A SPM E O SEU ANIVERSÁRIO
A S P M (Sociedade Portuguesa de Matemática) tem uma
história da qual se pode orgulhar. Até a sua origem a dignifica, pois foi
sonhada e, depois, criada por um grupo de colegas que além de matemáticos
distintos e merecidamente prestigiados, foram cidadãos corajosos: tiveram de
arrostar com perseguições da ditadura, em parte devidas à visibilidade que lhes
trazia uma intervenção cívica envolvendo o aparecimento de uma associação
profissional.
A 12 de dezembro do corrente ano de 2012, realizou-se um
almoço num hotel de Lisboa para comemorar os 72 anos da S P M. Inscrevi-me.
Esperava um encontro de confraternização entre matemáticos e até seus
familiares. De facto, uma colega fez-se acompanhar do seu bebé querido. E
comigo esteve a minha Mulher, cujas atividades, seja de empresária seja como a escritora
espiritualista Luz Compasso, pouco têm a ver com a Matemática.
Impressionou-me e gigantescamente me surpreendeu que não
participassem neste almoço mais que umas 30 pessoas!!! Além de alguns membros
(não todos) dos órgãos diretivos e de alguns apaixonados de outros tempos
(recordo Fernando Roldão Dias Agudo, Sérgio Macias Marques e, com todo o
respeito por estes dois nomes, eu próprio) quem mais? Quase todos os que
participaram residem em Lisboa. De qualquer outra cidade… ninguém! Das muitas
instituições deste nosso País, universidades, politécnicos, escolas dos
diversos níveis fora de Lisboa… ninguém!
Bem sei que estamos em crise! Mas o almoço só custava 18
euros. Mesmo com a terrível descida de vencimentos que nós, na esmagadora
maioria funcionários públicos, temos vindo a sofrer, não se justifica uma tão
grande ausência. Muito pouco sentem os matemáticos portugueses pela sua
Sociedade, muito pouco sentem, arrisco a dizer, pela própria Matemática.
Não posso impedir-me de pensar nos nossos colegas com
responsabilidades governativas. O Secretário de Estado do Ensino Superior é um
matemático.
Não poderia ter aparecido? Mesmo que não tivesse tempo para ficar
uns momentos à conversa, um simples
“passar por lá” não teria sido uma atitude de boa política? Não é –
sublinho e enfatizo -- ao colega João
Queiró, um profissional que admiro, respeito e prezo como professor, investigador
e autor de obras didáticas para o ensino universitário, que me estou a dirigir.
É ao Secretário de Estado do Ensino Superior! Podia até ser um médico, um
filólogo, um arquiteto, mas, por coincidência, é um matemático!
E quanto ao
Ministro da Educação e Ciência? Também é um matemático e, mais do que isso, foi
o anterior presidente da SPM, durante 6 anos. Compreendo que nem para “passar
por lá” tivesse tempo, mas não poderia ter encarregado alguém do seu
secretariado de mandar, em seu nome, uma pequena mensagem? Mais uma vez –
sublinho e enfatizo – não é ao colega Nuno Crato, um profissional que admiro,
respeito e prezo como autor de projeção internacional, um profissional
brilhante que tanto tem feito para a divulgação da Matemática, para a discussão
acerca da sua pedagogia e da sua importância, que me estou a dirigir. É ao
Ministro da Educação e Ciência. Podia até ser um médico, um filólogo, um
arquiteto, mas, por coincidência, é um matemático!
Que significado tem esta incomunicabilidade entre a SPM e um
Governo, que ao contrário do que existia quando ela nasceu, por certo percebe a
importância das sociedades científicas e o papel que podem ter em todas as
vertentes da vida dos portugueses, sem esquecer, obviamente, o desenvolvimento
económico e social?
Sem eufemismos, deixem-me exclamar: -- Pobre da Matemática
em Portugal!
E ao exclamá-lo não sei se não ouvirei um eco ou
reverberação: -- Pobre da Ciência em Portugal!




