terça-feira, 8 de setembro de 2009

À MINHA MÃE

RANCOR

Como pode volver-se em tanto ódio
o que era, naturalmente, um grande amor?
Como pode fulminar-se quem nos ama
com uma explosão imensa de rancor?

Como se anula um amor num instante apenas
quando ele, década a década, se afirmou?
Onde nasce uma tal força destrutiva
que assim arrasa o que o tempo edificou?

Como se desmorona, se desfaz
um amor em que sempre confiámos?
Porque nos repudia aquela, a única,
que toda a nossa vida idolatrámos?

Sei lá!... Não sei!...
Quem é que sabe
num labirinto destes penetrar?
Quem poderia o porquê de tudo isto,
claro e sem lacunas, explicar?
Sabemos tão pouco…
Deus, talvez, o pudesse, se quisesse, desvendar…

2003-05-31

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Poema extraído do meu livro AMOR EXPLORADO

domingo, 6 de setembro de 2009

À MINHA MÃE

TORRENTES DE AMOR

Tantos rios de carinho que te dei!
Com dilúvios de amor eu te inundei!
Dos mais variados perigos te guardei,
pois eras frágil... ou eu assim pensei...

Falsa visão! Como é que a arquitectei?
Que eras tão frágil, fui eu que imaginei.
Em ti tudo era oposto ao que sonhei
e só agora vi que me enganei.

Tarde demais! E tu aproveitaste!
Minha entrega total sempre aceitaste,
esta devoção louca exploraste
e com um nada vazio me compensaste.

Loucura de arlequim… um sopro o verga…

E eu me vergava ao medo que sofrêssemos...
Temia tanto, tanto, que partisses...
Mas então não sofri?... Esta surpresa...
Como podia esperar que assim me ferisses?

Alguém me veio agora perguntar
“se tudo repetiria ingenuamente,
caso o tempo pudesse andar para trás...”

Respondi que sim. Pois, ainda hoje,
tudo te perdoo e, como um crente,
peço a Deus que “descanses em paz”...

2003-05-01
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Poema extraído do meu livro AMOR EXPLORADO

domingo, 30 de agosto de 2009

AMOR EXPLORADO

Reproduzo as três últimas estrofes do poema AMOR EXPLORADO com o qual encerro o livro com o mesmo título:
........................................
+
Eu aprendi na vida esta lição:
O amor que dei…
à família, em primeiro,
e a outros… já nem sei…
e a amizade que a tantos consagrei…
– Foi tudo em vão!
+
Amor explorado, andaram-mo a roubar,
não deram nada em troca, nada, não!
Ficou-me o vácuo, melhor dizendo, um vórtice,
sorvendo o que ainda possa em mim restar.
Voragem que me suga… é mais que um vórtice,
é uma vertigem louca de agressão!
Que objectivo há nela? Certamente,
a minha mais total destruição…
+

Amor explorado, dei-o erradamente…
Talvez Deus me tivesse aconselhado
se eu cada vez tivesse perguntado:
– “Posso dá-lo, ó Deus, a este irmão?”
O amor é Seu dom, se o desperdiço,
nada produz. Eu fi-lo, e é por isso,
por tê-lo dado a tanta gente errada,
que hoje te peço, ó Deus, o Teu perdão.

 

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