sexta-feira, 19 de março de 2021

VIAJAR NO TEMPO

ANDAR NO TEMPO

 


Ouvi um pouco de uma palestra em que o orador se interroga o que pensará cada um de nós no momento de morrer.

Claro que todos nós sabemos que morreremos. Mas esta pergunta é, na minha opinião, um pouco pateta, se o que ele pretende saber é o que se passa nos últimos minutos ou talvez segundos antes da nossa morte. Se é esse o sentido da sua pergunta, é quase o mesmo que perguntar em que pensamos nos minutos ou segundos antes de adormecermos, todos os dias.

A minha resposta à pergunta se feita neste sentido é “não sei!” Se porém a pergunta não se refere aos últimos segundos, mas é feita no sentido geral, aí eu posso responder por mim: Penso no que fiz em vida, na obra que deixo neste mundo. E fico tranquilo, pois acho que a minha vida foi produtiva.

Quanto ao “depois da morte” sou crente que Deus existe mas quanto à existência de um Paraíso ou de um Inferno… tenho sérias dúvidas. E quanto à ressurreição? Por estranho que isto possa parecer a quem me ler, acredito nela, sim! Porquê? Como?

É que eu creio no avanço da Ciência e da Tecnologia, que aliás está diante dos nossos olhos todos os dias. E, num futuro de, talvez quinhentos, talvez mil anos, acredito que será possível viajar no tempo. Teorias da Física contemporânea já admitem que o tempo é uma dimensão do Universo; e sendo assim vai ser possível deslocarmo-nos ao longo dele, para a frente e para trás, para usar uma linguagem um pouco ingénua. Mas a ideia não é ingénua. Terá a ver com a existência de “universos paralelos” e, se eles de facto existem, virá o dia em que nos movemos entre eles. Nessa altura, a Eternidade deixou de ser um tema exclusivamente religioso para ser científico também; e a Ciência e a Teologia serão claramente irmãs gémeas. Os sonhos alimentados durante milénios pelas religiões vão tornar--se realidade.

Perguntar-me-ão se realmente acredito que tais sonhos se venham a realizar. Sim! E haverá mais gente a acreditar no mesmo? Na minha resposta, pergunto por minha vez: − Quantas pessoas terão previsto, há mil anos, a existência de aviões, satélites artificiais, viagens à Lua, telecomunicações de alcance mundial, GPSs, análises e manipulações genéticas?

Coimbra, 31 de dezembro de 2020

DEUS E A BOMBA ATÓMICA,

ou: Como Ele apoia os cientistas


 

Como trabalhador científico que assim me considero, tenho meditado muitas vezes no que é a criação humana – mais precisamente, aquilo a que muitos chamam criação humana.

Não me pronuncio sobre criação artística, pois é uma atividade longe da minha vivência. Mas quanto à “criação científica”, hoje estou convencido que, no que respeita à Ciência, ela é fruto da inspiração divina que Deus nos concede. Certo que nos devemos sentir honrados pela ajuda divina dada ao nosso trabalho, por esta colaboração entre nós e Deus. O autor ou os autores do Génesis deviam, na minha opinião, ter acrescentado às ordens dadas a Adão quando Deus o expulsou do Éden, uma palavra que Deus terá dito explicando a Adão “olha que ao trabalhares para conseguires o teu sustento vais ficar a colaborar comigo e isso é uma honra para ti! Os outros seres vivos, ao contrário do que faço contigo, não precisam de trabalhar para viver, não lhes dou a oportunidade de colaborarem comigo; dou-lhes Eu tudo pois eles de nada são capazes!”

Todas as conquistas da Ciência e da Tecnologia, da roda e do acender do fogo até às dos nossos dias, têm sido – eu creio – inspiradas por Deus, como que “segredadas ao ouvido” dos que na Terra as concretizaram. O seu objetivo tem sido sempre melhorar a nossa existência. Embora por vezes tenham sido mal usadas. Luz Compasso diz que devemos sempre perguntar a Deus se o que tencionamos fazer nos leva para o bem ou para o mal; ela afirma que Deus está sempre disponível para nos informar. Só que poucos se dedicam a esse diálogo com a fonte divina e, por isso, há os bem-intencionados que fazem coisas monstruosas. Basta pensar no que foram as Cruzadas ou outras movimentações análogas. Os que nelas participaram estavam convencidos que serviam o “seu” Deus. Além disto, concordo que nem tudo é facilmente compreensível; repare-se na objecção que alguém me fez perguntando-me “se acredito que a bomba atómica foi um avanço da Ciência que foi inspirado por Deus.”

Este caso da bomba atómica é exemplar, mas, por estranho que possa parecer, eu admito que também foi uma benesse para os humanos. É já tradicional dizer-se que, sem ela, a II Guerra Mundial não teria acabado tão depressa e o número de mortos que a sua continuação provocaria seria superior aos duzentos e tal mil que perderam a vida em Hiroxima e Nagasaki, as duas cidades japonesas que foram até hoje as únicas no Mundo vítimas de bombardeamentos atómicos. Ora a esta argumentação tradicional, eu acrescento: durante os mais de quarenta anos entre 1945 e 1989, a animosidade entre as super potências de então, os EUA e a URSS, foi permanente; foi o período da chamada Guerra Fria. Se não houvesse bombas atómicas nos arsenais destas duas super potências é muito provável que entre elas teria rebentado uma Guerra Quente que se tornaria uma III Guerra Mundial e o número de vítimas teria sido incalculável. Cada uma daquelas duas super potências receava o arsenal da outra e por isso cada uma delas se conteve, não dando à outra pretexto para uma ação militar. Penso que devemos à bomba atómica o mundo não ter sido vítima de uma tremenda catástrofe. E desde 1989 para cá, outras situações de tensão entre países com a bomba atómica nos seus arsenais terão certamente ocorrido. Por outras palavras, e isto talvez seja uma verdade arrepiante, mas a bomba atómica trouxe realmente paz ao nosso planeta! Consequentemente, eu estarei grato a Deus, precisamente pensando que Ele sugeriu a sua criação aos que nela trabalharam.

 

Coimbra, 2020-10-10

domingo, 14 de março de 2021

A CIÊNCIA E A TECNOLOGIA NÃO SÃO JOVENS!



Em lugar do título que dei a este escrito, talvez fosse mais sugestivo e mais simbólico ter escolhido um outro, a saber: A RODA ou O FOGO.

Há um hábito de pensarmos que a Ciência e a Tecnologia só começaram a existir numa época recente e que ser cientista é uma atividade que só se pratica há dois ou três séculos para cá. É certo que, como muito bem aponta Lúcio Russo no seu livro “The Forgotten Revolution”, editado pela Springer e com subtítulo “How Science Was Born in 300 BC and Why It Had to Be Reborn”, os gregos antigos já conheciam muito que veio a cair no esquecimento (ou a ser ocultado) no Ocidente Europeu durante a Idade Média e que só a época do Renascimento o redescobriu ou o voltou a destapar. Mas estes pontos de vista não serão, a meu ver, largamente conhecidos. E há muito mais para dizer:

− Então quem construiu as pirâmides do Egipto, não eram técnicos de grande envergadura? E antes deles, quem fabricou as primeiras enxadas não eram criadores de tecnologia? Os Sumérios, os primeiros que domesticaram plantas, semeando-as, não eram cientistas? E quando descobriram que, regando-as, elas cresciam mais depressa ou tornavam-se mais produtivas, não eram cientistas? Não desenvolveram a tecnologia do seu tempo? Técnicos e cientistas do seu tempo, claro, quando aquilo que eles fizeram era novidade e constituiu passos notáveis para melhorar a vida dos seus contemporâneos.

Invoquemos a roda ou invoquemos o fogo, melhor dizendo, a capacidade de fazer fogo! São símbolos marcantes do progresso tecnológico de há milénios, imagens que para mim serão sempre logótipos da capacidade humana de inventar! Talvez nenhuma tecnologia contemporânea rivalizará com eles na sua perenidade!

A Ciência e a Tecnologia existem, a meu ver, desde que a Humanidade fez qualquer coisa para facilitar a sua sobrevivência; há milhares de anos, portanto, há muitos milhares mesmo! Acreditar que Ciência e Tecnologia só existem no nosso tempo, ou que nasceram pouco antes, é uma injustiça para com os muito antigos!

24.novembro.2019

sexta-feira, 12 de março de 2021

Assunção - minha babá e muito amiga


Estou em Lisboa e lembro-me hoje muito de ti, talvez porque aqui, nesta casa, viveste como minha doméstica e acompanhaste o meu dia-a-dia. Foste na minha primeira infância minha babá, como se diz no Brasil. A minha amizade por ti ainda a sinto e sentirei por certo no resto da minha vida!

Vejo em pensamento a tua figura à porta do meu quarto enquanto eu, sentado à escrivaninha, ia estudando ou escrevendo os meus trabalhos. Tenho saudades de ti. Talvez em breve nos reencontremos, se for verdade, o que dizem certas religiões, que a vida continua, noutro Mundo, depois da nossa morte.

Até breve, minha boa amiga Assunção!

Lisboa, 2020-fevereiro-22

domingo, 7 de março de 2021

MARCELO CAETANO

 

Referi Marcelo Caetano, o sucessor de Salazar no poster sobre Duarte Pacheco e Veiga Simão. Sinto que devo aqui dizer uma palavra sobre a minha opinião pessoal de Marcelo Caetano.

Quando assumiu a sucessão de Salazar deu alguns sinais que algo iria mudar. Infelizmente não levou avante o que pareceu ser a sua decisão inicial. Constou na altura que o Presidente da República e as forças conservadoras o terão pressionado e convencido que qualquer mudança, por mais que tentasse fazê-la passo a passo, iria derrapar. O que realmente aconteceu após o 25 de abril relativamente às então colónias: não se tornaram independentes progressivamente, mas sim precipitadamente.

Talvez pois devido às pressões que sentiu, Marcelo nada mudou. E daí a heroicidade de Veiga Simão, que na sua área de ação realmente mudou muito.

 

sábado, 6 de março de 2021

CRISTINA E SEUS MEDOS


 

MEDOS MÓRBIDOS E COMO ELES NOS AFETAM

 A mãe dos meus filhos pediu o divórcio e assim acabou com o nosso casamento porque, vivendo nós nos EUA, ela tinha medo que eu trouxesse os filhos para Portugal. 

A razão é que ela acreditava que a URSS ia dominar toda a Europa. Como tinha passado a sua juventude na Roménia, então sob a égide de Ceausescu, e sabia a opressão que viveu num regime comunista, não queria de modo algum que os nossos filhos viessem a passar pela mesma experiência. Não consegui convencê-la que ver a Europa Ocidental nas mãos da Rússia era demasiado improvável para nos assustar.

 Aconteceu que o nosso divórcio foi decretado em 27 de junho de 1989 e, 4 meses e 12 dias depois, a 9 de novembro desse mesmo ano, caía o muro de Berlim e com ele a hipotética ameaça do domínio soviético sobre e Europa. Pelo contrário, os países europeus que formavam a chamada Europa de Leste, todos mais ou menos submetidos ao jugo de Moscovo, libertaram-se desse jugo e escolheram os seus novos governos. 

Aconteceu assim o contrário do que a mãe dos meus filhos temia. E este desenlace ocorreu rapidamente!

Foi um caso típico na minha vida em que um medo mórbido me afetou gravemente!

                                                                            2021.março.6

segunda-feira, 1 de março de 2021

COACHES? NO!

 

NOT BORN TO BE CARRIED ON BY OTHERS!

 

Have you ever been obedient to a coach? Imitated a role model? Followed a leader?

To all these questions my answer is: No!

 

Coaches, role models, leaders… no such people ever crossed my way! They would have no effect on me. Most of the time, I would not believe on a leader, I would not admire a role model, I would never obey a coach unless I would have discovered exactly the same he or she had also found or learned or been trained to pass it on to others.

I feel I was not born to follow anybody.

But books, yes, good books, they taught and keep teaching me; they formed my character, they created − or recreated − my personality. What is written in a good book has been thought off, is the product of many long experiences which were lived without exhibition. You don’t see the author’s face, his or her make up, quite often chosen − for coaches and role models − by television image makers to impress the viewers.

Good books on how to grow up, yes, since my teenage years they taught me how to fight, how to stand up, to resist, to survive, in a single word, to live!

Books versus coaches! Books win! My choice is − and has always been − clear.

 

2019.11.05

ROSALIND E. FRANKLIN

 

Há pessoas que se agigantam na minha memória porque fizeram o que muitos julgariam impossível. Lembro aqui uma personalidade estrangeira que viveu em décadas relativamente recentes, mais precisamente, no século XX. É a investigadora Rosalind Franklin, uma heroína da Ciência, injustamente esquecida na atribuição do Prémio Nobel de Medicina em 1962.

 

Rosalind E. Franklin será sempre um importante nome numa lista minha de heróis. Investigadora de génio, foi uma mulher que admiro, pois na sua curta vida fez, entre outras, uma importantíssima descoberta, a saber, a estrutura do DNA. Mas quem foi premiado por estudos semelhantes foram três homens que receberam o Prémio Nobel da Medicina em 1962. Ela foi nesse momento ignorada. Porquê? Por ser mulher? Abominável, se a razão foi essa.

 

Perguntarei a propósito se os premiados não terão sentido uma certa incomodidade por a Rosalind Franklin ter sido deixada fora desta vitória da Ciência: se eles tinham sentimentos e formação ética, devem ter sofrido um pouco com a situação. Não me consta que tenham manifestado uma tal atitude, que indiscutivelmente revelaria nobreza de caráter. Ora se eles não sofreram, não são em nada dignos da nossa admiração e do nosso respeito. Ela, sim, foi uma figura gigante da história da Ciência contemporânea

 

 

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