EU, ABAIXO-ASSINADO!
Era com estas palavras que começavam antigamente muitos documentos oficiais, especialmente aqueles em que um cidadão requeria fosse o que fosse a uma qualquer autoridade. Antes disso, a humilhação auto infligida pela linguagem usada ainda era mais intensa: dizia-se que o “suplicante… rogava a Sua Majestade uma qualquer mercê”… o que obviamente revelava a extensão, à esfera que hoje chamamos laica, da religiosidade de um povo que se tinha habituado a “suplicar” aos santos da sua devoção um milagre profundamente desejado.
Vivi o meu tempo de bebé de berço
durante os anos do conflito. Recordo dois momentos curiosos, passados poucos
anos mais tarde. Num deles, alguém comentou, numa linguagem simbólica, que um
determinado país quereria forçar Portugal a entrar no conflito e, para isso,
“já tinha lançado a isca”. O que me aterrorizou! E andei muito tempo a
espreitar pelas janelas da casa, olhando para os céus, procurando ver a “isca”,
a isca que para mim seria, não sei porquê, um risco, um vestígio de alguma cor
estranha… Neste mesmo contexto, ouvindo falar de bombardeamentos aéreos, um dia
confundi a Lua, em fase de Quarto (Crescente ou Minguante), com uma bomba que
pairava no ar, à espera de cair. Nada disse a ninguém mas apanhei um
valentíssimo susto!
E assim foi a minha primeira infância!
J. M. S. Simões Pereira





