes pedidos são acompanhados de sugestões de `reprogramação das aulas' ou
mesmo com o fecho de Departamentos (doutoramento h.c. de Lula da Silva). São dias de paz e harmonia e não faz parte do tema de modo que não me vou alargar
mais sobre numerosas outras incoerências do homem no topo a quem a nossa presença nas aulas
é muito importante ... mas digo que por minha própria iniciativa assisti ao doutoramento h.c. de Amartya Sen, que teve lugar num domingo. Não teria assistido
num dia util. E o mesmo vale para a SPM.

Quando um dia estiver reformado, então é outra conversa.

Abraço,
Alexander Kovacec