domingo, 2 de julho de 2017

OBSERVANDO O UNIVERSO



EU, ABAIXO-ASSINADO!




Era com estas palavras que começavam antigamente muitos documentos oficiais, especialmente aqueles em que um cidadão requeria fosse o que fosse a uma qualquer autoridade. Antes disso, a humilhação auto infligida pela linguagem usada ainda era mais intensa: dizia-se que o “suplicante… rogava a Sua Majestade uma qualquer mercê”… o que obviamente revelava a extensão, à esfera que hoje chamamos laica, da religiosidade de um povo que se tinha habituado a “suplicar” aos santos da sua devoção um milagre profundamente desejado.


Como homem crente em Deus, mantenho todo o respeito pelas mais diversas fórmulas religiosas, e, como cidadão que se habituou a cumprir – embora também a discutir – as leis vigentes, mantenho paralelamente o respeito pela autoridade civil. Mas o meu “abaixo-assinado” nada mais significa hoje que aquilo que aí se diz: que vou assinar no fundo (ou em baixo) para vos atestar que o que digo é a verdade!


Não guardarei privacidade em vos dizer que nasci a 7 de dezembro de 1941, em Coimbra, numa clínica a que todos chamavam “Casa de Saúde da Sofia”; ainda hoje existe no mesmo edifício na Rua da Sofia!


A data, sempre que a evocava nos EUA, fazia logo recordar o que para aquele país fora um dia terrível: foi o dia em que o Japão, sem prévia declaração de guerra, atacou a armada norte-americana no Porto das Pérolas (Pearl Harbor) na Costa do Pacífico: um ato que levou o governo estado-unidense a decidir entrar imediatamente na Segunda Guerra Mundial.

Vivi o meu tempo de bebé de berço durante os anos do conflito. Recordo dois momentos curiosos, passados poucos anos mais tarde. Num deles, alguém comentou, numa linguagem simbólica, que um determinado país quereria forçar Portugal a entrar no conflito e, para isso, “já tinha lançado a isca”. O que me aterrorizou! E andei muito tempo a espreitar pelas janelas da casa, olhando para os céus, procurando ver a “isca”, a isca que para mim seria, não sei porquê, um risco, um vestígio de alguma cor estranha… Neste mesmo contexto, ouvindo falar de bombardeamentos aéreos, um dia confundi a Lua, em fase de Quarto (Crescente ou Minguante), com uma bomba que pairava no ar, à espera de cair. Nada disse a ninguém mas apanhei um valentíssimo susto!

E assim foi a minha primeira infância!

J. M. S. Simões Pereira

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