quinta-feira, 22 de junho de 2017

Sou uma Celebridade! Sou um famoso!

Este poster é dirigido a três pessoas que entram infinitas vezes neste blog e que me conhecem pessoalmente, mas que pretendem esconder a sua identidade.  


Orgulha-me imenso - a sério que me orgulho! - que certas pessoas que vivem em certas localidades um bocado até afastadotas de onde eu vivo entrem desesperadamente nos meus blogues.

Querem saber tudo sobre mim. Não se me dirigem habitualmente, não me dão notícias delas, mas seguem-me aqui.  

Muito bem! Sinto-me uma celebridade, um famoso: como acontece com as celebridades, há quem queira saber onde passei a tarde ou a manhã, onde tomei o pequeno-almoço e onde jantei, se andei de calças, de calções ou – quem sabe? – de cuecas...

Pobres pessoas que assim se diminuem!

Preocupam-se tanto comigo que a vida própria delas fica para trás: é claro que depois têm de se pendurar nos que trabalham!

Boa noite, boa tarde ou bom dia, conforme a hora no sítio onde está a ler-me!




terça-feira, 21 de março de 2017

CONCEIÇÃO MENDES CORREIA DE LEMOS

Já em vários momentos da minha vida mencionei pessoas que me deixaram saudades: a minha tia-avó Conceição Mendes Correia de Lemos, o meu Pai, José Simões Pereira Júnior, e a Maria da Assunção Ferreira que foi uma espécie de ama para mim.

Da minha tia recordo uma afirmação que fez, como se me dissesse um segredo: 

“Ó Zé Manel, Zé Manel, o fim da vida é muito triste!” 

Foi quase uma confidência. Falava como pessoa que tinha vivido momentos alegres, pois só quem viveu momentos felizes pode compará-los com outros que o não foram! 



Quando jovem, tinha tido amigas com quem se divertiu, é claro que dançou, ouviu música, passeou… Mas eu já sabia, quando ela me falou, que também tinha tido perdas na vida: sem filhos, com duas irmãs falecidas, uma com uns trinta outra com uns quarenta anos, viúva, o irmão emigrante no Brasil num tempo em que não havia telemóveis, skypesemails, nem sequer carreiras aéreas diárias, pois era de barco que se viajava… 


Enérgica, administrava as suas fazendas acompanhando os trabalhadores rurais que as cultivavam, levantando-se às seis da manhã para ir a pé visitá-las, algumas a um ou até dois quilómetros de casa.

Por essa altura, ela tinha uma consciência clara da sua idade. Um dia, viajou connosco até à Figueira da Foz. Quando íamos regressar a Coimbra de onde ela seguiria depois para a sua casa em Travanca de Lagos, lembro--me de a ouvir apelar à sua veia poética e dizer: 

“Adeus, mar, até à eternidade!” 

  

Não sei se foi então que esteve realmente pela última vez à beira-mar; talvez até nem fosse; mas acompanhei-a sentindo um pouco da sua nostalgia.

E quantas incompreensões de sobrinhos ela sofreu, ela que tinha sempre a porta aberta para receber todos os que a procurassem! 

Era em casa dela, em Travanca, concelho de Oliveira do Hospital, na Beira Alta, que eu e minha mãe passávamos o mês de setembro mais uns dias no Natal, todos os anos, e era ali, na Beira, que nos reuníamos com primos nossos e outros sobrinhos dela, mas quantas vezes essas reuniões degeneravam em mal-entendidos! Nunca isso a levou a evitar a presença de todos!

Minha querida Tia Conceição, que bem que eu hoje te compreendo! 

Obrigado pelo que me ensinaste da vida, com a confidência que acima recordo e outras frases que te ouvi dizer: 
com a tua tolerância, a tua paciência, a coragem de manteres a tua convicção nos valores da família, pois tinhas consciência que não há ninguém perfeito, a abertura ao diálogo, a capacidade de sofreres por esses valores em que acreditavas. 
E a par com tudo o mais, recordo a amizade e gratidão que tinhas pelo meu pai, outra pessoa que, como digo, me deixou profundas saudades. Médico que era, várias vezes te tratou e te aconselhou, com a prudência e a humanidade que sempre o orientavam.


Agora sou eu que digo: – Adeus, tia, até à eternidade! 


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

SER VELHO SIM, SER SENIL NÃO!



SOU VELHO SIM!

Quando se chega à idade que hoje tenho, subitamente verificamos que alguns dos nossos companheiros da juventude já não vivem. É que esta verificação é mesmo súbita, ou, pelo menos no meu caso, foi assim: de repente comecei a tomar consciência que um certo João já cá não está, um tal José Marques também não, o Albertino que ainda há poucas semanas tinha encontrado, afinal também já não o voltarei a encontrar, o Manuel, que até era um aluno apagado mas chegou à cátedra na sua especialidade na mesma universidade onde eu trabalhava; a dimensão da nossa universidade é suficientemente grande para nunca termos sabido um do outro; mas, quando o redescobri, pensei logo em visitá-lo… tarde demais, tinha falecido na semana anterior! E isto tudo entristece um pouco. Como poderei recordar os momentos bons ou até os menos bons, que vivemos juntos? Como, ou melhor dizendo, com quem? Pois com eles já não o posso fazer e há tantas coisas que só com cada um deles poderia reviver.

Onde poderei ir buscar algum consolo? Direi que no uso destas lições da vida, irei procurar outros amigos de longa data, que ainda cá estarão; e vou fazê-lo obviamente enquanto eu próprio também ainda cá estou…

Doentito como eu era, na infância e na adolescência, e por esse motivo sempre a pedir e a ser dispensado das aulas de educação física na escola que frequentava e a passar os intervalos entre aulas sem brincar para não transpirar e cair numa crise de bronquite asmática, e eles, desportistas e saudáveis, correndo nos recreios e exercitando-se no ginásio, quem havia de dizer que eu sobreviveria a tantos deles?

Por isso, embora reconhecendo que já não sou jovem, vou agradecendo a Deus (ou ao destino, como dirão os não crentes) a minha presença neste mundo; e sentindo-me feliz por isso, apesar dos problemas que a vida me traz, a mim, como aliás a toda a gente, qualquer que seja a nossa idade.

Coimbra, 23 de janeiro de 2017

J. M. S. Simões-Pereira





DEUS, A CIÊNCIA E A TECNOLOGIA (*)


A Ciência e a Tecnologia são produtos do trabalho humano cuja inteligência foi posta a funcionar por Deus; Ciência e Tecnologia podem pois ser vistas como uma dádiva de conhecimento que Deus nos oferece através do nosso trabalho.

Para explicar melhor este meu ponto de vista, imaginemo-nos no tempo anterior a Gutemberg, quando a sobrevivência da documentação escrita estava nas mãos dos monges copistas. Acompanhemos um deles, meditando no seu trabalho e orando, ao fim do dia, antes de ir repousar. Pensava que, se Deus o ajudasse, conseguiria copiar as 500 laudas do livro que tinha à sua frente, não em 5 meses, como era habitual, mas em 5 semanas! O que, obviamente para ele e todos os seus contemporâneos, só por milagre seria possível.

Nessa noite, num sonho, Deus ter-lhe-á respondido à sua oração. Disse-lhe que tal milagre haveria de ocorrer, mas não na vida dele; consolou-o fazendo-lhe sentir que, ao copiar os livros que continham o saber humano do seu tempo e ao torná-los úteis aos estudiosos que os iriam usar para conhecer e ampliar um pouco mais esse mesmo saber, ele estava a contribuir para que o milagre que pedia viesse a acontecer no futuro.

Sentiu-se tranquilo e feliz o dito copista, não só pelo simples facto de Deus lhe ter respondido, como por lhe ter garantido que o milagre se realizaria. E veio, na verdade, a realizar-se! Não durante a vida do monge, mas séculos depois. Hoje, para copiar um livro de 500 páginas, não precisamos de 5 semanas, nem 5 dias, nem 5 horas, nem 5 minutos. Bastam uns 5 segundos! Porque enquanto os anos rolaram, Deus ensinou-nos – ou permitiu que nós descobríssemos – como realizar um tal milagre! Presentemente, todos nós conseguimos repeti-lo com alguns toques simples no teclado dos nossos computadores.

Assim a Ciência é um exemplo claro da colaboração entre Deus e a Humanidade. Quando o Génesis (3:19) repete a palavra de Deus a Adão “comerás o pão que obterás com o suor do teu rosto”, a interpretação tradicional entende-a como um castigo. Já há, porém, quem não a entenda assim: vi há tempos, a 25 de janeiro de 2014, um texto do filósofo João Maria Mendes no seu blogue janusonline.pt/2008/2008_4_1_1.html.  Tal como ele, embora numa perspetiva algo diferente, eu não entendo o trabalho como um castigo, mas sim como uma honra que Deus concedeu aos humanos. “Ao trabalhares para obteres o teu pão, estarás a colaborar Comigo…” teria podido acrescentar, às palavras de Deus, o autor-relator do Génesis. Porque certamente, como faz com as aves dos céus, as quais, como sublinha Mateus (6:33-44), “não semeiam nem ceifam” e, no entanto, não lhes falta o sustento, também connosco Deus podia fazer o mesmo. Mas não o faz!

Colaborar com Ele é, pois, uma distinção que nos honra e dignifica. E fazer Ciência, aumentar o conhecimento humano, é sem dúvida um esforço, minúsculo, sim, à escala divina… mas existente e visível, à escala humana, de aproximação nossa à Sua omnisciência.

Coimbra, 15 de janeiro de 2017

J. M. S. Simões-Pereira


(*) Veja também o meu livro “Convicções e Ceticismos”, Editora Luz da Vida, Coimbra, 2014 (capítulo 21).




sexta-feira, 18 de novembro de 2016

JANELAS DE INVERNO

As janelas que não são consertadas fazem goteiras nas casas! 

Prezada Sra Dra.

Acredite que não esqueço o tempo em que a considerei – e então disse-lho várias vezes – como a irmã que eu não tive, pelo carinho e apoio que sempre deu à minha mãe durante vários anos da velhice dela, e também pela ajuda profissional que nos prestou.

Agora, recorda-se por certo que há tempos a procurei e conversei consigo, para lhe pedir uma intervenção junto dos meus filhos.
Ao falarmos dos casamentos deles, perguntou-me, mas eu não lhe soube responder, o que tinha eu oferecido ao meu filho mais velho no dia do casamento.
É um facto que não costumo registar num caderno de “deve e haver”, à moda dos antigos merceeiros, os presentes que ofereço, pois nunca fico à espera das retribuições que, através de presentes que dou, possa vir a receber. Por isso, em geral, esqueço o que ofereço!

Mas por acaso encontrei hoje um cartão em que a minha nora se mostra extremamente sensibilizada com aquilo que lhes ofereci quando se casaram; em anexo, seguem fotocópias das duas páginas que ela escreveu. Não preciso de comentar.

Outra dúvida que me exprimiu foi sobre a minha vontade de vender (ou não) as propriedades legadas pela minha mãe.

Ora é certo que, na reunião dos herdeiros se discutiu o que fazer com elas e todos concordámos em que seriam vendidas.

Da crise que todos conhecemos e do óbvio entorpecimento de Coimbra tem resultado que a procura é mínima.

Mas mesmo assim tive uma excelente proposta para a compra das ruínas do Lagar da Boiça que muitos me dizem não valer mais que 10 ou 12 mil euros;
só que a interessada, após quatro meses de espera, desistiu, pela recusa dos meus filhos em mandar procurações a quem os pudesse representar na escritura de venda.

Isto apesar da minha insistência e de eu lhes ter enviado uma minuta em língua portuguesa para uma tal procuração.

Anexo-lhe dois documentos que falam por si.
O mesmo já aconteceu com outro terreno em Ceira, e até com as expropriações para a auto-estrada A13.

Espero que tenha assim ficado sem dúvidas sobre o motivo pelo qual pedi a sua intervenção junto deles.

Obviamente, respeito a sua decisão de não o querer fazer!

Mas sei que compreende o motivo do meu pedido.

Aceite os meus cumprimentos!

J. M. S. Simões Pereira





CARTÃO DE AGRADECIMENTO DA MINHA NORA!





domingo, 6 de novembro de 2016

RECORDAÇÕES DE COIMBRA:


“A SUA CALMA, CALOIRO, É QUE ME LIXA!”

O gatinho é calmo e confiante no seu saber|

Li, a 1 de agosto de 2016, no Diário de Notícias, e depois dessa data em vários jornais, que o membro do governo responsável pelas universidades e ensino superior quer guerra a comissões de praxes. E quem diz comissões, talvez queira dizer simplesmente praxes. Estas notícias fizeram-me ir buscar à minha estante um pequeno livro publicado em Lisboa, em 1958, da autoria de Flávio Vara, intitulado O Espantalho da “Praxe” Coimbrã. Nele se analisa, se ataca e cabalmente se desmonta o fenómeno das praxes académicas de Coimbra.

De facto, não se falava de bullying nos anos 60 do século XX. Mas ele existia! Em Portugal, a praxe académica, então um exclusivo da estudantada coimbrã, era o supra-sumo do ataque dos mais velhos aos seus colegas mais novos, os alunos do 1.º ano, aqui vulgarmente chamados caloiros.

Insistamos que esta praxe académica, ao tempo, só se praticava em Coimbra. Aliás em Lisboa dizia-se, com alguma sobranceria, “isso da praxe é um sintoma de provincianismo, de cidade pequena. Aqui recebemos os primeiranistas com festas, para os ambientar num clima de camaradagem!” Nem a palavra caloiro se admitia na capital. A que altura se encontravam realmente os jovens lisboetas, antes dos seus concitadinos das universidades privadas descerem aos baixos níveis da praia do Meco?…

O título deste cartaz é uma citação nascida num momento de bullying praxístico que eu próprio sofri quando aluno do 1.º ano. Um veterano ou, como também se dizia, um doutor da praxe, abordou-me na rua e começou a praxar-me. Já não me lembro como ele me atacou, o que ele me disse, o que queria que eu fizesse. Mas a lentidão com que reagi, com voz arrastada, sem mostrar qualquer emoção, qualquer medo, qualquer indignação, levou-o a desistir dos seus ataques, levou-o a retirar-se sem honra nem proveito, reconhecendo mesmo a sua derrota. Despediu-se de mim, atirando-me apenas aquele cumprimento:

 - “A sua calma, caloiro, é que me lixa!”


Sugiro pois a todos aqueles que não queiram ser imbecilizados por artistas do bullying, que cultivem a capacidade de se manterem sempre terrível (para não dizer sadicamente) calmos!

sábado, 8 de agosto de 2015

Convicções e Ceticismos



J. M. S. Simões-Pereira

 
http://siper-mat.blogspot.pt/

Este livro dá-nos uma visão algo céptica sobre a Ciência contemporânea. 

O autor é um cientista que foi professor catedrático em universidades americanas e portuguesas e se distinguiu como investigador em várias áreas da Matemática, publicando dezenas de trabalhos nas mais prestigiadas revistas internacionais da sua especialidade, e também livros para o ensino universitário, editados em Portugal e no Brasil.


Neste conjunto de ensaios curtos, apela a uma análise simples mas objetiva de certas verdades da Ciência e da Cultura. 

Ele critica o modo como elas são apresentadas junto do grande público incluindo as relações falsamente polémicas entre Ciência e Religião, discute o impacto da Ciência na Cultura, distingue conclusões científicas que permanecem e outras que morrem e são substituídas, enfim refere o paralelismo entre essa Ciência que permanece e certos pensamentos intemporais da Filosofia. 

Por outro lado, parece ser ficção científica o que ele nos diz, ao prever que, no futuro, controlaremos a gravidade, ao perguntar-se sobre a hipotética homogeneidade do Universo, ao acreditar que um dia digitalizaremos a matéria, mesmo a viva.


Editora Luz da Vida Lda

239 705 331 


E-MAILS 

siper@mat.uc.pt
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