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domingo, 28 de outubro de 2012

Ainda a poesia de Castro Nunes

Voltar do Além?
Ou voltar de mais perto?


O Doutor João de Castro Nunes é um amigo com um extraordinário talento de poeta. É viúvo e continua a sentir um amor imenso pela Rucinha que foi sua esposa durante longas décadas de felicidade. O soneto que a seguir transcrevo é da sua autoria e compô-lo em março deste ano de 2012.



MAIS LINDA DO QUE NUNCA

Hoje sonhei, amor, que tu voltaste
mais linda do que nunca, adolescente,
e que devagarinho me beijaste
para eu não acordar subitamente.

Tinhas recuperado a juventude
envolta numa auréola de estrelas
que me ofuscavam tanto que não pude
ver-te logo as feições por culpa delas.

De ti por todo o ar se difundia
um doce aroma como julgo terem
os anjos que te fazem companhia.

Se eles, ó meu amor, não se opuserem,
vem sempre que puderes, tal como agora,
sorrir-me em sonhos… pela noite fora!

Quando o li pela primeira vez, pensei no grande amor que eu também tenho pela Maria da Luz, a mulher com quem casei. Com uma extraordinária sincronia, no dia em que o li, a minha Luzinha parecia ligeiramente agastada, sem que eu conseguisse descortinar o motivo. Depois de o ler, apercebi-me que eu podia ter sonhado o mesmo, porque a sentia afastada, mas queria que ela voltasse, voltasse a exteriorizar o mesmo amor sem o qual dificilmente sobrevivo, voltasse a “sorrir-me talvez em sonhos”... e também quando acordado, pois felizmente ainda estamos ambos neste mundo.

Semelhante ao de Castro Nunes, o meu apelo a Deus e aos anjos é que não se oponham a que nós saibamos aproveitar o estarmos cá, para nos amarmos sem sobressaltos, para nos “beijarmos devagarinho”, para mantermos a “juventude” da esperança, para difundirmos o “aroma” dos que agradecem a dádiva da vida, para seguirmos a nossa estrada com uma total confiança um no outro. Como sempre tivemos. Para conseguirmos acabar de escrever o livro de nós dois, para que todos conheçam os nossos nobres sonhos e que ainda tenhamos tempo para os realizar.

sábado, 27 de outubro de 2012

DOUTOR JOÃO DE CASTRO NUNES,

DOUTOR JOÃO DE CASTRO NUNES
É um amigo que muito estimo. Homem de Letras, professor universitário que foi durante longo tempo, mantém uma impressionante vivacidade de espírito nos seus 92 anos de idade.

Tive ontem, 25 de outubro de 2012, o gosto de conversar com ele pelo telefone. Usa muito a Internet e, a propósito de blogues, dele e meus, recordámos figuras da época em que éramos estudantes, pois apesar das duas décadas de diferença entre a idade dele e a minha, houve pessoas que ambos conhecemos. Por exemplo, os meus professores, de quem falo em cartazes deste blogue, Manuel Esparteiro, Pacheco de Amorim, o pai Diogo e o filho José que foi contemporâneo dele, e o João Pereira Dias que, além de ter sido diretor da Faculdade de Ciências, teve notada ação política. Sobre este, ele disse-me que teria falecido de ataque cardíaco pelo desgosto de ver destruído um sítio arqueológico onde hoje se situa o aeródromo de Coimbra, por ordem do médico e político Bissaya Barreto, um amigo íntimo de Salazar. Espantoso, mas acredito que isso aconteceu, pois Bissaya Barreto era conhecido por certos golpes rápidos que arquitetava quando queria levar por diante os seus projetos. Estávamos no tempo do Estado Novo… mas truques destes continuam a fazer-se em política.

Sentei-me hoje ao computador e pedi a um motor de busca que me falasse de João Castro Nunes. Mais uma vez, o seu talento poético logo surgiu. Faz poesia da difícil, mas que se compreende, clássica devia eu talvez dizer. São principalmente sonetos… com métrica, com rima, com palavras que fazem sentido. São poemas que dizem sempre algo.

Sensibiliza-me o imenso amor que teve pela sua esposa, companheira de longas décadas, e que continua a ter pela sua memória. A ela, à sua Rucinha, como carinhosamente lhe chama, que terá conhecido há 70 anos, quando ele era um jovem de 22, tem dedicado centenas de poesias. São tão cheias de amor que ao lê-las me perturbo. Sintonizo-me com ele, pois julgo não ser menor o amor que eu próprio tenho pela minha Mulher.

Não duvido que o amor dele por ela foi sempre correspondido: ambos partilharam a fé num Deus que sem dúvida os abençoou, embora não lhe tivesse evitado a ele a dor de a ter perdido. Mas chego a acreditar que ele compreende a opção de Deus: se tivesse sido ele o primeiro a partir, ela teria sofrido e ele por certo não o quereria.

Há quem se sinta completamente só no outono da vida sem nunca ter perdido um grande amor; esses não sofreram com perdas, mas sofrem com a solidão. Ou então tiveram perda, mas não por desígnio exclusivo de Deus; talvez por escolha de quem já não retribuia amor. Não sei o que será menos dramático.

Lembro, a propósito dos que muito amam, um caso que me contaram: um homem que adorava a sua mulher, sabendo-se atacado por doença incurável e não querendo que ela sofresse com a previsível agonia dele, evitou-a pondo termo à vida. E ela, de facto, sobreviveu-lhe longos anos. Foi uma escolha que se compreende, embora, por princípios religiosos, muitos – e entre eles Castro Nunes – não se permitiriam uma tal opção.

Termino reproduzindo duas das suas poesias que li muito recentemente. A primeira é dedicada à sua querida companheira:

MAIS LINDA DO QUE NUNCA

Hoje sonhei, amor, que tu voltaste
mais linda do que nunca, adolescente,
e que devagarinho me beijaste
para eu não acordar subitamente.

Tinhas recuperado a juventude
envolta numa auréola de estrelas
que me ofuscavam tanto que não pude
ver-te logo as feições por culpa delas.

De ti por todo o ar se difundia
um doce aroma como julgo terem
os anjos que te fazem companhia.

Se eles, ó meu amor, não se opuserem,
vem sempre que puderes, tal como agora,
sorrir-me em sonhos… pela noite fora!

João de Castro Nunes, 2012.03.21

A segunda interpela Fernando Pessoa; e sem querer de modo algum manchar a admiração oficial por esta figura que parece ter sido imposta aos portugueses, não me coíbo de repetir um àparte que ouvi há anos a uma professora de Português do Ensino Secundário e que subscrevo inteiramente: "Tanto Pessoa, até enjoa!" Também João de Castro Nunes parece - que ele me perdoe se erro - que a subscreveria!

AMOR AUSENTE

Teu mal, Pessoa, foi não ter amado
a sério uma mulher, como eu amei,
mãe de oito filhos que eu alimentei
sob o carinho seu… tão partilhado!

Falar de amor sem nunca o ter provado
mesmo que fora dos grilhões da lei
foi coisa que jamais… eu perfilhei
por ser um sentimento simulado.

Ao que julgo saber, caro Pessoa,
a mulher para ti, celibatário,
nunca foi mais que tema literário.

Contrariamente àquilo que apregoa
por esse mundo fora muita gente,
o amor nos versos teus se encontra ausente!

João de Castro Nunes, 2012.10.26


















sábado, 13 de outubro de 2012

A CRISE, O DÓLAR E O EURO

A CRISE, O DÓLAR E O EURO

Há duas afirmações a respeito da crise que se sente em Portugal e noutros países europeus de cuja validade estou convencido:
1) A crise é provocada por aqueles que, caso o euro sobreviva, receiam a perda da influência e do poder do dólar a nível internacional;

2) A crise terminará imediatamente quando esses mesmos se convencerem que o euro vai sobreviver e, portanto, as suas maquinações são inúteis.
Não afirmo que seja o povo americano que quer destruir o euro; nem o Presidente Obama ou o candidato republicano, seu adversário na eleição que se aproxima. São os senhores do dólar, cujos nomes o grande público nem conhece, talvez os grandes grupos financeiros, ou Wall Street, ou os grandes bancos, talvez um Goldman Sachs de que fala o número de 11 a 17 de Outubro da revista Sábado.
Não se compreende que as agências que desacreditam as dívidas dos países europeus… sejam todas americanas! Porque não existe uma agência de rating europeia que analise a dívida soberana dos EUA? Ou uma sedeada nos países do euro que avalie a dívida soberana do Reino Unido?
Já vimos os senhores do dólar pretenderem que a China altere a paridade da sua moeda, o renmimbi. Esta tentação dos poderosos dos EUA de moldarem o Mundo à conta dos seus interesses, é óbvia. Já todos o sabemos, olhando as suas campanhas militares. Como intervenções militares na Europa seriam o cúmulo do absurdo, a alternativa que lhes resta é o ataque ao euro, procurando desfazer a união entre os países que o adotaram, acometendo em primeiro lugar, como é evidente, os que são mais fracos. Fator poderoso de união, a moeda única é um passo de enorme significado para a criação dos Estados Unidos da Europa, que urge concretizar.
No dia em que os senhores do dólar perceberem que o euro não morrerá, nesse mesmo dia a crise que hoje vivemos acabará. Nós, simples cidadãos a sofrer, na pele, as consequências do egocentrismo deles, só esperamos que os responsáveis europeus compreendam, tão bem como nós, essas manipulações, e avancem no único caminho que permitirá à Europa continuar o seu papel no Mundo: a união política e monetária com um enquadramento fiscal equitativo tão homogéneo quanto possível.
Termino com uma nota de otimismo: Quando a crise acabar, haverá um período de desenvolvimento e prosperidade, pois os senhores do dólar, vendo que não destruíram o euro, vão seguir o velho provérbio que diz “se não os podes vencer, junta-te a eles.”
Na Europa, não há muito mais tempo a perder!
2012-10-13
J. M. S. Simões-Pereira

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

MEMÓRIAS DE MARIA M - A Sandra Matias hoje é casada e mãe de uma menina!

MEMÓRIAS DA MARIA M

Ela escreveu um livro de memórias. Memórias que começam na infância, dramática, como tinham de ser as da filha de pai pedófilo e de mãe que a olhava como se ela fosse lixo.

Eram assim os seus pais biológicos, disfuncionais, para usar um termo técnico: viam-na ambos como lixo, e diziam-lho… Porque sabiam que eles próprios eram lixo! E ela sofreu, sofreu muito, mas um dia encontrou os que chama seus pais de afeto e encorajou-se a registar o seu passado.

Hesitou em assumir que tudo aquilo era autobiográfico. Fingiu que era a história de uma amiga, entretanto falecida. Mas as marcas terríveis dessa infância paralisaram-na na adolescência e na juventude. Sofreu as marradas ou o cornejamento (bullying, dizem os que não querem traduzir o Inglês), de condiscípulos que troçavam da sua compreensível timidez. E já em plena juventude, até na escola de bombeiros que frequentava, ainda sofreu olhares oblíquos de colegas que não compreendiam a sua insegurança e não queriam ver a generosidade com que abraçara o lema que a encantou: “Vida por vida”.

Recordo uma frase que li quando eu próprio era adolescente: “O sofrimento é o verdadeiro curso superior da vida”. Não memorizei na altura o nome do seu autor. Penso que era uma citação de Manuel da Silva Gaio, mas passei a obra dele a pente fino e nunca a reencontrei, perguntei ao Google e não obtive resposta. Seja quem for que o tenha escrito, concordo inteiramente com o pensamento que exprime. Ela frequentou esse curso superior. E muita gente, com razões as mais diversas, também o frequentou. Eu também lá andei, embora com motivos total e absolutamente distintos. Só que me diplomei muito cedo; e ela não. Já jovem adulta, continuava a deixar-se dominar por estranhos complexos de tristeza e medo. Levou muito tempo a descobrir porque a atacavam, e que o intriguista, o maldizente, o acobardadito são sempre pessoas que se sentem falhadas. Não reparava que, como afirma um antigo provérbio, “o invejoso é aquele que se sente incapaz de competir com o invejado.”

Até que, finalmente, descobriu. E escreveu. E publicou. E quem ler o seu livro  sobretudo se o ler em algum período da vida em que se sinta cornejado  perceberá que tem de reagir e quanto mais cedo, melhor. É essa a mensagem, a lição, que nos traz a obra dela.

 A autora é uma nossa vizinha em Coimbra a quem ajudamos em momentos difíceis da vida dela.

Hoje ela é casada e mãe de uma linda menina. 

Parabéns à Sandra Matias pois venceu os seus traumas! 




quinta-feira, 10 de setembro de 2009

SALAZAR DITADOR? JÁ NÃO SEI SE É VERDADE

VOLTA, SALAZAR: ELES VÃO ENSINAR-TE A PROIBIR LIVROS SEM SERES DITADOR!

Salazar afinal não era assim tão diferente como alguns o querem pintar...

Havia censura... é verdade... mas agora todos descobrimos que continua a haver!

O livro de Gonçalo Amaral sobre o desaparecimento da menina inglesa no Algarve, a Maddie, acaba de ser proibido! À boa maneira salazarista, sem tirar nem pôr! Fizeram-lhe o mesmo que os chefes do Islão fizeram ao livro Versículos Satânicos do Rushdie. Nunca, mas nunca, eu imaginaria - e como eu milhões de portugueses - que tal pudesse suceder numa democracia! Quem vende a ideia que somos uma democracia, ao contrário do que éramos no tempo do Salazar, porque agora há liberdade de expressão... bom, no mínimo não diz a verdade!

E não desviem as atenções desta proibição com a historieta da Moura Guedes e das suas investigações sobre as leviandades deste ou daquele responsável político. Porque mais importante que os patrões de uma estação de rádio ou TV despedirem um jornalista... é a Lei de um Estado de Direito democrático permitir que um tribunal proíba um livro.

E não critiquem mais o Irão, ou outros países onde se proibem livros... ou a Inquisição que também criou um INDEX de livros que os católicos não podiam ler! Não os critiquem e não critiquem especialmente o Estado Novo!

Ou então concordemos que foi a Justiça que matou a Democracia!

E depois admiram-se que o povo considere Salazar um grande português... Pelo menos, não era hipócrita...

sábado, 8 de agosto de 2009

RAUL SOLNADO - In Memoriam

Uma palavra de homenagem à memória de um homem que merece o nosso respeito pela seriedade com que fez humor.

E o que acabo de escrever não é um trocadilho. É para recordar a capacidade que ele tinha de nos fazer rir sem usar o vernáculo obsceno que tantos usam para provocar a hilaridade. Em vez disso ele usava jogos de ideias e não simples jogos de palavras... ou de palavrões! E, nos idos tempos do Estado Novo, tinha a coragem de ironizar com as decisões do Governo de uma forma tão elegante e inteligente que nem a mais manhosa e satânica polícia política encontrou pretextos para o encarcerar.

Pessoalmente - e já que isto é o meu blogue - uma palavra a recordar que, durante o período da minha amargurada infância e adolescência, a ele devo, pelo seu bom humor, alguns momentos de alegria para não dizer de felicidade. Era com a recordação dessa alegria que por vezes cruzava com ele na rua onde recentemente ambos morávamos em Lisboa e que, há poucos anos, assisti na primeira fila a uma homenagem que lhe foi feita em Cascais.

Por tudo isto, obrigado, Raul Solnado!

Zé-Manel Polido

Figueira da Foz, 8 de Agosto de 2009

 

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