Aqueles que leram o meu livro com este título "AMOR, SOLIDÃO E FÉ" e que eu assinei com o pseudónimo Zé-Manel Polido certamente reconhecem que eu nada tenho contra o amor de mãe. Certamente que o respeito, quando ele existe. O que eu pretendo dar a conhecer com este meu livro é que por vezes ele não existe. E quando assim é, o sofrimento do filho é indescritível!
E por hoje mais não digo...
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terça-feira, 16 de novembro de 2010
Amor, Solidão e Fé
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
20 VALORES? 200 DÉCIMOS?
NOTAS DE EXAME: DE 0 A 20, DE 0 A 200?
Um vestígio de tempos passados que a escola portuguesa (universidade incluída) teima em conservar: a escala dos 20 valores para classificar os alunos. De 20 e até de 200... pois não é verdade que entrar ou não em Medicina pode depender de um décimo de valor no final do ensino secundário? Conheci quem entrou com 187 décimos e quem não entrou pois teve apenas 186… Paranóico!
Ora décadas atrás, nos longos anos em que ensinei nos EUA e nos menos longos em que estagiei na Alemanha, já os estudantes destes países - ditos desenvolvidos - eram classificados em 4 níveis apenas: muito bom, bom, suficiente e mau. Por vezes distinguia-se um nível de excelente.
E mesmo em Portugal, sem ser no ensino, quem é que, como avaliador da qualidade ou desempenho, usa escalas de 0 a 20?
A começar pelos docentes de escolas e de universidades que agora também são avaliados em 4 ou 5 níveis distintos.
De facto, a sociedade civil é assim que julga. Acaso há hotéis de 20, 19, 18… estrelas? Quantos níveis usa o Guia Michelin dos restaurantes?
Apelo à substituição da velha escala. Tenho encontrado alunos excepcionais, muito bons, bons e satisfatórios; e, claro, outros que não satisfazem. Ter de distinguir um 18 de um 19, um 14 de um 15, um 11 de um 12… é um claro exemplo de perda de tempo e da tão falada falta de produtividade portuguesa!
quinta-feira, 22 de julho de 2010
TRATADOS, LIVROS, SEBENTAS, FOLHINHAS
SEBENTAS?
A velha tradição académica coimbrã cunhou a palavra “Sebenta”. Eram folhas de apontamentos, dactilografadas, muitas vezes brochadas a imitar um livro, que procuravam reproduzir o que um professor dava nas aulas. Num tempo em que não havia fotocopiadoras para piratear edições, as sebentas sempre saíam mais baratas que as alternativas então usadas: os chamados “Tratados” – “les Traités”, quase todos de autores franceses, que eram verdadeiras enciclopédias sobre as áreas científicas que cobriam e que incluíam, quase sempre, resultados originais dos seus autores.
Entretanto o enciclopedismo morreu e agora já não há tratados; o que há são “Monografias”. Os maiores cientistas, os grandes sábios, já não escrevem tratados mas sim, em vez deles, monografias, em cada uma das quais se ocupam – com profundidade e cuidado, não o neguemos! – de um e apenas um tópico pelo qual se interessam ou interessaram.
Quanto à palavra “sebenta”, caiu em desuso. Foi substituída pela expressão, mais aristocrática, “texto de apoio”. E passou a ser frequente ser o próprio professor a redigi-lo e a afixá-lo na Internet.
Só que, por cada asneira que nos escapa quando revemos o texto de um livro a publicar em suporte de papel, há vinte que nos escapam – sem a mínima dor de consciência – quando revemos umas folhas de apoio que vamos disponibilizar na Internet. E porquê?
Porque no papel a asneira fica lá, a testemunhar a nossa incúria… ou falta de sabedoria. Na Internet apaga-se com um clique e, “não se encontrando o cadáver, é mais difícil provar que houve crime!”
Por tudo isto dou razão a um amigo que compara a sebenta – ou os textos de apoio – a um barquinho salva-vidas; e um livro – digno desse nome! – a um luxuoso navio de cruzeiro ou pelo menos a um iate privado de um qualquer multibilionário.
Porque o mercado em Portugal é pequeno e ser ou não “digno desse nome” é um qualificativo difícil de atribuir, sem contestação, a qualquer livro técnico, poucos se aventuram ao trabalho de escrever um. Até porque a escrita de uma obra dessas, que noutras épocas era a consagração de um mestre, hoje pouco pesa na avaliação da qualidade do desempenho da carreira docente universitária. Contam mais os artigos de investigação, mesmo os de poucas páginas – que sem dúvida merecem apreço, pois é com eles que a Ciência avança!
Em todo o caso não se justifica a escandalosa desvalorização do tratado que tem, a meu ver, uma dupla explicação: em primeiro lugar, para quê existirem se ninguém tem coragem de os ler? Em segundo lugar é melhor não falar neles para não termos de assumir a nossa incapacidade de os escrever!

