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sábado, 27 de outubro de 2012

DOUTOR JOÃO DE CASTRO NUNES,

DOUTOR JOÃO DE CASTRO NUNES
É um amigo que muito estimo. Homem de Letras, professor universitário que foi durante longo tempo, mantém uma impressionante vivacidade de espírito nos seus 92 anos de idade.

Tive ontem, 25 de outubro de 2012, o gosto de conversar com ele pelo telefone. Usa muito a Internet e, a propósito de blogues, dele e meus, recordámos figuras da época em que éramos estudantes, pois apesar das duas décadas de diferença entre a idade dele e a minha, houve pessoas que ambos conhecemos. Por exemplo, os meus professores, de quem falo em cartazes deste blogue, Manuel Esparteiro, Pacheco de Amorim, o pai Diogo e o filho José que foi contemporâneo dele, e o João Pereira Dias que, além de ter sido diretor da Faculdade de Ciências, teve notada ação política. Sobre este, ele disse-me que teria falecido de ataque cardíaco pelo desgosto de ver destruído um sítio arqueológico onde hoje se situa o aeródromo de Coimbra, por ordem do médico e político Bissaya Barreto, um amigo íntimo de Salazar. Espantoso, mas acredito que isso aconteceu, pois Bissaya Barreto era conhecido por certos golpes rápidos que arquitetava quando queria levar por diante os seus projetos. Estávamos no tempo do Estado Novo… mas truques destes continuam a fazer-se em política.

Sentei-me hoje ao computador e pedi a um motor de busca que me falasse de João Castro Nunes. Mais uma vez, o seu talento poético logo surgiu. Faz poesia da difícil, mas que se compreende, clássica devia eu talvez dizer. São principalmente sonetos… com métrica, com rima, com palavras que fazem sentido. São poemas que dizem sempre algo.

Sensibiliza-me o imenso amor que teve pela sua esposa, companheira de longas décadas, e que continua a ter pela sua memória. A ela, à sua Rucinha, como carinhosamente lhe chama, que terá conhecido há 70 anos, quando ele era um jovem de 22, tem dedicado centenas de poesias. São tão cheias de amor que ao lê-las me perturbo. Sintonizo-me com ele, pois julgo não ser menor o amor que eu próprio tenho pela minha Mulher.

Não duvido que o amor dele por ela foi sempre correspondido: ambos partilharam a fé num Deus que sem dúvida os abençoou, embora não lhe tivesse evitado a ele a dor de a ter perdido. Mas chego a acreditar que ele compreende a opção de Deus: se tivesse sido ele o primeiro a partir, ela teria sofrido e ele por certo não o quereria.

Há quem se sinta completamente só no outono da vida sem nunca ter perdido um grande amor; esses não sofreram com perdas, mas sofrem com a solidão. Ou então tiveram perda, mas não por desígnio exclusivo de Deus; talvez por escolha de quem já não retribuia amor. Não sei o que será menos dramático.

Lembro, a propósito dos que muito amam, um caso que me contaram: um homem que adorava a sua mulher, sabendo-se atacado por doença incurável e não querendo que ela sofresse com a previsível agonia dele, evitou-a pondo termo à vida. E ela, de facto, sobreviveu-lhe longos anos. Foi uma escolha que se compreende, embora, por princípios religiosos, muitos – e entre eles Castro Nunes – não se permitiriam uma tal opção.

Termino reproduzindo duas das suas poesias que li muito recentemente. A primeira é dedicada à sua querida companheira:

MAIS LINDA DO QUE NUNCA

Hoje sonhei, amor, que tu voltaste
mais linda do que nunca, adolescente,
e que devagarinho me beijaste
para eu não acordar subitamente.

Tinhas recuperado a juventude
envolta numa auréola de estrelas
que me ofuscavam tanto que não pude
ver-te logo as feições por culpa delas.

De ti por todo o ar se difundia
um doce aroma como julgo terem
os anjos que te fazem companhia.

Se eles, ó meu amor, não se opuserem,
vem sempre que puderes, tal como agora,
sorrir-me em sonhos… pela noite fora!

João de Castro Nunes, 2012.03.21

A segunda interpela Fernando Pessoa; e sem querer de modo algum manchar a admiração oficial por esta figura que parece ter sido imposta aos portugueses, não me coíbo de repetir um àparte que ouvi há anos a uma professora de Português do Ensino Secundário e que subscrevo inteiramente: "Tanto Pessoa, até enjoa!" Também João de Castro Nunes parece - que ele me perdoe se erro - que a subscreveria!

AMOR AUSENTE

Teu mal, Pessoa, foi não ter amado
a sério uma mulher, como eu amei,
mãe de oito filhos que eu alimentei
sob o carinho seu… tão partilhado!

Falar de amor sem nunca o ter provado
mesmo que fora dos grilhões da lei
foi coisa que jamais… eu perfilhei
por ser um sentimento simulado.

Ao que julgo saber, caro Pessoa,
a mulher para ti, celibatário,
nunca foi mais que tema literário.

Contrariamente àquilo que apregoa
por esse mundo fora muita gente,
o amor nos versos teus se encontra ausente!

João de Castro Nunes, 2012.10.26


















sexta-feira, 29 de junho de 2012

Jornal das Letras, Ler, Os meus Livros, as páginas do jornal Público...

PUBLICAÇÕES PORTUGUESAS SOBRE LITERATURA, AO SERVIÇO DE QUEM?

O patriotismo destas publicações culturais é muito duvidoso.

Se o autor não é ídolo da TV - ou figura mediática, até pode ser futebolista - então não importa o que ele escreve ou, pior ainda, o assunto sobre o qual ele escreve...

Li há pouco tempo, depois de ver um grande elogio da crítica, o livro "A Caixa Negra" de Amos Oz (editora D. Quixote, 2a. edição).

Tema: Um casal divorcia-se e, no centro da polémica, está um filho dos dois, chamado Boaz, cuja guarda a mãe não quer perder e por isso aceita até, recusando testes de paternidade, que o pai fique na dúvida sobre se Boaz é seu filho ou não.

Ela casa em segundas núpcias e tem uma filha do segundo marido, a Yafat. Vicissitudes diversas levam ao início de um segundo divórcio em que o pai pretende ficar com a guarda da criança, acusando a mãe de adultério por esta ir apoiar o primeiro ex-marido na fase terminal da sua doença.

O cenário é internacional e a personagem principal de toda a história é o drama da guarda dos filhos de pais divorciados enquadrado pela derrocada da instituição família.

O livro é vedeta nos media e nos escaparates das livrarias. Mas há uma pergunta que não posso impedir-me de fazer: - Por que motivo exatamente estes mesmos temas, quando tratados por um autor português, não motivam uma única palavra desses media nem aparecem nos escaparates das livrarias? Não há uma única palavra... nem de elogio nem de crítica, demolidora que fosse!

O Jornal das Letras, as revistas Ler ou Os Meus Livros, as secções literárias de vários diários de referência, ninguém se preocupa em promover ou divulgar o que é nosso! Assim se defendem os autores portugueses. Assim estas publicações revelam o seu patriotismo! Assim cumprem os seus superiores desígnios de servir a cultura portuguesa!

Por isso vos peço que leiam e avaliem por vós próprios os meus contributos, que assinei como Zé-Manel Polido: a prosa de "Amor, Solidão e Fé" e as poesias de "Amor Explorado", ambos publicados pela Editora Luz da Vida . Não seriam merecedores de alguma atenção?

Zé-Manel Polido

terça-feira, 12 de junho de 2012

Saudade em Portugal e saudade na Irlanda

"The past beats inside me, like a second heart" é uma confissão do escritor irlandês John Banville no seu romance "The Sea", laureado em 2005 com o Man Booker Prize.

Para a transpor para Português e lhe manter a força extraordinária que transmite no original Inglês, eu não faria uma tradução literal, preferiria optar por dizer "Como se fosse um segundo coração, sinto o passado pulsar dentro de mim".

Adoto inteiramente este sentimento do autor irlandês. Mas esse segundo coração que sinto bater dentro de mim, esse coração que vai buscar ao passado força para viver o presente e enfrentar o futuro, é por certo a sede onde reside o que nós, portugueses, designamos por saudade.

Por isso sou forçado a concluir que a saudade não é um exclusivo de Portugal; é um estado de alma que também se vive na Irlanda.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

VAIDADE MINHA!

VAIDOSO EU? DESTA VEZ, SIM!

João de Castro Nunes, um dos poetas contemporâneos que mais admiro e a quem me refiro neste blogue num cartaz da categoria Literatura com o seu nome no título, dedicou-me um soneto. Claro que é razão para me sentir muitíssimo orgulhoso. Vou transcrever o referido soneto:

“Amor explorado”

Ao Poeta Zé-Manel Polido

Li seus poemas que me impressionaram

pela superação que patenteiam

das circunstâncias várias que geraram

as mágoas que os seus versos alardeiam.

+

Impressionou-me a forma da expressão

bastante original, sem todavia

em termos musicais pôr em questão

o clássico sentido da harmonia.

+

Vê-se que tem poético talento

predominando sobre todo o resto

o seu desencantado sentimento.

+

Em quanto escreve existe um grão de sal,

um fio de humorismo manifesto

que virtuoso faz o próprio mal!

João de Castro Nunes

JOÃO DE CASTRO NUNES

JOÃO DE CASTRO NUNES, O HOMEM E O POETA

JOÃO DE CASTRO NUNES é um homem da cultura, que como tal se afirmou no ensino universitário, e é também um grande poeta da língua portuguesa.

A sua enorme sensibilidade rebrilha nos seus versos. Cultiva o soneto à boa maneira dos clássicos, essa forma de Poesia em que a liberdade está muito longe de ser total. E apesar disso, a originalidade está lá, em cada um deles, o estilo que criou leva-nos a reconhecer o autor logo que lemos a primeira quadra, e a mensagem que cada um nos transmite - porque há, sim, uma mensagem em cada um dos seus sonetos! - é sempre límpida, compreensível, fluida.

Não deve haver quem o iguale, muito menos o exceda, quando exalta o amor à Mulher da sua vida, a sua Esposa e Mãe dos seus oito filhos. E esse amor não foi uma paixão frustrada, muito menos um fogo que ardeu e se consumiu, ou que não teve tempo de se desgastar porque as circunstâncias lhe puseram fim rapidamente; há génios da Poesia que cantaram amores desse tipo e não deixam de merecer a nossa admiração e o nosso respeito. Mas o amor que ele imortaliza nos seus sonetos foi constante, sereno e viveu-o seis décadas desde a juventude; aliás continuou a vivê-lo e vive-o hoje para além da morte com a mesma ou ainda maior intensidade.

Para quem porventura ainda os não conheça, permito-me aqui transcrever dois dos seus sonetos (sem lhe pedir autorização, é certo, mas são apenas dois entre as centenas que ele compôs!). Fui buscá-los ao livro “Orfeu resignado” (edição de autor, publicada em Arganil em 2007). Como a maioria das suas obras são edições de autor e por conseguinte pouco distribuídas, sugiro uma visita ao site do Movimento Cidadãos por Góis onde João de Castro Nunes colabora regularmente.

O URL é: www.portaldomovimento.com/joao_de_castro_nunes.html.

Não quero deixar de assumir que é perante o sentir de homens como ele que tenho de acreditar no género humano. Aqui estão os dois sonetos:

++++

Pelo amor que me deste e que eu te dei

amor sem par, sem peso nem medida,

marcado com punção de ouro de lei,

foi como um sonho, amor, a nossa vida!

+

Foram diversos anos que passaram

mais rápidos acaso do que a luz,

seis décadas que nos transfiguraram

em cireneus levando uma só cruz..

+

O sonho que vivemos não findou:

com algum exagero ou fantasia

direi que só agora começou..

+

Há-de no céu continuar um dia

quando o Senhor que nos desapartou,

quiser que eu vá fazer-te companhia!

+++

Eu creio em Deus, na vida além da morte,

não tanto por argutas teorias,

mas por amor do modo que tu crias

compartilhando a tua fé tão forte.

+

Porém, se acaso assim não suceder

e vão ter sido em Deus acreditar

por com a morte a vida terminar,

valeu a pena mesmo assim viver.

+

É que seguramente, na verdade,

nada é melhor do que a felicidade,

seja onde for, com a pessoa amada.

+

Se após a morte não houver mais nada,

bastou-me ser feliz contigo aqui,

pois tive o céu na terra ao pé de ti!

 

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