É positivo que os cidadãos possam pedir para ser ouvidos em algumas
reuniões da Câmara Municipal de Coimbra. Pareceu-me contudo que há reticências
quando se trata de alguém que não é figura conhecida: o que me levou recentemente
a retirar um pedido de intervenção que tinha feito.
E o que iria eu dizer aos nossos autarcas, em especial ao Senhor
Presidente, cuja amizade pessoal aliás muito me honra? Na qualidade de cidadão
e empresário com interesses na cidade, impressionaram-me, ao regressar de uma
ausência no estrangeiro, vários aspetos que reputo positivos: consequências do
reconhecimento da UNESCO, a enorme afluência de turistas que enxameiam a
Ferreira Borges e a Visconde da Luz (e não apenas a Universidade), a imagem
renovada que estas ruas já apresentam, a Portagem e os seus cafés e
restaurantes, a utilização do não há muito tempo inaugurado Convento de São Francisco. Não esqueçamos a anunciada utilização como Pousada do
antigo quartel junto da Igreja de Santa Clara a Nova, a promoção turística de
Santa Clara a Velha, até os simpáticos repuxos no rio, frente ao Parque Manuel
Braga.
Ora é preciso despertar a cidade: se há turistas, que se promova a instalação
de um hotel de 5 estrelas, pois Viseu já tem um e Aveiro vai ter também; se é
urgente revitalizar o Parque Verde, que se resolva a Urbanização moribunda dos Jardins do Mondego, logo ali em frente; se não queremos que existam apenas os Hospitais e a
Universidade, que se atraiam sedes de empresas e outras atividades industriais;
se Coimbra quer ser centro de uma região, que se lute seriamente pela conclusão
da A13, ou seja a ligação em auto-estrada a Viseu e Mangualde, isto sem
esquecer o Metro para Miranda, Lousã e mesmo Arganil, como há décadas foi
pensado; mas sem asfixiar a área urbana com linhas de Metro à superfície, pois
em Coimbra foram oportunamente eliminados os carris dos carros elétricos cujas
carreiras não podiam, nem outras semelhantes poderão, ser alteradas consoante a
procura de serviços pelas pessoas a transportar: autocarros sim, carris de
ferro, não!
Enfim, o meu apelo é que os nossos autarcas, com o apoio dos munícipes,
tudo façam para que Coimbra não pare; já foi indiscutivelmente a terceira
cidade do País, mas hoje esse título é-lhe seriamente disputado por Braga, Faro e o
Funchal. Impõe-se revalidar tal título!
J. M. S. Simões Pereira


