Sei que andas muito
triste , embora tenhas andado caladita, sem dizeres as razoes desse teu silencio.
Sem querer há pouco li
teus escritos diários, tuas questões a Deus me levaram a entender as razoes da
tua tristeza.
Deixa-me contar-te algumas coisas da minha vida que talvez te ajudem a ver como eu reagia e a não te deixares tu destruir por quem tenta molestar-te.
Temo
que eles o consigam, e que tu te deixes destruir por essa pessoa ou por essas
pessoas!
Ao contrário de ti, eu nunca me deixei abater, nem quaisquer ataques , até hoje, me
fizeram sentir triste.
Isto porque, só nós dois sabemos o que foi e o que é a nossa vida e estou
confiante que ela tem sido levada com consciência de que fazemos o melhor que
se pode.
Nunca perdi tempo a pensar como me poderia vingar deles, que bem mereciam
sofrer uma vingança!
Mas isso era gastar as minhas forças, o meu pensamento e o meu tempo para
lhes fazer bem, a eles, ensinando-os a proceder melhor… Lembra-te do provérbio
“Os cães ladram e a caravana passa!”
Sim nós jamais deveríamos parar pois como tu mesmo tens dito:
- “Ambos unidos temos que cumprir a nossa missão!”
Recordo os meus nove anos no 1º ano do liceu e o reitor Mário Guerra a dar-me um valentíssimo puxão de orelhas por eu o ter cumprimentado; e ele pensou, no seu espírito de fracassado como pedagogo, que eu o estava a troçar! Outro que eu fosse ficava a odiar o liceu e os estudos! Mas eu não, não fracassei como aluno do secundário e continuei no mesmo liceu com o mesmo reitor….
Chego à universidade e sofro a estúpida “praxe” académica de Coimbra. Logo
no início vinha de uma aula que tinha acabado às 6 horas da tarde e uma trupe
apanhou-me. Calmamente respondi que vinha de uma aula e eles até perceberam e
deixaram-me seguir.
Uns dias mais tarde um “doutor da praxe” quis gozar-me, mas eu fiz-me tão
molengão que ele desistiu, considerando-se vencido!
Ao acabar o curso, o professor Manuel dos Reis por pouco me reprovava,
vociferando mesmo que eu estava convencido de ser bom aluno… mas não era!
Não me acabrunhou, antes não fui “pedir batatinhas” repetindo o exame dele
como fez um outro colega meu também bom aluno (o Amílcar Gonçalves).
Segui em frente; se ele não gostou de mim, o problema era dele… e triunfei ganhando
o primeiro emprego a que me candidatei, mesmo mostrando a nota baixa que ele me
atribuíra.
Ao fim de alguns anos, a trabalhar no Centro Científico da Fundação
Gulbenkian, candidatei-me a doutoramento em Lisboa sob a orientação do
professor António Gião.
Havia, porém, um erro no trabalho dele em que eu baseara a minha tese e desisti do doutoramento retirando a tese. O Gião ficou meu inimigo, mas eu não me deixei vencer. Escrevi outra tese sem nenhum professor me orientar e apresentei-me eu próprio a doutoramento em Coimbra com o júri formado por todos os possíveis membros dos júri que naquele tempo eram os catedráticos de Matemática do País, exceto o Gião que não quis aparecer; e venci!
Entretanto, um catedrático de Coimbra (o António Ribeiro Gomes) embirrou comigo e nunca, no resto da sua vida me apoiou em nada. Porquê?
Quando ele se doutorou, eu gostei do modo como ele dialogou com os membros do seu júri e eu disse-lhe. Mas ele entendeu que eu estava a fazer troça dele e por isso embirrou comigo.
Foi outro fracassado, este como cientista, exatamente como o reitor dos meus 9 anos!
Mas a embirração que este Ribeiro Gomes me teve nunca me impediu
de seguir em frente…
PUBLICADO A 31 OUTUBRO 2024
https://youtu.be/C3Xay5_4QPQ?si=zql5nZGBuDsvC62z


