Mário Sousa Santos deu aulas do que então se chamava Canto Coral no Liceu Normal D. João III, em Coimbra, hoje Escola Secundária José Falcão.
Foi professor, por exemplo, do cantor Mário Gomes Pais de quem se fala no site:
http://quartetoaeminium.com.sapo.pt/feedback51.htm
Neste video estamos a ouvir uma composição dele
Ave Maria interpretada pelo Coro Cantacellis no
1º Encontro de Música Coral da Póvoa De Varzim
Este
homem nada tem a ver com a Matemática.
Foi
músico. Compôs e interpretou peças para piano: na Igreja de Santa Cruz em
Coimbra, ouvi-o acompanhar celebrações litúrgicas com arranjos ou improvisações
inspiradas em peças célebres como, por exemplo, a Tristesse de Chopin; ensinou no então chamado Liceu D. João III,
também em Coimbra; e deu aulas particulares: foi assim que o conheci quando fui
seu aluno privado em solfejo, história da música, piano e harmonia. Brilhante
pedagogo, foi sob a sua orientação que me submeti e fui aprovado em exames a
estas disciplinas nos Conservatórios do Porto e de Lisboa.
Não
levei ao fim nem o curso de piano nem o de composição, porque entretanto o
primeiro emprego como programador de computadores no Centro de Cálculo
Científico do Instituto Gulbenkian de Ciência não me deixava muito tempo livre.
A paixão pela Música, no entanto, não se apagou; e seria injusto não referir
aqui a professora Isabel Gouveia (Pires), com quem, anteriormente, criança
ainda, já tinha tido as primeiras lições.
Sousa
Santos tinha uma personalidade que impressionava. Era discreto, simples, eu
diria mesmo humilde mas ao mesmo tempo muito sociável: quase um asceta, era
solteiro e julgo que nunca sequer teria tido namorada!
Quando
comecei a minha atividade profissional, publiquei um pequeno trabalho de
investigação, redigido em Inglês, [“On the maximum value of sums of products”, Gazeta de Matemática, vol.94-95, (1964),
pág. 1-3] cuja primeira versão portuguesa me tinha valido o Prémio F. Gomes
Teixeira de 1962. Este prémio era dado a trabalhos de Matemática da autoria de
jovens estudantes universitários. Quando foi publicado, acrescentei a dedicatória:
To Mr. Mário Sousa Santos, in
appreciation and affection. E ofereci-lhe uma separata.
Sousa
Santos respondeu-me com a carta que a seguir transcrevo, datada de 23 de
fevereiro de 1965:
Meu
caro José Manuel
Venho
agradecer-lhe muito sensibilizado a gentileza da sua oferta, fruto do seu nunca
desmentido afinco ao estudo e do inegável talento com que Deus o dotou.
Embora
não seja um trabalho da minha especialidade, confunde-me a sua lembrança, e
mais uma vez tenho a prova da sua amizade e dedicação.
Deus
queira que não tenha colocado a música, um bocadinho no esquecimento…
Não
é só fazendo sonatas que merece a pena “musicar!”
Aguardo
a 1.ª oportunidade para lhe falar, e de lhe dar um abraço amigo e de muito
reconhecimento.
Adeus
José Manuel – vai a expressão de toda a admiração e estima do seu velho
professor e amigo
M. Sousa Santos
A
este poster, redigido a 18 de maio de 2013, acrescento hoje, a 7 de julho de 2014, a seguinte nota:
No
Diário de Coimbra de 4 do corrente mês, fala-se de um recital na Casa da
Cultura César Oliveira, em Oliveira do Hospital, pelo jovem músico Tiago Nunes,
de Ervedal da Beira. E anuncia-se que, em parceria com a soprano Carla
Bernardino, foram convidados a gravar todas as obras para canto e piano de
Mário de Sousa Santos, as quais, até hoje, nunca foram editadas nem gravadas.