segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

SER VELHO SIM, SER SENIL NÃO!



SOU VELHO SIM!

Quando se chega à idade que hoje tenho, subitamente verificamos que alguns dos nossos companheiros da juventude já não vivem. É que esta verificação é mesmo súbita, ou, pelo menos no meu caso, foi assim: de repente comecei a tomar consciência que um certo João já cá não está, um tal José Marques também não, o Albertino que ainda há poucas semanas tinha encontrado, afinal também já não o voltarei a encontrar, o Manuel, que até era um aluno apagado mas chegou à cátedra na sua especialidade na mesma universidade onde eu trabalhava; a dimensão da nossa universidade é suficientemente grande para nunca termos sabido um do outro; mas, quando o redescobri, pensei logo em visitá-lo… tarde demais, tinha falecido na semana anterior! E isto tudo entristece um pouco. Como poderei recordar os momentos bons ou até os menos bons, que vivemos juntos? Como, ou melhor dizendo, com quem? Pois com eles já não o posso fazer e há tantas coisas que só com cada um deles poderia reviver.

Onde poderei ir buscar algum consolo? Direi que no uso destas lições da vida, irei procurar outros amigos de longa data, que ainda cá estarão; e vou fazê-lo obviamente enquanto eu próprio também ainda cá estou…

Doentito como eu era, na infância e na adolescência, e por esse motivo sempre a pedir e a ser dispensado das aulas de educação física na escola que frequentava e a passar os intervalos entre aulas sem brincar para não transpirar e cair numa crise de bronquite asmática, e eles, desportistas e saudáveis, correndo nos recreios e exercitando-se no ginásio, quem havia de dizer que eu sobreviveria a tantos deles?

Por isso, embora reconhecendo que já não sou jovem, vou agradecendo a Deus (ou ao destino, como dirão os não crentes) a minha presença neste mundo; e sentindo-me feliz por isso, apesar dos problemas que a vida me traz, a mim, como aliás a toda a gente, qualquer que seja a nossa idade.

Coimbra, 23 de janeiro de 2017

J. M. S. Simões-Pereira





DEUS, A CIÊNCIA E A TECNOLOGIA (*)


A Ciência e a Tecnologia são produtos do trabalho humano cuja inteligência foi posta a funcionar por Deus; Ciência e Tecnologia podem pois ser vistas como uma dádiva de conhecimento que Deus nos oferece através do nosso trabalho.

Para explicar melhor este meu ponto de vista, imaginemo-nos no tempo anterior a Gutemberg, quando a sobrevivência da documentação escrita estava nas mãos dos monges copistas. Acompanhemos um deles, meditando no seu trabalho e orando, ao fim do dia, antes de ir repousar. Pensava que, se Deus o ajudasse, conseguiria copiar as 500 laudas do livro que tinha à sua frente, não em 5 meses, como era habitual, mas em 5 semanas! O que, obviamente para ele e todos os seus contemporâneos, só por milagre seria possível.

Nessa noite, num sonho, Deus ter-lhe-á respondido à sua oração. Disse-lhe que tal milagre haveria de ocorrer, mas não na vida dele; consolou-o fazendo-lhe sentir que, ao copiar os livros que continham o saber humano do seu tempo e ao torná-los úteis aos estudiosos que os iriam usar para conhecer e ampliar um pouco mais esse mesmo saber, ele estava a contribuir para que o milagre que pedia viesse a acontecer no futuro.

Sentiu-se tranquilo e feliz o dito copista, não só pelo simples facto de Deus lhe ter respondido, como por lhe ter garantido que o milagre se realizaria. E veio, na verdade, a realizar-se! Não durante a vida do monge, mas séculos depois. Hoje, para copiar um livro de 500 páginas, não precisamos de 5 semanas, nem 5 dias, nem 5 horas, nem 5 minutos. Bastam uns 5 segundos! Porque enquanto os anos rolaram, Deus ensinou-nos – ou permitiu que nós descobríssemos – como realizar um tal milagre! Presentemente, todos nós conseguimos repeti-lo com alguns toques simples no teclado dos nossos computadores.

Assim a Ciência é um exemplo claro da colaboração entre Deus e a Humanidade. Quando o Génesis (3:19) repete a palavra de Deus a Adão “comerás o pão que obterás com o suor do teu rosto”, a interpretação tradicional entende-a como um castigo. Já há, porém, quem não a entenda assim: vi há tempos, a 25 de janeiro de 2014, um texto do filósofo João Maria Mendes no seu blogue janusonline.pt/2008/2008_4_1_1.html.  Tal como ele, embora numa perspetiva algo diferente, eu não entendo o trabalho como um castigo, mas sim como uma honra que Deus concedeu aos humanos. “Ao trabalhares para obteres o teu pão, estarás a colaborar Comigo…” teria podido acrescentar, às palavras de Deus, o autor-relator do Génesis. Porque certamente, como faz com as aves dos céus, as quais, como sublinha Mateus (6:33-44), “não semeiam nem ceifam” e, no entanto, não lhes falta o sustento, também connosco Deus podia fazer o mesmo. Mas não o faz!

Colaborar com Ele é, pois, uma distinção que nos honra e dignifica. E fazer Ciência, aumentar o conhecimento humano, é sem dúvida um esforço, minúsculo, sim, à escala divina… mas existente e visível, à escala humana, de aproximação nossa à Sua omnisciência.

Coimbra, 15 de janeiro de 2017

J. M. S. Simões-Pereira


(*) Veja também o meu livro “Convicções e Ceticismos”, Editora Luz da Vida, Coimbra, 2014 (capítulo 21).




sexta-feira, 18 de novembro de 2016

JANELAS DE INVERNO

As janelas que não são consertadas fazem goteiras nas casas! 

Prezada Sra Dra.

Acredite que não esqueço o tempo em que a considerei – e então disse-lho várias vezes – como a irmã que eu não tive, pelo carinho e apoio que sempre deu à minha mãe durante vários anos da velhice dela, e também pela ajuda profissional que nos prestou.

Agora, recorda-se por certo que há tempos a procurei e conversei consigo, para lhe pedir uma intervenção junto dos meus filhos.
Ao falarmos dos casamentos deles, perguntou-me, mas eu não lhe soube responder, o que tinha eu oferecido ao meu filho mais velho no dia do casamento.
É um facto que não costumo registar num caderno de “deve e haver”, à moda dos antigos merceeiros, os presentes que ofereço, pois nunca fico à espera das retribuições que, através de presentes que dou, possa vir a receber. Por isso, em geral, esqueço o que ofereço!

Mas por acaso encontrei hoje um cartão em que a minha nora se mostra extremamente sensibilizada com aquilo que lhes ofereci quando se casaram; em anexo, seguem fotocópias das duas páginas que ela escreveu. Não preciso de comentar.

Outra dúvida que me exprimiu foi sobre a minha vontade de vender (ou não) as propriedades legadas pela minha mãe.

Ora é certo que, na reunião dos herdeiros se discutiu o que fazer com elas e todos concordámos em que seriam vendidas.

Da crise que todos conhecemos e do óbvio entorpecimento de Coimbra tem resultado que a procura é mínima.

Mas mesmo assim tive uma excelente proposta para a compra das ruínas do Lagar da Boiça que muitos me dizem não valer mais que 10 ou 12 mil euros;
só que a interessada, após quatro meses de espera, desistiu, pela recusa dos meus filhos em mandar procurações a quem os pudesse representar na escritura de venda.

Isto apesar da minha insistência e de eu lhes ter enviado uma minuta em língua portuguesa para uma tal procuração.

Anexo-lhe dois documentos que falam por si.
O mesmo já aconteceu com outro terreno em Ceira, e até com as expropriações para a auto-estrada A13.

Espero que tenha assim ficado sem dúvidas sobre o motivo pelo qual pedi a sua intervenção junto deles.

Obviamente, respeito a sua decisão de não o querer fazer!

Mas sei que compreende o motivo do meu pedido.

Aceite os meus cumprimentos!

J. M. S. Simões Pereira





CARTÃO DE AGRADECIMENTO DA MINHA NORA!