Uma palavra de homenagem à memória de um homem que merece o nosso respeito pela seriedade com que fez humor.
E o que acabo de escrever não é um trocadilho. É para recordar a capacidade que ele tinha de nos fazer rir sem usar o vernáculo obsceno que tantos usam para provocar a hilaridade. Em vez disso ele usava jogos de ideias e não simples jogos de palavras... ou de palavrões! E, nos idos tempos do Estado Novo, tinha a coragem de ironizar com as decisões do Governo de uma forma tão elegante e inteligente que nem a mais manhosa e satânica polícia política encontrou pretextos para o encarcerar.
Pessoalmente - e já que isto é o meu blogue - uma palavra a recordar que, durante o período da minha amargurada infância e adolescência, a ele devo, pelo seu bom humor, alguns momentos de alegria para não dizer de felicidade. Era com a recordação dessa alegria que por vezes cruzava com ele na rua onde recentemente ambos morávamos em Lisboa e que, há poucos anos, assisti na primeira fila a uma homenagem que lhe foi feita em Cascais.
Por tudo isto, obrigado, Raul Solnado!
Zé-Manel Polido
Figueira da Foz, 8 de Agosto de 2009
sábado, 8 de agosto de 2009
segunda-feira, 27 de julho de 2009
LANÇAMENTO NOVO LIVRO
Aos meus estudantes: Desejo-vos umas boas férias!
Entretanto anuncio-vos que o meu livro sobre grafos já aí está.
Saiu a 12 de Julho de 2009.
Mas ainda não está distribuído: só a livraria dos Arcos do Jardim (em Coimbra)
e a Havanesa e a Casa Rádio (na Figueira da Foz) é que o têm.
CAPA 
CONTRA CAPA
DE NOVO A CAPA DA FRENTE
Matemática Discreta: Grafos, Redes, Aplicaçoes (x+603 páginas)

Matemática Discreta: Grafos, Redes, Aplicaçoes (x+603 páginas)
A capa: realização de Rúbem Ismael Silva Dinis e concepção de Jacinta Luz Pereira pseudónimo de Luz Compasso
A ideia base da capa do livro anterior Matemática Discreta, Tópicos de Combinatória, também foi de Luz Compasso.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
PROFISSIONAIS DO ENSINO E PROFISSIONAIS QUE ENSINAM
PROFISSIONAIS DO ENSINO E PROFISSIONAIS QUE ENSINAM
Vou acrescentar mais uma página às muitas que se têm escrito sobre os problemas ou pseudo-problemas das chamadas Ciências da Educação.
A espiral de degradação em que se encontra o ensino pré-universitário afecta toda a sociedade e é sentida e vivenciada em primeira linha por aqueles cuja actividade os envolve nestes problemas.
Tenho para mim que uma das causas desta degradação é a dicotomia que menciono no título: há, nas escolas, profissionais do ensino, mas faltam profissionais que ensinam. Exemplificando com a minha especialidade científica: quem ensina Matemática nos níveis do básico ao secundário, tem de ter, por exigências do próprio sistema e frequentemente a contra-gosto, muito mais em comum com baby-sitters do que com matemáticos profissionais. E isto é tremendamente errado, porque por um lado eterniza a infância dos jovens em vez de os estimular a crescer e, por outro, estiola a capacidade dos docentes para viver - digamos, com generosidade, a metade - do seu campo de acção que será (ou deveria ser) a preparação como matemático, enquanto a outra metade seria a preparação como ensinante. E digo que sou generoso, porque acredito que a preparação como matemático devia tomar mais do que metade do seu esforço e da sua dedicação.
Curioso é que a vantagem do ponto de vista que defendo é tácita embora não abertamente reconhecida pela sociedade. Falando sem tabus: em que se baseia o prestígio da Universidade Católica Portuguesa? Essencialmente – e invoco, também mas não só, a minha própria experiência como aluno pós-graduado que fui desta universidade – no facto de a maioria dos seus docentes serem profissionais que ensinam, quer dizer, pessoas que têm a sua principal actividade fora do campus e ali vão dar aulas como actividade secundária. Transmitem assim aos seus alunos uma experiência de vida que é benéfica para eles, não só em si mesma como também porque lhes faculta desde logo contactos para o acesso ao mercado de trabalho quando receberem os seus diplomas. Disso resulta os seus graduados terem muito menos dificuldades em encontrar um primeiro emprego do que os de outras instituições de não menor qualidade. E o que é válido para esta escola é-o também, em larga medida, para várias faculdades da Universidade Técnica de Lisboa.
Ressalvo, para não me acusarem de ambíguo, um facto: em muitas outras universidades nacionais, a maioria dos que, legal e oficialmente e antes de tudo, são chamados professores, pois nelas trabalham em exclusividade, não se limitam a ensinar: são também profissionais que ensinam pois a sua actividade de investigação, divulgação, organização e serviço à comunidade extra-universitária vai muito para além do simples acompanhar dos seus próprios estudantes.
Relativamente aos docentes do ensino pré-universitário, devem estes, a meu ver, em especial os do secundário, ser estimulados a crescer no conhecimento e manuseamento das áreas da sua docência porque acredito que quem sabe fazer sabe ensinar e por vezes desconfio que têm razão os que ironizam com o provérbio “quem sabe, faz, quem não faz - ou é quem não sabe? - ensina!”
E estes que ensinam mas não fazem, lá se vão escudando no conhecido, gasto e ridículo argumento, tão querido aos gurus da Psicologia e das Ciências da Educação, que, mesmo quem não sabe fazer nada, se for cientista da educação sabe garantidamente ensinar!
Mas ensinar o quê? É a pergunta que nós outros, que não somos gurus nem sequer cientistas da educação, lançamos… para ficarmos sem resposta.
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