sexta-feira, 19 de outubro de 2012

FERNANDO PINTO COELHO

Agora um professor de Química que admirei durante a minha licenciatura em Matemática em Coimbra de outubro de 1958 a julho de 1962:

FERNANDO PINTO COELHO

Fernando Pinto Coelho foi meu professor numa cadeira anual do primeiro ano que se chamava Química Geral. Menciono-o, embora ele não fosse matemático, porque a sua personalidade me cativou. Era um pedagogo notável. As suas aulas tentavam despertar o interesse a estudantes que não eram futuros profissionais de Química. Por mim, nem sequer gostava de Química, mas reconheço que Pinto Coelho tentava -- e conseguia! -- despertar o meu interesse por muitos dos assuntos que faziam parte do programa da cadeira.


Mesmo assim, estudei muito pouco. Aprovou-me com uma classificação muito baixa (11 valores na escala de 0 a 20 em que 10 é o mínimo para aprovação), mas eu definitivamente não merecia mais. No fim do ano letivo, ele gostava de conversar rapidamente com cada estudante em particular: chamávamos-lhe o “confessionário”. A mim perguntou se eu não tinha gostado da parte dos átomos com as suas nuvens de eletrões, se isso não tinha um certo sabor matemático. Se bem me recordo, respondi-lhe que sim mas que, de facto, tinha dado prioridade às disciplinas de Matemática e por isso reconhecia que tinha estudado pouco da dele.


A julgar por opiniões de membros atuais do Departamento de Química (ver Sebastião J. Formosinho: Nos Bastidores da Ciência 20 anos depois, Edição da Imprensa da Universidade de Coimbra, 2007), Pinto Coelho foi um dinamizador das atividades de investigação em Química em Coimbra; obviamente, por mim, não posso dizer nada sobre o seu contributo nesta vertente.


Pinto Coelho tinha uma filha que era nessa altura aluna universitária. Com a esposa, ele costumava passar as férias de agosto na Figueira da Foz. Gostava de dar grandes passeios a pé, sozinho. Mas também gostava de se sentar a conversar com pessoas das suas relações e amizade.


Uns 10 ou mais anos depois de ter sido aluno dele, quando eu já tinha uns anos de trabalho profissional atrás de mim, também eu me encontrava com ele em férias e recordo-me de uma divertida conversa que tivemos aí por volta de 1968 ou 1969. Tinha sido inaugurada uma discoteca (talvez a primeira na Figueira da Foz) que se chamava Pessidónio: o nome prestava-se a gracejos pois havia quem pronunciasse Discoteca Possidónio. Mas ela ainda hoje, em 2012, existe e tem o mesmo nome! Eu tinha lá estado com um grupo de moças e moços, mas já todos tínhamos passado e bem passado a idade dos 20 anos. Como naquele tempo constava que toda a gente que frequentava discotecas ia para se drogar, ele perguntou-me como é que eu me sentia quando de lá saí. Como nem sequer álcool tinha bebido, respondi que me senti bem, como habitualmente. Ele e a esposa estavam sentados junto dos meus pais e de um outro casal e ele, para confirmar a minha resposta, virando-se para o meu pai e a minha mãe, perguntou-lhes se não tinham notado nada de estranho no meu comportamento…


Foi uma troca de impressões que sempre achei divertida e hoje recordo com um nadinha de saudade.

sábado, 13 de outubro de 2012

A CRISE, O DÓLAR E O EURO

A CRISE, O DÓLAR E O EURO

Há duas afirmações a respeito da crise que se sente em Portugal e noutros países europeus de cuja validade estou convencido:
1) A crise é provocada por aqueles que, caso o euro sobreviva, receiam a perda da influência e do poder do dólar a nível internacional;

2) A crise terminará imediatamente quando esses mesmos se convencerem que o euro vai sobreviver e, portanto, as suas maquinações são inúteis.
Não afirmo que seja o povo americano que quer destruir o euro; nem o Presidente Obama ou o candidato republicano, seu adversário na eleição que se aproxima. São os senhores do dólar, cujos nomes o grande público nem conhece, talvez os grandes grupos financeiros, ou Wall Street, ou os grandes bancos, talvez um Goldman Sachs de que fala o número de 11 a 17 de Outubro da revista Sábado.
Não se compreende que as agências que desacreditam as dívidas dos países europeus… sejam todas americanas! Porque não existe uma agência de rating europeia que analise a dívida soberana dos EUA? Ou uma sedeada nos países do euro que avalie a dívida soberana do Reino Unido?
Já vimos os senhores do dólar pretenderem que a China altere a paridade da sua moeda, o renmimbi. Esta tentação dos poderosos dos EUA de moldarem o Mundo à conta dos seus interesses, é óbvia. Já todos o sabemos, olhando as suas campanhas militares. Como intervenções militares na Europa seriam o cúmulo do absurdo, a alternativa que lhes resta é o ataque ao euro, procurando desfazer a união entre os países que o adotaram, acometendo em primeiro lugar, como é evidente, os que são mais fracos. Fator poderoso de união, a moeda única é um passo de enorme significado para a criação dos Estados Unidos da Europa, que urge concretizar.
No dia em que os senhores do dólar perceberem que o euro não morrerá, nesse mesmo dia a crise que hoje vivemos acabará. Nós, simples cidadãos a sofrer, na pele, as consequências do egocentrismo deles, só esperamos que os responsáveis europeus compreendam, tão bem como nós, essas manipulações, e avancem no único caminho que permitirá à Europa continuar o seu papel no Mundo: a união política e monetária com um enquadramento fiscal equitativo tão homogéneo quanto possível.
Termino com uma nota de otimismo: Quando a crise acabar, haverá um período de desenvolvimento e prosperidade, pois os senhores do dólar, vendo que não destruíram o euro, vão seguir o velho provérbio que diz “se não os podes vencer, junta-te a eles.”
Na Europa, não há muito mais tempo a perder!
2012-10-13
J. M. S. Simões-Pereira

MANUEL NETO MURTA

Recordando ainda um outro professor da minha licenciatura em Matemática, que frequentei, entre setembro de 1958 e julho de 1962, na Universidade de Coimbra: 


MANUEL NETO MURTA


Em contraste com Beda Neto, Manuel Esparteiro, Pereira Dias e Manuel dos Reis, Neto Murta estava ainda nos cinquenta e poucos anos de idade quando fui aluno dele. Era também um homem calmo e por vezes sorria, mas dava a impressão que gostava de tornar complicadas certas coisas simples, pelo prazer de valorizar a sua própria capacidade de as explicar. De qualquer modo, ficou ligado à minha carreira, pois foi quando aluno dele, em Cálculo das Probabilidades, que me indicou o primeiro livro que li de Matemática Discreta: uma obra de John Riordan, intitulada “Introduction to Combinatorial Analysis”. Matemática Discreta veio a ser o campo a que me dediquei nos meus tempos de investigador e esse livro acompanhou-me até hoje.
O professor Murta tinha feito o seu doutoramento com uma tese de Física Matemática. No 3.º ano, era ele que regia a cadeira com este nome e a matéria que ensinava estava em parte contida na sua tese. Por essa razão, a mim parecia-me aquele programa demasiadamente específico, embora não deixasse de ter interesse. Mas, como estudantes, nós gostaríamos de ter ouvido falar de temas que nesses tempos eram mais apaixonantes, como, por exemplo, a teoria da relatividade, que sabíamos ser lecionada em Lisboa.
Fosse como fosse, Neto Murta era um homem acessível, não distante como alguns outros; cheguei a conhecer a sua esposa, uma senhora muito simpática e dotada de grande simplicidade. Não tinham filhos, mas tinham sobrinhos. Creio que um deles é hoje um dos mais prestigiados médicos oftalmologistas de Coimbra.



 

Blogger news

Blogroll


Com tecnologia do Blogger.