POESIA ou VERSOS?
Quando frequentei a escola, falaram-me de alguns poetas e das suas obras.
Camões, por exemplo, e os seus Lusíadas, tão ao gosto do tempo salazarista, mas
não só, claro; também de Guerra Junqueiro, António Nobre, Antero de Quental,
Florbela Espanca de todos estes me falaram; António Aleixo, não recordo se o
mencionaram, mas também o conheço desde há muito! Mostraram-me ou li versos
destes todos!
Havia sempre naqueles versos algo que era difícil de imitar: tinham rima e
métrica! A isso tudo se chamava Poesia.
Ora hoje a Poesia não é o mesmo que versos! A poesia contemporânea não tem
rima nem tem métrica. Mais inesperado ainda: não se percebe o que diz, que
mensagem traz, é constituída por frases metafóricas, sequências de palavras que podiam ter sido geradas por um sistema
aleatório.
Alguns admiram quem escreve mensagens confusas e indecifráveis, há os que dizem ser bonito, genial, que é profundo.
Por mim, já experimentei escrever poesia e também escrever versos.
Não
duvido agora que escrever frases sem sentido, sem métrica, sem rima é bem mais
fácil que escrever um soneto.
Coimbra, 30 de setembro de 2017.
https://www.atariarchives.org/deli/write_about_itself.php
http://www.ubu.com/historical/racter/
https://en.wikipedia.org/wiki/Computational_creativity



1 comentários:
É mesmo como refere, a poesia anda estranha. Eu escrevi poesia na idade da adolescência e consegui com métrica e rima passar a mensagem, mas, não era poeta. Mais tarde, já entrado na idade adulta, vi o quanto ingénuo tinha sido, após ter escrito uma poesia mais sintética. Bom, mas escrever em prosa com uns resquícios de poesia, talvez seja aquilo que mais gosto, ainda não tenho a certeza. Aproveito para dar os parabéns, soube que o tempo do avô chegou!
Gil
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