domingo, 30 de agosto de 2009

AMOR EXPLORADO

Reproduzo as três últimas estrofes do poema AMOR EXPLORADO com o qual encerro o livro com o mesmo título:
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Eu aprendi na vida esta lição:
O amor que dei…
à família, em primeiro,
e a outros… já nem sei…
e a amizade que a tantos consagrei…
– Foi tudo em vão!
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Amor explorado, andaram-mo a roubar,
não deram nada em troca, nada, não!
Ficou-me o vácuo, melhor dizendo, um vórtice,
sorvendo o que ainda possa em mim restar.
Voragem que me suga… é mais que um vórtice,
é uma vertigem louca de agressão!
Que objectivo há nela? Certamente,
a minha mais total destruição…
+

Amor explorado, dei-o erradamente…
Talvez Deus me tivesse aconselhado
se eu cada vez tivesse perguntado:
– “Posso dá-lo, ó Deus, a este irmão?”
O amor é Seu dom, se o desperdiço,
nada produz. Eu fi-lo, e é por isso,
por tê-lo dado a tanta gente errada,
que hoje te peço, ó Deus, o Teu perdão.

ZÉ LOPES & FILHOS, LDA.

ZÉ LOPES & FILHOS, LDA.

Zé Lopes e filhos
Vírgula, limitada…
É nome de firma
É nome de empresa.
Quem és tu, Zé Lopes?
Será que imaginas
Que esse teu “& Filhos”
Me aviva a tristeza?

Também eu gostava
De ver os meus filhos
Trabalhar comigo.
Era um sonho antigo
Que já se apagou.
Quantos pais o têm?
Quero acreditar
São tantos que ainda
Ninguém os contou…

Zé Lopes, Zé Lopes,
Que sorte que ele tem!
Saberá o Zé Lopes
Quantos pais gostavam
De ter os seus filhos
Ao pé deles também?

São tantos que ainda
Ninguém os contou…

E nesse número eu estou!

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Um dos mais ingénuos entre os poeminhas do meu livro AMOR EXPLORADO (Editora Luz da Vida, Lda., Rua Mário Pais, 16-0-A, 3000-268 Coimbra)

sábado, 29 de agosto de 2009

ANOS A FIO

ANOS A FIO...

E agora, queridos filhos, meditai
nesta simples confissão do vosso pai:

- Anos a fio…
Foi preciso optimismo para crer
no vosso amor…
mas eu acreditei!

Anos a fio…
Foi preciso ser louco para sonhar...
mas eu sonhei!

Anos a fio, sim, anos a fio,
até chegar o dia de acordar…
E nesse dia, olhai, o que encontrei?

Um túnel negro e estéril de desprezo,
vazio…
muito vazio…
todo vazio…

Um mundo feito ausências e distâncias,
silêncio e desinteresse…
um mundo frio…

Maldito ele fosse,
se em maldições eu cresse!
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Mais um poema do meu livro AMOR EXPLORADO (Editora Luz da Vida, Lda. Rua Mário Pais, 16-0-A, 3000-268 Coimbra)