sábado, 30 de janeiro de 2010

POLIGAMIA E INCESTO: SER OU NÂO SER LIBERAL

Hoje, 14 de Fevereiro de 2010, estou a acrescentar uma nota que julgo significativa ao cartaz que aqui afixei em 30 de Janeiro passado. É que a nossa sociedade, por mais que diga o contrário, continua cheia de tabus: o texto que divulgo abaixo foi enviado a várias publicações nacionais nas secções de Fala o Leitor e quejandas. Alguém se atreveu a publicã-lo? Oh! Oh! Foi como se eu estivesse a apelar a colaboradores para alguma acção terrorista!
Leia o meu amigo o que eu escrevi e julgue por si:

Na onda de liberalização das opções sexuais livremente consentidas entre pessoas adultas, ocorre-me perguntar o motivo pelo qual ainda se não iniciou a discussão da possível legalização da poligamia e do incesto.

Reproduzo um pequeno texto que escrevi há dias:

POLIGAMIA E INCESTO: LEGALIZAR OU NÃO?

Pessoalmente só tenho contra o casamento de homossexuais o nome que se lhe dá. Penso que degrada e ridiculariza o contrato que livremente estabelecem e que, tendo obviamente um enquadramento distinto do casamento tradicional, deveria também ter um nome diferente. Estranho porém não se aproveitar este momento de viragem na instituição chamada família para liberalizar e/ou legalizar outras situações muito mais frequentes e que continuam proibidas e por discutir.

Primeiro exemplo: a poligamia. A proibição de um homem ter várias esposas ou uma mulher ter vários maridos tem causado e continua a causar sofrimentos, tragédias e crimes. É uma fonte de stress para todos os envolvidos. E para quê? Quantos homens e quantas mulheres têm relações fora do casamento e não deixam de ser amorosos e atentos tanto para os cônjuges como para os amantes? Sem esquecer as festas em que casais se reúnem para trocar de parceiro sem que daí advenham más consequências. Também ao discutir a adopção por casais homossexuais, lembremos as crianças nascidas de relações poligâmicas; embora os anticoncepcionais tenham atenuado o problema, ele ainda existe e ninguém gosta de ser filho ilegítimo (bastardo era a palavra ainda pior que felizmente caiu em desuso). A legalização da poligamia porá fim a estes dramas. Na verdade há países onde a poligamia é legal e são modelares como sociedades pacíficas e de reduzidíssima violência: conheço bem o caso da Suazilândia.

Segundo exemplo: o que hoje se chama incesto. Por que não permiti-lo e legalizá-lo? Aqui argumenta-se com riscos genéticos para os descendentes desses casais. Existem de facto? No Antigo Egipto o incesto era usual e não parece que tenha levado à degradação da espécie ou à queda dessa civilização que foi a mais duradoura da História conhecida. Será outra discussão que as sociedades ditas ocidentais deverão encetar para abrir caminho a uma revolução no conceito de família em que a união legal de homossexuais é apenas um tímido começo.

Zé-Manel Polido
(Coimbra)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

SALAZAR DITADOR? JÁ NÃO SEI SE É VERDADE

VOLTA, SALAZAR: ELES VÃO ENSINAR-TE A PROIBIR LIVROS SEM SERES DITADOR!

Salazar afinal não era assim tão diferente como alguns o querem pintar...

Havia censura... é verdade... mas agora todos descobrimos que continua a haver!

O livro de Gonçalo Amaral sobre o desaparecimento da menina inglesa no Algarve, a Maddie, acaba de ser proibido! À boa maneira salazarista, sem tirar nem pôr! Fizeram-lhe o mesmo que os chefes do Islão fizeram ao livro Versículos Satânicos do Rushdie. Nunca, mas nunca, eu imaginaria - e como eu milhões de portugueses - que tal pudesse suceder numa democracia! Quem vende a ideia que somos uma democracia, ao contrário do que éramos no tempo do Salazar, porque agora há liberdade de expressão... bom, no mínimo não diz a verdade!

E não desviem as atenções desta proibição com a historieta da Moura Guedes e das suas investigações sobre as leviandades deste ou daquele responsável político. Porque mais importante que os patrões de uma estação de rádio ou TV despedirem um jornalista... é a Lei de um Estado de Direito democrático permitir que um tribunal proíba um livro.

E não critiquem mais o Irão, ou outros países onde se proibem livros... ou a Inquisição que também criou um INDEX de livros que os católicos não podiam ler! Não os critiquem e não critiquem especialmente o Estado Novo!

Ou então concordemos que foi a Justiça que matou a Democracia!

E depois admiram-se que o povo considere Salazar um grande português... Pelo menos, não era hipócrita...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

À MINHA MÃE

RANCOR

Como pode volver-se em tanto ódio
o que era, naturalmente, um grande amor?
Como pode fulminar-se quem nos ama
com uma explosão imensa de rancor?

Como se anula um amor num instante apenas
quando ele, década a década, se afirmou?
Onde nasce uma tal força destrutiva
que assim arrasa o que o tempo edificou?

Como se desmorona, se desfaz
um amor em que sempre confiámos?
Porque nos repudia aquela, a única,
que toda a nossa vida idolatrámos?

Sei lá!... Não sei!...
Quem é que sabe
num labirinto destes penetrar?
Quem poderia o porquê de tudo isto,
claro e sem lacunas, explicar?
Sabemos tão pouco…
Deus, talvez, o pudesse, se quisesse, desvendar…

2003-05-31

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Poema extraído do meu livro AMOR EXPLORADO

 

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