As janelas que não são consertadas fazem goteiras nas casas!
Prezada Sra Dra.
Acredite que não esqueço o tempo em que a considerei – e então disse-lho
várias vezes – como a irmã que eu não tive, pelo carinho e apoio que sempre deu
à minha mãe durante vários anos da velhice dela, e também pela ajuda profissional
que nos prestou.
Agora, recorda-se por certo que há tempos a procurei e conversei consigo,
para lhe pedir uma intervenção junto dos meus filhos.
Ao falarmos dos casamentos deles, perguntou-me, mas eu não lhe soube
responder, o que tinha eu oferecido ao meu filho mais velho no dia do
casamento.
É um facto que não costumo registar num caderno de “deve e haver”, à moda
dos antigos merceeiros, os presentes que ofereço, pois nunca fico à espera das
retribuições que, através de presentes que dou, possa vir a receber. Por isso,
em geral, esqueço o que ofereço!
Mas por acaso encontrei hoje um cartão em que a minha nora se mostra
extremamente sensibilizada com aquilo que lhes ofereci quando se casaram; em
anexo, seguem fotocópias das duas páginas que ela escreveu. Não preciso de
comentar.
Outra dúvida que me exprimiu foi sobre a minha vontade de vender (ou não)
as propriedades legadas pela minha mãe.
Ora é certo que, na reunião dos herdeiros se discutiu o que fazer com elas
e todos concordámos em que seriam vendidas.
Da crise que todos conhecemos e do óbvio entorpecimento de Coimbra tem
resultado que a procura é mínima.
Mas mesmo assim tive uma excelente proposta para a compra das ruínas do
Lagar da Boiça que muitos me dizem não valer mais que 10 ou 12 mil euros;
só que a interessada, após quatro meses de espera, desistiu, pela recusa
dos meus filhos em mandar procurações a quem os pudesse representar na
escritura de venda.
Isto apesar da minha insistência e de eu lhes ter enviado uma minuta em
língua portuguesa para uma tal procuração.
Anexo-lhe dois documentos que falam por si.
O mesmo já aconteceu com outro terreno em Ceira, e até com as expropriações
para a auto-estrada A13.
Espero que tenha assim ficado sem dúvidas sobre o motivo pelo qual pedi a
sua intervenção junto deles.
Obviamente, respeito a sua decisão de não o querer fazer!
Mas sei que compreende o motivo do meu pedido.
Aceite os meus cumprimentos!
J. M. S. Simões Pereira
CARTÃO DE AGRADECIMENTO DA MINHA NORA!





