Só algumas poucas palavras para dar as boas vindas aos meus alunos de Física e Engenharia Física, inscritos nas aulas de Álgebra Linear e Geometria Analítica.
Desejo que o semestre vos agrade nesta e nas outras disciplinas do vosso curso e que esta nova experiência vos ajude a crescer: a universidade é diferente da escola secundária; se isto ainda não for óbvio para vós então alguém falhou: ou nós vos infantilizamos ou vós ainda continuais a reagir infantilmente...
E se em algum momento vos sentirdes deprimidos, recordai-vos do conselho de Philander Johnson que, com uma grande dose de humor negro, costumava dizer: ''Cheer up! The worst is yet to come!''... o que em tradução livre dará ''Animem-se, animem-se!... Porque o pior ainda está para vir!''
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Boas vindas aos meus alunos
terça-feira, 5 de julho de 2011
Maria dos Anjos da Fonseca Saraiva
A notícia recente do teu falecimento chocou-me. Quando nos conhecemos éramos jovens. Embora o tempo passe, julgamos que não envelhecemos e a morte – sobretudo a dos amigos porque na nossa pensamos às vezes – nunca nos parece provável.
Quero pois prestar-te uma pequena homenagem. Por um motivo, que deve parecer surpreendente.
Lembras-te por certo que no ano em que trabalhaste comigo – já lá vão mais de quatro décadas – primeiro gostaste de o fazer mas depois, subitamente, deixaste de gostar. Compreendeste que o trabalho que eu tinha combinado contigo e os outros membros da nossa equipa se tornara demasiado duro.
Como jovem professor, eu queria apoiar e efectivamente apoiava tanto os alunos que começaram a transferir-se às centenas, vindos das universidades de Lisboa e Porto, para a nossa faculdade.
Chegámos a ter 1400 inscritos na cadeira que eu regia de Cálculo Infinitesimal. Não havia ainda 'numerus clausus' e as transferências eram automáticas porque as três licenciaturas em Matemática existentes no País (Lisboa, Porto e Coimbra) tinham o mesmo elenco de disciplinas.
Dar a 1400 alunos 4 ou 5 frequências no ano (o Cálculo Infinitesimal era anual), prepará-las, dactilografá-las, fazer as vigilâncias, corrigi-las e classificá-las para os podermos dispensar selectivamente no exame final de responderem a matérias nas quais já tinham revelado conhecimentos satisfatórios… era realmente um trabalho gigantesco, sobretudo após o aumento inesperado do número de alunos que frequentavam.
Voltaste-te então contra mim e influenciaste metade da equipa: eram seis pessoas ao todo que comigo trabalhavam.
Senti-me magoado. Houve no fim desse ano uma minicrise académica e até os alunos, absurda e paradoxalmente, conseguiste manipular: lembro-me de um deles me dizer que era injusto dispensar alguns e obrigar outros a fazer exame!
Ainda por cima, tu eras vista como uma pessoa favorável à situação política do Estado Novo, o que levou alguns professores, entre os quais um grande amigo meu, a não te condenarem a ti, mas sim a mim. Querendo apoiar tanto os alunos, que na sua maioria seriam revolucionários esquerdistas, tudo me classificava como um dos deles… pelo menos aos olhos de alguns ultra-conservadores. E atingir uma percentagem de aprovações que não era de modo algum habitual tornava-me extraordinariamente suspeito, alvo mesmo de alguma inveja dos colegas. Era olhado como um professor quase mediático - antes do advento do mediatismo - e a situação chegou a ser um autêntico inferno para mim!
Tinha eu 26 anos. Mas tudo isso me levou a tomar uma decisão que a vida me veio a revelar ser acertada. E fiquei a devê-lo a ti, sem que tu jamais te tenhas apercebido disso. Portanto, hoje, mais de quatro décadas depois, registo o meu agradecimento em face desta verdade que ao tempo, por tua causa, aprendi:
- Que nunca devemos ser demasiadamente generosos!
domingo, 20 de março de 2011
AUTÓGRAFOS
SOU ESTE?


Fora desses mundos também há os escritores, principalmente os poetas. Mas será que só os poetas dão autógrafos?
Pois a verdade é que pedir autógrafos a autores de livros técnicos entrou na moda.
Pelo menos, os meus alunos na Universidade de Coimbra têm-me pedido para autografar o meu livro MATEMÁTICA DISCRETA:TÓPICOS DE COMBINATÓRIA.
Fico sensibilizado!
Desejo que leiam o resto do livro com a mesma atenção que as palavras que lhes deixo autografadas na primeira página.


