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quinta-feira, 14 de junho de 2012

DEDICATÓRIA: AOS QUE ME BLOQUEARAM!

Dos três livros técnicos que escrevi, o primeiro que publiquei foi dedicado à memória do meu Pai porque, apesar de médico, devo-lhe o entusiasmo pela matemática; o segundo foi dedicado à minha Mulher por ter criado o ambiente que me permitiu recomeçar a trabalhar, após um período de terríveis dificuldades familiares.

É evidente que, nos prefácios dos livros, menciono também as numerosas pessoas a quem tenho o dever moral de agradecer pelo apoio que direta ou indiretamente me deram.

Ando agora a hesitar quanto à dedicatória do terceiro que terminei recentemente e vai ser publicado em breve. Estou a ponderar dedicá-lo AOS QUE TENTARAM BLOQUEAR O MEU TRABALHO. Assim mesmo! Porquê?

Porque ao fazê-lo, estimularam-me a prosseguir, criaram em mim uma espécie de desejo de os vencer, mostrando-lhes que, embora tenham podido atrasar os meus planos, não conseguiram evitar que eu os levasse a cabo. Lembro-me de ter lido algures que "quanto mais se persegue um homem mais ele corre". Comigo, isso sempre aconteceu.

Reconheço assim que devo alguns dos meus triunfos em parte à adversidade que me foi criada. É neste sentido que estou grato também aos que me bloquearam.

Aceito naturalmente que me perguntem: -- "Então se lhes deves gratidão, que fizeste para os recompensar?" A resposta é simples: ajudei-os a evoluir como pessoas, ensinando-lhes que tentar bloquear os outros é uma atitude pateta que pode não resultar e até ter efeito contrário ao que eles pretendem.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Se a tua bússola for o trabalho, o teu norte será o triunfo

Venho hoje prestar uma homenagem ao meu Pai, José Simões Pereira Júnior. Médico e cirurgião de sucesso, não tinha muito tempo livre mas foi sobretudo nos momentos que passei com ele que aprendi a ser adulto.

A frase que serve de título a este cartaz foi a ele que a ouvi; não me lembro se ele me disse que era uma citação. Procurei-a em motores de busca e não a encontrei. Provavelmente a frase era mesmo dele; e que o pensamento também era, isso posso garantir!

Foi dele sim que aprendi -- tinha eu 9 anos -- que o trabalho nos dignifica, nos enobrece, nos leva a triunfos: sobre a ociosidade, sobre o parasitismo, sobre a inutilidade. Mesmo que esse triunfo não seja grandioso, é fonte de auto-estima e, como tal, já é uma vitória.

Obrigado Pai!

domingo, 16 de novembro de 2008

A BÍBLIA E DARWIN



A CAROCHINHA, A SUA HISTÓRIA, A BÍBLIA E DARWIN (*)

Parece que ainda há pessoas, e até nas sociedades ditas desenvolvidas, que levam à letra as palavras do livro do Génesis, o primeiro da Bíblia.

Deus terá feito o Mundo em seis dias: segunda, terça, quarta, quinta, sexta e sábado... uma semana portanto. Primeiro terá separado a luz das trevas (o que até parece de acordo com a teoria do Big Bang, pois antes dele só haveria trevas e nada e depois dele é que se fez luz), depois separou as águas das terras (se isto significa haver estados diferenciados da matéria, precursores de um estado sólido e um estado líquido, mantém-se uma aparência de acordo), em seguida fez os astros (as estrelas, o Sol, a Terra, a Lua). Até aqui, uns três ou quatro dias... e o que significará a palavra dia?

Mas difícil mesmo de acreditar é o calendário das actividades seguintes! Julgo que terá sido qualquer coisa como: Ele teria feito os peixes na quinta-feira de manhã, as aves na quinta-feira à tarde, a bicharada que não sabe nadar nem voar, na sexta de manhã, o homem nesse mesmo dia à tarde, depois reparou que não tinha feito a mulher e foi fazê-la a correr provavelmente já no Sábado, antes do almoço, para poder dormir a sesta com a consciência tranquila de quem completou o seu trabalho... e no dia seguinte, domingo, repousou todo o dia. Não terei sido muito preciso para os exegetas do Génesis, mas, mais quarto de hora menos quarto de hora, mais manhã menos manhã, mais tarde menos tarde, tudo se teria passado assim.

Francamente, não acredito de modo algum nestes pormenores. E compreendo que um Darwin que vivia numa sociedade puritana (e hipócrita, como são aliás quase todas as sociedades puritanas) tivesse querido combater essa visão dominante no seu tempo com a teoria que apresentou. Embora dissimulado com grande inteligência, o seu objectivo deve ter sido essencialmente político, ou político-social; terá sido um esforço mais destinado a abalar a autoridade secular de um poderoso clero, do que a explicar cientificamente fosse o que fosse.

Diz-se que, na opinião dele, as espécies não teriam surgido assim todas numa hipotética primeira semana da história do Mundo. Terá havido uma longa e lenta evolução em que novas espécies apareciam e outras se extinguiam, tudo ou quase tudo passível de ser explicado pela sobrevivência dos mais aptos. Ou seja, quando surgiam indivíduos com características distintas das dos seus progenitores, características essas que os tornavam mais aptos a sobreviver, então eles sobreviviam, transmitiam-nas aos seus descendentes, e aqueles a quem essas características não eram transmitidas ficavam com menos recursos para sobreviver e acabavam por se extinguir. Ainda com mais razão se extinguiriam aqueles indivíduos que surgissem com características diferentes das dos progenitores mas tais que os tornassem mais frágeis, menos aptos a enfrentar o ambiente. Dá pois a ideia, esta bela construção teórica, que houve uma evolução contínua (ou quase contínua, talvez mesmo, admitamo-lo, com alguns saltos discretos) em que os seres aparecidos posteriormente tinham mais capacidades, mais competências -- como se diz agora -- para a luta pela vida.

Será assim? Não parece! Como se teriam sentido os nossos antepassados ao verem as aves, que já existiam antes deles e já voavam porque tinham asas, perante a triste realidade de não terem asas? A evolução em vez de os tornar mais aptos, tornou-os menos aptos. Porque, não duvidemos, para fugir aos representantes de outras espécies fisicamente mais fortes e menos simpáticas -- eu direi os crocodilos, os mamutes, as serpentes -- que já povoavam a Terra, umas asas tinham dado muito jeito. E eles, se tivessem conhecimento do darwinismo, perguntar-se-iam: Como é que as perdemos? A evolução devia ter-nos tornado, já que a nossa espécie apareceu mais tarde, mais aptos, ou, na pior das hipóteses, devia manter-nos tão aptos como aqueles que antes de nós já tinham o direito às asas.

E quem diz asas, diz guelras. Então não se terão sentido revoltados os homens primitivos, porque a evolução, em vez de lhes dar guelras ainda mais perfeitas que as que tinha dado aos peixes surgidos antes deles, privou-os delas? Assim, em vez de mais aptos a sobreviver quando caíssem à água ou quando a água, numa inundação, maremoto ou chuva diluviana lhes caísse em cima, ficaram menos aptos, ou melhor, totalmente inaptos... e ainda o estamos, uns tantos milénios depois.

Talvez, em breve, a introdução de um gene de águia ou abutre e outro de bacalhau ou pescada no óvulo dos nossos netos lhes permita nascer com asas e guelras... mas isso, que digo e prevejo sem a menor ponta de ironia, não é fruto da evolução natural mas da ciência e da tecnologia. Não é uma confirmação, mas sim o desmoronar completo da teoria de Darwin porque provará que afinal podíamos ter mantido as asas e as guelras já usadas em espécies mais antigas -- quanto às asas até os pterossauros as tiveram e alguns não seriam muito mais leves que os humanos -- mas afinal a evolução não se dignou mantê-las! Teremos de concordar que estamos em presença de um claro desmentido do facto, mil vezes repetido pelos darwinistas, de que com a evolução sempre se avançou, tornando cada espécie mais apta que as anteriores. Aqui falhou redondamente. E este caso específico é apenas um entre milhares de outros casos análogos.

Há uma outra situação que põe claramente a nu a ingenuidade -- ou a arrogância! -- dos que consideram a espécie humana mais apta, mais capaz, mais adaptada que outras espécies a partir das quais ela terá evoluído. Refiro-me à proverbial (e real!) incapacidade de uma criança de sobreviver por si só. Então quando as crias de tantas espécies, mal saem do ovo já estão aptas a fazer pela vida e de facto sobrevivem sem qualquer apoio dos seus progenitores, nós, humanos, que teoricamente devíamos ser mais avançados, mais capazes, mais competentes, nós que como espécie seremos das mais recentes e portanto produto de uma mais longa evolução, de um mais demorado aperfeiçoamento... não conseguimos minimamente sobreviver, logo após nascermos, sem apoios?

Dos recém-nascidos -- não serão muitos mas infelizmente são alguns -- que certas mães desesperadas deitam no lixo, porventura já algum foi visto a roer um osso, a trincar uma espinha, enfim a tentar ingerir restos de comida que pudesse encontrar no contentor onde o abandonaram para se proteger de uma carência que certamente o matará? Nenhum! E no entanto, milhares de crias de peixes, por exemplo, sabem muito bem fazê-lo! Conclusão: não nos tornámos mais aptos que essas espécies que já existiam antes de nós. Tornámo-nos menos aptos e, por isso, teoricamente, segundo Darwin, não devíamos ter sobrevivido como espécie. Em suma, com Darwin ou sem ele, vamos assumir com humildade -- uma humildade que não é bíblica nem nada tem de mística ou metafísica! -- a seguinte e indiscutível verdade: neste ponto, somos menos aptos que todos os peixinhos e muitas outras espécies não aquáticas que nos precederam na cadeia da evolução...

Lembro-me de um dia ter lido, ocasionalmente, numa revista de divulgação científica, na sala de espera do meu dentista (razão pela qual não posso citar mais precisamente a fonte) o que o autor chamava um argumento decisivo a favor do darwinismo. Era, entre outras, a questão do olho. Ele dizia que devíamos reparar na razão pela qual o olho (ou mais rigorosamente, a capacidade da visão) se desenvolveu. De facto, argumentava ele, uma espécie sem visão rapidamente se tornava presa de outra espécie com visão, o que levaria a primeira a ser aniquilada e a segunda a prosperar; pois era claro, para o referido autor, que a espécie cega não podia fugir eficazmente da espécie com vista quando esta a atacasse.

Fiquei a pensar nas espécies vegetais; e nas espécies animais herbívoras... As plantas parece-me que não têm olhos; e mesmo que os tivessem, não têm pernas para fugir. Como é que ainda se não extinguiram todas?

Não escamoteemos factos verificados experimentalmente que parecem confirmar o grande Darwin: há vírus ou bactérias que, depois de combatidos, digamos durante uma década, com medicamentos antivíricos ou antibióticos que a princípio os destroem, evoluem e tornam-se resistentes. Quer dizer, as gerações seguintes ficam invulneráveis àqueles medicamentos que aniquilaram os seus antepassados. Ora, se pensarmos um pouco, isto não confirma mas sim desmente a teoria da evolução. Porquê? Porque -- admitamos que é verdade -- um vírus ou bactéria consegue rapidamente evoluir e tornar-se mais apto a sobreviver àquilo que o envenena e mata. Mas então essa capacidade perdeu-se (em vez de se adquirir) algures na cadeia evolutiva. Como é que um vírus faz isto no espaço de uma década e nós, humanos, produto de uma evolução que a partir desses micro-organismos nos devia ter tornado muito mais aptos e versáteis, continuamos a morrer se bebermos cicuta, exactamente como morreu o Sócrates, vai para 24 séculos? Essa capacidade de produzirmos descendência mais competente do que nós a resistir àquilo que nos envenena e mata, essa capacidade que os vírus e bactérias parecem ter, nós não a temos, contra o que seria de esperar dos postulados do darwinismo. E de desejar, postulo eu!

É verdade que têm aparecido alguns seguidores de Darwin que já não acreditam tanto nele como anteriormente se acreditava. Pelo menos tentam dar umas pinceladas de alguma cor nova para retocar a sua velha história. Estou a lembrar-me de Dawkin e da sua famosa e rendosa encenação chamada o gene egoísta! Mas que grande ideia nova que ele trouxe à sociedade! Como os genes se transmitem de pais para filhos, ele coloriu esta história dizendo que eles são eternos e usam os nossos corpos como uma casa de habitação temporária: quando a casa se degrada e se desmorona eles já estão a viver numa casa mais nova. Por isso são egoístas: servem-se da casa para passar umas décadas, mas estão apenas interessados na sua própria sobrevivência. A acreditar em Dawkin, eles são, não diremos eternos, mas talvez perenes.

Será esta ideia assim tão luminosa? Como, segundo os físicos, os núcleos dos átomos ora ganham ora perdem alguns electrões que os gravitam, vamos passar a chamar-lhes núcleos egoístas: sobrevivem à custa da nuvem dos electrões mas estes passam e eles é que ficam! Ou talvez vice-versa: os electrões é que são egoístas: servem-se dos núcleos para gravitar à volta mas, se o núcleo se desintegrar, eles rapidamente encontram outro núcleo! Enfim, os próprios átomos também serão egoístas pois integram moléculas mas sobrevivem à destruição destas; apenas se servem delas enquanto lhes apetece, depois arranjam outras onde se instalarem.

Quando penso nas considerações que acabo aqui de tecer, sou incapaz de decidir quem serão os mais ingénuos: Os que levam à letra o texto do Génesis? Ou os que levam à letra Darwin e os seus continuadores?

Já não falo dos milénios desde que se escreveu a Bíblia, mas do século e meio desde que Darwin lançou o seu manifesto. Século e meio durante o qual a Santíssima Inquisição já se tinha tornado inofensiva de modo que ninguém precisa de temer acabar na fogueira por apresentar ideias que não se inspirem no Génesis. Século e meio ao fim do qual nenhuma Darwiníssima Inquisição -- das que continuam a investir na intoxicação da opinião pública em geral e da juventude escolar em particular -- pode reivindicar o direito de queimar na fogueira os hereges como eu. Sendo estas Inquisições hoje inofensivas, naturalmente me questiono: -- É só por não haver coragem, ou porque a ninguém ocorre uma alternativa melhor, que ainda não se avançou com uma teoria mais credível, enfim, sem eufemismos, com uma teoria digna da nossa época, que explique a biodiversidade com menos fantasias ou fantasias menos delirantes?

Quando criança ouvi contar (e cantar!) a história da carochinha: bonita e arranjadinha, ela procurava um noivo para casar. Ao longo da vida, percebi que história da carochinha é expressão sinónima de descrição fantasiosa ou pelo menos fantasiada. E é desta metáfora que me socorro na presença de discussões entre criacionistas e evolucionistas seguidores de Darwin.

Tenho no entanto de reconhecer que os media estão agora a começar a anunciar, com grandes trombones e trompetas, que alguns génios da Biologia -- jovem prodígio, foi como recentemente o respeitado jornal on-line ‘’Ciência Hoje’’ chamou a Kevin Foster que será um deles --já descobriram finalmente que não é só a lei dos mais aptos que condiciona a evolução das espécies! Já não era sem tempo... mas, como diz o ignorado e ignorante povo iletrado português, antes tarde do que nunca! Creio que a frase é de Saramago e eu vou apropriar-me dela: Sou um pessimista cheio de esperança! Talvez isto seja o começo do caminho para enterrar de vez a teoria dos mais aptos.

© J. M. S. Simões Pereira, 15 Novembro 2008
(*) Este texto é extraído de um livro a publicar em breve "Convicções e Cepticismos"

terça-feira, 30 de setembro de 2008

ESMERALDA E O SEU PAI (BIOLÓGICO CLARO ESTÁ)

Hoje, 19 de Janeiro de 2009, estou a acrescentar algumas palavras à mensagem que afixei em fins de Setembro e cujo texto se pode ler em baixo.

O que eu quero acrescentar hoje é que me parece que o pai biológico vai poder finalmente ter a grande alegria de conviver com a sua filha.

O que é que eu espero para ser coerente com as minhas convicções? É que ele não se vingue dos pseudo-pais afectivos e não passe agora a ser ele a querer convencer a filha que eles eram os lobos maus.

Se o pai biológico não embarcar em tal comportamento de vingança, acho que a criança vai crescer sentindo-se feliz.

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Segue-se o meu cartaz de Setembro:

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É profundamente revoltante que se manobre uma criança para odiar o próprio pai. E isto é, a meu ver, o que têm feito os que até ao momento detêm a criança.

Pois que efeito têm eles pretendido, desde o tempo em que a mãe adoptiva andou fugida com a pobre criança (é que até é ofensivo usar-se esta palavra ... mãe... mesmo adoptiva, para aquela senhora)

Uma criança deve ser ensinada a ter medo dos criminosos, isso está certo, mas o pai biológico não me parece que tenha o que quer que seja de criminoso.

O facto de uma criança amar os pais, biológicos ou adoptivos, com quem vive, não a impede de amar os tios, os avós, os padrinhos, os primos... e de os visitar e conviver com eles.

A vergonhosa manipulação que os pseudo-pais adoptivos fazem na pobre Esmeralda, apresentando-lhe o pai biológico como se ele fosse o lobo mau da história do capuchinho vermelho, é do mais revoltante que há. Ante a passividade de um sistema e de uns técnicos que não devem saber o que são sentimentos humanos de amor, tolerância, partilha... e por isso são cúmplices nessa situação monstruosa.

Se, apesar de tudo, essa criança conseguir chegar à idade de compreender a vida com as suas capacidades intelectuais intactas e com um espírito crítico suficientemente desnvolvido para não ser -- o que muita gente hoje infelizmente é -- um boneco manipulado pelas opiniões que lhe berram aos ouvidos, bom... não tenho dúvidas que vai sentir contra os pseudo-pais adoptivos uma tremendíssima revolta! Porque acredito numa frase que um dia, há largos anos, ouvi numa peça de teatro dramática. Não recordo o autor mas citarei a frase que tenho visto sempre confirmada:

"A vida faz sempre valer os seus direitos!"

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

VOCÊ AMA AS PESSOAS !

VOCÊ AMA AS PESSOAS. VEJO ISSO NOS SEUS OLHOS! (*)

E entretanto continuarão os cães a vir abocanhar-te, morder-te, estraçalhar pedaços do teu corpo cansado e da tua alma sofrida? E tu, resignado, conformado, sempre polido, a alimentá-los enquanto de ti restar o suficiente para te manteres de pé? Estarás certo?

Que Deus nos responda... [ … ] Mas Ele já o fez! Recorda as respostas, uma só que seja. Não lembras um dia, nas horas de ponta, ao cair da tarde, ao saíres do trabalho, parares junto a um jovem que tocava guitarra? Estação do metro, Rua 68 e Avenida Lexington, em Nova Iorque, numa das suas zonas elegantes! Olhaste para ele com a simpatia que olhavas sempre os que vias sozinhos entre as multidões, os que vias à margem, os que pareciam ser elos partidos da cadeia humana. E meditaste um pouco sobre os dramas ocultos naquelas melodias. Para começar conversa, para lhe fazer sentir que ele para ti era gente, perguntaste-lhe que música estava ele a tocar, e tiveste a certeza de que, assim como tu, ele carregava e escondia a sua própria tragédia. Diálogo tão breve, duraria um minuto? Mas uma desconhecida que observou a cena olhou-te bem nos olhos e disse então simplesmente: – “You love people! I see it in your eyes, that you love people!” Ainda a questionaste se ela era psicóloga... Que não, retorquiu-te... Na cidade com alma invisível em cujas ruas tantos milhões formigam, cruzaram-se dois, ou talvez fossem três, que tinham coração!

E inexoravelmente, quando esse ou algum momento semelhante evocas, continuas a querer ajudar os outros, a gostar das pessoas, a acreditar na natureza humana. É o teu destino, o teu fatalismo!

E partes com reforçada coragem para uma nova etapa, um novo dia, uma nova missão; a enfrentar mais um desafio, a arrostar com mais um rosário de amarguras, a tentar realizar mais um sonho. Porquê? Para quê? Com o testemunho do astronauta Titov te identificas, sentes como ele sentia e não esqueces o que ele disse: – “Gosto da vida! É pela vida que eu vou partir!”

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(*) Estas são as linhas finais do livro de Zé-Manel Polido: “Amor, Solidão e Fé”, Editora Luz da Vida (Rua Mário Pais, 16-0-A, 3000-268 Coimbra), Fevereiro 2004.

© Editora Luz da Vida, Lda.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

GOSTO DA VIDA! disse o cosmonauta Titov...

GOSTO DA VIDA! É PELA VIDA QUE VOU PARTIR! (*)

Inesquecível também uma outra lição vinda da Rússia, quando se iniciavam os voos espaciais tripulados.

O primeiro astronauta foi o russo Iuri Gagarine, que entrou para sempre na História ao dar uma volta à Terra em 108 minutos. A notícia colheu o Mundo de surpresa pois a viagem fora preparada no maior secretismo. O segundo, também russo, foi German Titov, que passou em órbita um dia inteiro e já foi autorizado a falar com jornalistas pouco antes da descolagem da nave. Pede-lhe um deles que resuma o que sente naquele instante. Os astronautas eram então “aves” muito raras, misto tão esquisito de atletas, heróis, engenheiros e suicidas que ninguém sabia o que pensavam, o que sonhavam, o que os movia.

Pois ele respondeu, directo e singelo, com uma síntese admirável do que faz ou deve fazer correr todos os cientistas, todos os pioneiros, todos os que, arrostando perigos da mais variada espécie, plenamente se entregam ao serviço do progresso e da Humanidade: – “Gosto da vida; é pela vida que vou partir!...”

Maravilhoso testemunho, quando li a reportagem não pude conter as lágrimas.

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(*) Extraído do livro de Zé-Manel Polido: “Amor, Solidão e Fé”, Editora Luz da Vida (Rua Mário Pais, 16-0-A, 3000-268 Coimbra), Fevereiro 2004.

© Editora Luz da Vida, Lda.

sábado, 13 de setembro de 2008

SÓ HOJE É QUE O MUNDO ESTÁ PERDIDO?

UMA PERGUNTA AOS PESSIMISTAS: SÓ HOJE É QUE O MUNDO ESTÁ MAL? (*)

Mas então não há coração no mundo? Nunca houve? Não vai haver?

Por toda a parte se vê efusão de sangue, homicídios, furtos, fraudes, corrupção, infidelidade, revolta, perjúrio…

Males do nosso tempo? A transcrição não é dos média de hoje… É um versículo da Bíblia, Livro da Sabedoria, capítulo 14, versículo 25

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(*) Extracto do livro de Zé-Manel Polido: “Amor, Solidão e Fé”, Editora Luz da Vida (Rua Mário Pais, 16-0-A, 3000-268 Coimbra), Fevereiro 2004.

© Editora Luz da Vida, Lda.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

AMAR O PRÓXIMO! MAS QUEM É O PRÓXIMO?

O AMOR AO PRÓXIMO E A HABITUAL MAS ERRADA INTERPRETAÇÃO DO TEXTO BÍBLICO (*)

Deus fez-me ver que o precioso e maravilhosamente lapidado diamante que eu pensava ser o amor dela era afinal um estilhaço de vidro velho. E assim me aliviou a dor de o ter perdido. [ … ]

– “Ajuda-me, ó Deus, a nunca mais o esquecer! E se eu reconheço o teu amor por mim, ajuda-me a corresponder-lhe. Há momentos da vida em que nos pedes firmeza, desassombro, assunção plena da nossa dignidade, criada à imagem da Tua. Em que não há lugar para branduras. É nisto que me reconheço culpado. É nesta linha de pensamento que, diante de Ti, o mais importante grito desta página é um pedido de perdão que Te venho fazer pelo bem que desacertadamente pratiquei e por ter amado tanta gente errada!

Reler o teu Evangelho ajudou-me a perceber quanto eu me enganei! Sim, está em Lucas, no capítulo 10, versículo 27: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” E depois vem a parábola do homem que caiu nas mãos dos salteadores e ficou jazendo na beira da estrada. A seguir, a pergunta frontal: “Dos três... (o sacerdote, o levita, o samaritano)... qual te parece ser o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?” E a resposta: “O que usou de misericórdia para com ele”. E Jesus aconselhou o seu interlocutor a “fazer do mesmo modo”. Tudo bem. Mas uma questão devia aflorar imediatamente ao nosso espírito: ─ Onde é que Cristo diz que “próximo” é sinónimo de “toda a gente”? Ele claramente perguntou qual dos três tinha sido o próximo do homem agredido; e não contestou a resposta que lhe foi dada, que foi aquele que o ajudou. Portanto, o sacerdote e o levita não o foram; nem, com muito mais razão, os salteadores. “Amarás o teu próximo!” não significa pois “Amarás toda a gente!”

O bom conselho de Jesus é que procedamos como o samaritano, que nos façamos próximos de quem de nós precisa. Mas àquele que por nós passa com indiferença, àquele que não usa de misericórdia para connosco, àquele que selvaticamente nos agride, a esses não nos exige que os amemos; pois nem diz para amarmos toda a gente – mas sim o próximo! – nem que o sacerdote, o levita e os salteadores foram, como o samaritano, igualmente próximos do homem agredido. É o que se lê, preto no branco, neste importante e tantas vezes citado capítulo dos Evangelhos!

Esta é para mim uma indicação clara que Deus não espera nem exige que retribuamos com amor a indiferença e, muito menos, a crueldade dos outros. Ao esquecermos este princípio, traímos a mensagem de Cristo. Falamos muito “no dar a outra face” e esquecemos o chicote com que Ele correu os vendilhões do templo ou a maldição que lançou à figueira pelo simples facto de ela não ter frutos. E com essa postura contribuímos para que a iniquidade continue.

Judeu que era – não o esqueçamos! – Cristo certamente terá lido esta afirmação que recordo ver citada do Talmude: “Quem é piedoso com os cruéis, acaba sendo cruel com os piedosos”. É por estes motivos que eu venho penitenciar-me. Por não ter interiorizado a parábola do samaritano e não ter conhecido o pensamento do Talmude, uma vez mais Te rogo, ó Deus:

– Perdoa-me! Não fui justo, não chicoteei os vendilhões, não amaldiçoei e fiz secar as figueiras que não me deram frutos!”

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(*) Estas linhas que questionam a totalmente ilógica mas sempre repetida interpretação que a Igreja Católica Romana dá à parábola do samaritano são extraídas do livro de Zé-Manel Polido: “Amor, Solidão e Fé”, Editora Luz da Vida (Rua Mário Pais, 16-0-A, 3000-268 Coimbra), Fevereiro 2004.
© Editora Luz da Vida, Lda.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

O QUE APRENDI COM OS CIGANOS

ORGULHAR-SE DE SOBREVIVER: SER IRMÃO DOS CIGANOS (*)



Aprendi o que é ser agredido por alguém a quem demos muito mais que tudo o que temos, alguém a quem demos o que somos, alguém a quem nos demos nós próprios. Mas aprender é valorizar-se, é tornar-se superior ao que se era. A experiência é a mestra da vida e quem a tem ganha a verdadeira sabedoria. Nunca me deprimiu ser agredido, nunca amuei nem sequer quando criança… E conheço tanta gente adulta que continua infantil sob este ponto de vista… Numa situação como tantas por que passei, que berreiro não fariam… Serenamente, rendo a minha homenagem aos irmãos ciganos que me ensinaram duas quadras, de autor desconhecido, retrato da vida deles e da minha. Cito de memória:


“Quanto mais tempo se passa
Mais queixas minh’alma tem,
Sempre a ser tão ofendida
Sem ofender a ninguém.”


E ainda:


“Quem aprendeu a viver
Como nós, vida tão dura,
Nem pode sorrir na glória
Nem chorar na desventura.”

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(*) Extraído do livro de Zé-Manel Polido: “Amor, Solidão e Fé”, Editora Luz da Vida (Rua Mário Pais, 16-0-A, 3000-268 Coimbra), Fevereiro 2004.
© Editora Luz da Vida, Lda.




(*) Extraído do livro de Zé-Manel Polido: “Amor, Solidão e Fé”, Editora Luz da Vida (Rua Mário Pais, 16-0-A, 3000-268 Coimbra), Fevereiro 2004.

© Editora Luz da Vida, Lda.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A CHÁRIA ISLÂMICA OU O PARASITISMO OCIDENTAL?

CHÁRIA ISLÂMICA E PARASITISMO DA DIVORCIADA OCIDENTAL (*)

Quero pois associar o meu grito ao teu, num apelo à consciência colectiva contra uma última discriminação das sociedades ditas ocidentais, discriminação essa em que nem políticos, nem líderes religiosos, nem fabricantes ou fazedores da opinião pública parecem reparar. As vítimas são os homens, eles próprios no seu orgulho idiota pouco propensos a assumirem-se como tal. Mas assim como ninguém defendia as mulheres enquanto elas, porque se envergonhavam de assumir ser vítimas de abusos sexuais ou violências domésticas, não apareceram na ribalta, assim ninguém reparará em nós, homens, enquanto tivermos vergonha de gritar na rua a nossa dor, de chorar em público as nossas mágoas, de ameaçar nos media todos os que, e principalmente todas as que, contínua, cínica, farisaica e estupidamente nos ferem.

Quero contigo desmascarar o parasitismo da divorciada e o negócio repugnante que é transformar os filhos em mercadoria, sequestrá-los e pedir por eles resgates com o apoio de legislações tão paranóicas como eram as do tempo da escravatura, da inquisição, do apartheid! Todas eram sagradas no seu tempo. Todos lhes deviam obediência e respeito. Mas aos olhos pretensamente civilizados com que hoje as vemos, eram a encarnação demoníaca do obscurantismo. Exactamente assim aparecerá, aos olhos das gerações futuras, o enquadramento jurídico que hoje o Ocidente dá às leis da guarda de crianças, nos casos cada vez mais frequentes de divórcio dos pais!

Preocupam-se muito alguns tartufos deste nosso dito Primeiro Mundo com a situação das mulheres nos países islâmicos, onde a “chária” as reduz a papéis secundários de subalternidade. Zelotes! Esquecem-se que têm nos seus países esta situação paralela em que os homens, e não as mulheres, são as vítimas indefesas, escorraçadas, espezinhadas, exploradas! Acredito nesta prosaica verdade, que muita gente finge esquecer, que é pela nossa casa, e não pela casa dos outros, que devemos começar a arrumação e a limpeza!

Veja-se este modelo de justiça: rouba-se um automóvel ao seu legítimo dono; ao gatuno será dado o direito de o conservar em seu poder, ao dono recusa-se o direito de o reaver e impõe-se-lhe ainda a obrigação de continuar a pagar o seguro, o imposto de circulação e as despesas com a manutenção e revisões mecânicas; enfim o ladrão concorda em pagar a gasolina e aceita que o antigo dono o utilize uma vez de quinze em quinze dias.

Que diríamos nós se a legislação das sociedades em que vivemos enquadrasse estas situações e as resolvesse da forma paradoxal acima descrita? Absurdo? Esta é a situação vivida por uma imensa maioria de pais divorciados, a quem subtraem arbitrariamente os filhos, mas que nem por isso são dispensados da obrigação de os manter, por vezes em ambientes artificialmente montados com luxos supérfluos, retendo apenas o direito de os verem de quinze em quinze dias. Seria exactamente a mesma situação que a apresentada acima, mas na verdade é ainda pior, pois que custa muito mais perder um filho que um automóvel, mesmo um topo de gama...

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(*) Extraído do livro de Zé-Manel Polido: “Amor, Solidão e Fé”, Editora Luz da Vida (Rua Mário Pais, 16-0-A, 3000-268 Coimbra), Fevereiro 2004.

© Editora Luz da Vida, Lda.