quinta-feira, 15 de maio de 2014

A CARREIRA DE UM CARREIRISTA


Eu tinha uns 22 anos e ele tinha uns 33. Ele ia doutorar-se e eu estava no meu primeiro emprego, num centro de cálculo, mas com gosto por acompanhar as atividades académicas. Por isso já tinha assistido a provas de doutoramento e fui assistir às dele.

Fiquei muito positivamente impressionado. O diálogo travado entre ele e os membros do júri teve uma elevação que eu não tinha ouvido nos doutoramentos a que anteriormente já tinha assistido. Foi um diálogo sério, sobre pontos significativos da tese do candidato; pareceu-me que foi uma conversa verdadeiramente científica.

Por isso, tendo ficado entusiasmado com o nível do que tinha visto, felicitei sinceramente o candidato no fim das provas: disse-lhe claramente que, na minha opinião, a conversa dele com o júri tinha sido de verdadeiros cientistas.

Espantoso é o que vim a saber mais tarde: o candidato interpretou o meu comentário como estando a fazer troça dele! Ele não acreditava em si próprio! Por isso reagiu assim… e embora eu, na verdade, tenha gostado da maneira como se comportou nas provas, ele, realmente, nunca veio a ser um cientista brilhante: nunca publicou livros didáticos, só umas notas de curso; e trabalhos de investigação seus, nunca apareceram em revistas internacionais e mesmo nas caseiras, além das dissertações requeridas pela carreira académica (doutoramento e concurso para professor extraordinário), só escreveu algumas poucas páginas.

Enfim, não esconderei que senti sempre a antipatia dele por mim, no seguimento das nossas vidas profissionais. Ele cultivou todavia habilmente uma imagem pública que o projetou como se ele fosse um académico de grande envergadura!!


Assim como os gatinhos negros do destino,
é com admiração e regozijo que observamos
tanto as grandes como as pequenas estrelas!  



sábado, 5 de outubro de 2013

Universidade em Newark - Delaware USA = EUA

Minha conferência no Delaware



Foi com prazer que fiz, no dia 10 de setembro de 2013, a intervenção inaugural no seminário de matemática discreta dirigido pelo professor Félix Lazebnik no Departamento de Ciências Matemáticas da Universidade do Delaware.

Falei sobre alguns temas que têm chamado a minha atenção nos últimos tempos e sugeri questões relacionadas com esses mesmos temas e que julgo não estarem ainda resolvidas.



A sala do seminário, a sala 336 do Ewing Hall, estava cheia (algumas vinte a trinta pessoas) e a assistência dialogou comigo no decorrer da apresentação e no fim dela, manifestando interesse e acompanhando perfeitamente o que eu ia dizendo. Os participantes eram essencialmente professores e doutorandos.



As fotos que se seguem foram tiradas pela minha Mulher Maria da Luz que também gosta de assistir.








sexta-feira, 14 de junho de 2013

Aristides Sousa Mendes versus Salazar

Convite à cidadania


Evento em Cabanas de Viriato
20 Junho 2013

O diplomata português que desobedeceu a Salazar e, quando cônsul em Bordéus em 1940, passou milhares de vistos a cidadãos fugidos à perseguição nazi, é um dos meus “heróis” preferidos.

Basta conhecer a história da sua vida e temos logo uma razão para repudiar a ditadura do Estado Novo!

Portugal deve fazer todo o possível para honrar a memória deste homem. Apesar da crise que estamos a atravessar, devia ser feito um esforço sério para recuperar a casa da sua família em Cabanas de Viriato e transformá-la em museu e/ou centro de interpretação do que foram aqueles anos de guerra na Europa e no Mundo.
É óbvio que não o conseguiremos só com o nosso esforço: mas os muitos descendentes de quem ele salvou, hoje espalhados por diversos países entre os quais os EUA, estão por certo dispostos a ajudar.
Prova disso é a existência da Sousa Mendes Foundation, constituída em 2010, com sede em Seattle, que acaba de organizar uma viagem a Cabanas de Viriato, este mês, no dia 20 de Junho de 2013, aliás com o apoio do município de Carregal do Sal e da sua congénere portuguesa, a Fundação Aristides de Sousa Mendes, constituída há mais tempo que a americana.

Pessoalmente vou associar-me a este evento.

Aproveito para fazer uma proposta que pode ser chocante para alguns. É a seguinte:
A uns vinte quilómetros de Cabanas de Viriato, fica Santa Comba Dão, terra natal de Salazar, o ditador que amaldiçoou Sousa Mendes e toda a sua família. Tal como Roma não destruiu nem as suas catacumbas nem o Coliseu onde tantos gladiadores e tantos cristãos foram mortos em espetáculos de horror e ódio, Santa Comba em nada se desprestigia por criar também uma instituição que seria um museu e/ou centro de interpretação do Estado Novo.

Que ninguém me entenda mal!
A existência de museus da Inquisição não significa que se aceita o papel que a mesma teve no seu tempo, antes pelo contrário, a mensagem a transmitir é aquela que o Japão inscreveu junto a Hiroxima, e que diz apenas:

- “Para que o Mundo não esqueça!”

Sousa Mendes, em Cabanas versus Salazar, em Santa Comba fariam uma só aparentemente estranha parceria num esforço para que não esqueçamos a História.
Dois locais a curta distância que os jovens poderiam visitar para crescerem em cidadania! Já para não falar no papel que tais instituições assumiriam para estimular o turismo na região.

Mais informações em:

http://www.fundacaoaristidesdesousamendes.com/

http://sousamendesfoundation.org/

 

 

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