segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Esladrunça


CÃO, CACHORRO, CACHORRÃO, CACHORRÃOZINHO E CAINÇO


 

Quanto a animais de companhia, há hoje quem tenha cobras e lagartos, peixes e patos, coelhos e salamandras. Mas eu continuo a considerar apenas gatos e cães, como possíveis companheiros. E as minhas claras preferências vão para os gatos.

É óbvio que respeito quem prefere os cães; mas para quem vive num apartamento, mesmo grande e luxuoso, numa cidade, se tiver um cão tem de passeá-lo na rua quer chova quer faça sol e isso não me é muito agradável, especialmente no Inverno, quando chove. Um gato não me exige essas saídas. Além disso um gato não me perturba, o maior ruído que faz na casa é o seu ronrom ou uma miadela delicada. Não se compara com o ladrar, ou melhor dizendo, o “esladrunçar” de um cão. Eu criei a palavra esladrunçar para dar ênfase à falta de sentido do habitual ladrar. O que eu quero dizer é que um cão, Cão com letra grande, no seu perfeito juízo, consciente da sua dignidade, tendo presente a sua missão e o seu papel na sociedade, ladra; quando fora de si, quando deficiente mental, ou, enfim, quando simples cainço da classe baixa entre os cães, “esladrunça”.

 

Aos amigos que adoram cães, eu não manifesto estes meus sentimentos; pelo contrário, sou amável e pergunto até pelo seu cachorrãozinho. É outra palavra que não existe nos dicionários, mas eu inventei-a para exprimir a minha antipatia com as primeiras três sílabas (cachorrão…) e uma diplomática simpatia com as duas últimas (…zinho, em cachorrãozinho!). Quando um amigo ou vizinho anda a passear o seu, ele, como animal, deve entender a minha pouca simpatia com os da sua espécie… e “esladrunça” logo, arreganhando-me a dentuça…

E eu, diplomaticamente, vou sorrindo e dizendo ao meu amigo ou vizinho: − Parece que o seu cachorrãozinho não está a simpatizar comigo…

 21 de agosto de 2019

domingo, 19 de setembro de 2021

LOUCURA FELINA - ESTE VAI SER O 11 º LIVRO QUE VOU PUBLICAR

                                          LOUCURA FELINA 

Este livro está com doze capitulos mas tenho mais capitulos que ainda não os posso publicar aqui porque não estão completos. 

ÍNDICE 

Cap. 1 NASCI

Cap. 2 HIPOCONDRIA DA MINHA MÃE

Cap. 3 SER ENCOLHAS OU PATO-MUDO E SER DE BEIJA-MÃO!

Cap. 4 OS QUE ME ATACARAM E QUEM ME DEFENDEU

Cap. 5 SUCESSO E GENEROSIDADE

Cap. 6 AVENTURAS NOS EUA

Cap. 7 FILHOS E BATALHA DURA

Cap. 8 EMPRESÁRIO, SIM! CIENTISTA, NÃO!

Cap. 9 AFINAL EU NÃO ESTAVA MORTO!

Cap.10 SIMULAÇÕES?

Cap.11 A MINHA APOSENTAÇÃO

Cap.12 E AGORA?

CAP. 1: Nasci!

Comecei a escrever esta história da minha vida hoje, dia 8 de julho de 2019, estando na cidade de Newark, no Delaware, Estados Unidos da América. E vou mesmo começar pelo princípio. 

Nasci num dia célebre: 7 de dezembro de 1941. Eram 2 e 15 da noite em Portugal e umas boas horas mais tarde, mas ainda nesse mesmo dia, a aviação japonesa atacou o Porto das Pérolas no Hawai, dando assim uma razão aos Norte-americanos para entrarem na segunda guerra mundial ao lado das democracias europeias. As ditaduras que iniciaram a guerra – foram elas que atacaram primeiro – viriam a ser derrotadas. “Bem feito!” dir-se-ia no jeito popular português, que estivessem quietas, que se contentassem com o que tinham e não quisessem mandar nos outros…

Curiosamente, esta maneira de pensar do povo português foi a minha desde a mais tenra infância: contentar-me com o que tinha, e, muito fundamentalmente, não querer tirar aos outros o que era deles. 

Os primeiros anos da minha vida foram durante esta guerra mundial. Portugal foi um país neutro: por um lado, havia a multicentenária aliança com o Reino Unido; mas por outro uma certa simpatia da classe política dominante do regime salazarista pelos governos autoritários. Salazar não quis pôr-se ao lado de Hitler, até porque Franco, outro simpatizante de governos rijos, tinha vencido a guerra civil espanhola e, portanto, ideias muito democráticas não iriam chegar até nós, pois teriam de atravessar a Espanha. Ora ele seguiu a sabedoria popular portuguesa e achou melhor estar quieto do que arriscar-se a uma derrota: nunca se sabe o futuro e ele, que era indiscutivelmente inteligente, conhecia esta verdade, é que mesmo quem está convencido do que é correto, numa guerra pode não ser o vencedor!

No entanto, apesar da neutralidade, houve momentos em que se temeram bombardeamentos. Não me lembro quem nos atacaria, mas sei que uma vez se colaram tiras de papel nos vidros das janelas para atenuar possíveis estilhaçamentos provocados por explosões de bombas. E um dia, espreitando o céu das janelas da nossa cozinha, eu vi o que hoje creio ser a Lua, em quarto crescente ou minguante, e pensei que era uma bomba… sobrevoando… sem cair… a nossa cidade. Retirei-me calado mas cheio de medo!

Eu tinha quase quatro anos quando a guerra acabou e pouco mais recordo desse primeiro período da minha vida. Talvez apenas da presença assídua de uma senhora francesa, a Mademoiselle Marie Martha Grangier, que teria abandonado o seu país, a França, e me acompanhou muitas vezes, nos passeios de menino pequeno, ensinando-me desse modo a falar Francês. Francês foi portanto a minha segunda língua e eu falava como um nativo. Parece que ela seria natural de Vichy e, mais tarde, tinha eu uns vinte anos, companheiros franceses num curso de verão em Londres, tomaram-me por cidadão francês e até pensaram que eu era de Vichy, pois tinha a pronúncia caraterística dessa zona de França!  Não há dúvida que, para aprender uma língua e falá-la como um nativo, tem de se começar durante a primeira infância!

                                             CAP. 2:

 

Hipocondria da minha mãe 

Prosseguindo a história da minha vida, vejo-me agora nos 5, 6, 7 anos a ouvir a minha mãe, uma senhora terrivelmente hipocondríaca, anunciando a quem a rodeava: - “Eu estou com um cancro, sinto o mesmo que Fulano ou Sicrano…”, isto num tempo em que cancro, que obviamente ainda hoje é uma doença grave, significava uma sentença de morte, em dois ou três meses, enfim, meio ano quando muito. Nem os médicos revelavam ao próprio, por vezes nem à família, o nome da doença quando a diagnosticavam, tal era o terror que ela infundia. E a minha mãe, especialmente para mim, a repetir: - “Olha, meu querido filho, eu vou te faltar em breve; e o pai vai casar com outra que será tua madrasta e te vai tratar mal!”

Vivia-se a história da Cindarela, livro, em muitas versões, de leitura obrigatória para todas as crianças, uma Cindarela com as suas meias-irmãs e a madrasta, a ser sempre posta de lado e muitas vezes muitíssimo maltratada. Nos anos quarenta do século passado, a família em Portugal não era vista com a flexibilidade com que hoje a vemos. Madrastas são hoje frequentemente como irmãs mais velhas, a mãe, se não morreu – e isso continua a ser dramático pois que, como todos nós concordamos, a morte é a única coisa irreversível – mas, estando viva, não tiver a custódia dos filhos, vê-os de certeza todas as semanas: em geral, em casos de divórcio, é ela que fica com eles, exceto quando os manda para o pai, por necessidades profissionais, e aí, a madrasta, se existe, é uma companheirona. Mas, nesses tempos, havia, de facto, uma diferença gigantesca entre mães e madrastas. A mãe dava mimo, embora as crianças fossem por vezes esbofeteadas até pelas mães, mas quanto mais não o seriam pelas madrastas… Os castigos físicos eram a regra, ou não recordaremos as palmatórias que eram então visíveis em todas as escolas para servirem de utensílio didático aos professores? A que distância vinha o didatismo atual com os seus monitores online, laptops e outros quejandos!!!

 As trovoadas eram outro terror da minha mãe. Tinha medo das faíscas, embrulhava-se num cobertor de lã e chamava-me para junto dela, pois acreditava que o cobertor nos servia de isolamento das descargas elétricas. Para a nossa moradia em Coimbra o meu pai mandou instalar um pára-raios, que era uma efetiva defesa contra descargas das trovoadas. Hoje não vejo moradias com pára-raios, mas naquele tempo havia bastantes. Aliás o meu pai ofereceu também a instalação de um à minha tia Conceição que vivia numa zona da Beira Alta onde as trovoadas eram frequentes e onde nós passávamos muitas vezes o mês de setembro. 

 Por volta dos meus seis ou sete anos, devido ao estado depressivo em que a minha mãe se encontrava, fomos viver para uma quinta do meu pai em Ceira, a poucos quilómetros de Coimbra. Foi o conselho dado por um brilhantíssimo jovem neuropsiquiatra, dedicadíssimo, que passou a ir visitá-la todos os dias. E realmente conseguiu uma extraordinária recuperação. Nunes Vicente era o seu nome e ver a minha mãe melhorar fez-me sentir por ele, apesar da minha pouca idade, uma imensa gratidão.

 Numa pequena aldeia todos se conhecem e aqui se vivem os dramas dos vizinhos. Um dia, faleceu a mãe nonagenária de um cavalheiro solteiro que com ela vivia. Ouvi comentar que ele, ficando só, iria sentir muito a falta da mãe e, tendo ele já sessenta anos, não era provável que ainda viesse a casar. Nesse momento, eu, nos meus seis anos, vi-me com sessenta num futuro longínquo e pedi a Deus, numa pequena oração, que a minha mãe também vivesse até eu ter sessenta anos! Coincidência? Ou a prova que Deus nos ouve? É que a minha mãe só veio a falecer três semanas depois de eu fazer sessenta anos… Tinha ela noventa e um anos…

 Prosseguindo agora com os meus relatos, por volta dos 7 anos, ainda vivíamos na quinta, comecei a frequentar a escola. Foi na casa particular, uma bela moradia rodeada por um pequeno jardim, com entrada por duas ruas paralelas, propriedade de uma senhora que tinha só uns 6 alunos, sendo eu um deles. Chamava-se essa senhora Feliz dos Anjos Afonso, vivia com ela uma tia que andava pelos noventa e muitos e uma empregada doméstica. A D. Feliz tinha uma quinta na Pedrulha, uma povoação também perto de Coimbra, quinta que ela visitava por vezes e onde alguém tomava conta das atividades agrícolas.

 Lembro-me com simpatia desta senhora: Pronunciávamos o nome dela como Sôdona Feliz! A instrução primária durava quatro anos (dizia-se a primeira, a segunda, a terceira e a quarta classes) e tínhamos de fazer exame no fim da terceira e no fim da quarta. Estes exames eram feitos numa escola pública à qual a D. Feliz nos candidatava. Esta era a escolaridade obrigatória no tempo e quem ia seguir para os estudos secundários, ou liceu como se dizia, era dispensado de fazer o exame da quarta classe mas tinha de fazer exame de admissão ao liceu. Foi o que aconteceu comigo.

Entretanto menciono uma recordação desta época: eu não andava nas ruas sozinho, pelo que alguém me ia buscar às aulas. E, enquanto esperava, eu sonhava com um aparelho que me permitisse falar com a minha mãe na quinta e saber como ela estava. O telemóvel já existia pois na minha imaginação!

Outra recordação desta época é a minúscula loja onde se vendiam cadernos, lápis, etc. Era o quiosque do Senhor Brandão. Ficava no caminho entre a casa da D. Feliz e a casa onde nós morávamos quando estávamos em Coimbra. Na época havia pouquíssimos automóveis e, em frente da nossa casa, erguia-se um edifício de 4 pisos além do térreo; neste havia uma garagem que serviria para o dono do prédio, se ele lá vivesse, pois nenhum dos oito arrendatários teria possibilidades económicas para ter carro. A garagem estava pois arrendada a um sapateiro, um homem cujo nome não recordo mas sei que tinha sido combatente na primeira guerra mundial. Quando se apercebeu que eu falava Francês contou-me uma história do seu tempo de soldado em França. Enquanto ia martelando umas meias-solas, disse-me que um dia precisaram de uma picareta para movimentar algumas terras da trincheira onde estavam e pediram-na a um francês que, não os tendo compreendido, lhes respondeu apenas “Je ne vous comprends pas!” E eles, muito satisfeitos, replicaram ao francês “Sim, sim, uma pá também serve!” História que dava alegria, a quem não teria outros grandes motivos para se rir! 

Termino esta recordação dos meus 5, 6, 7 anos com outro momento que envolve doenças. Era o meu pai que estava acamado, com um problema que já não posso identificar. O meu avô materno, de seu nome Manuel dos Santos Madeira, nos seus setenta e picos, veio visitá-lo à quinta. Era a época do Natal. Não se falava de Pai Natal, dizia-se sim que o Menino Jesus vinha num trenó voador distribuir presentes aos meninos na noite de Natal, descendo pelas chaminés para colocar os presentes nos sapatos que os meninos deixavam junto ao fogão. Os meninos eram aconselhados a escrever antecipadamente ao Menino Jesus dizendo que presentes queriam. Nós acreditávamos nisto até aos 6 ou 7 anos! Alguém lembrou, olhando para mim de lado, que era noite de Natal e que eu, por certo, também esperava algum presente. Está ainda no meu ouvido a voz do meu avô ao comentar: - “Ele, por certo, o presente que mais quer é ver o pai com saúde!” Fantástico! Realmente, nas minhas orações de criança, eu tinha pedido a Deus que melhorasse o meu pai. Foi um extraordinário exemplo de um homem de mais de setenta anos a compreender os desejos de um menino que não teria mais que sete. 

Era um homem de grande inteligência e não menor sensibilidade! Tinha aliás uma licenciatura em Direito e outra em Farmácia!!!

 

 

 

 

 


quinta-feira, 5 de agosto de 2021

SRINIVASA RAMANUJAN / LUZ COMPASSO

                                              SRINIVASA RAMANUJAN

A leitura do número de abril de 2018 da revista Notices of the American Mathematical Society veio recordar-me, num artigo de Edward Frenkel (pág. 410-412), a figura do extraordinário matemático indiano Srinivasa Ramanujan.

Este homem legou-nos fórmulas admiráveis, mas não as demonstrou! Dizia – e parece que não pode ser de outro modo – que muitas fórmulas lhe eram comunicadas em sonhos por uma deusa chamada Namagiri.

Ele próprio disse que, ao acordar, ia rapidamente escrever as fórmulas num caderno de apontamentos.

Causa espanto que as referidas fórmulas vieram a ser provadas verdadeiras, muitas vezes depois de árduo trabalho de matemáticos em época posterior ao tempo de Ramanujan.

Conhecemos os testemunhos de inúmeros cientistas, entre eles vários matemáticos, que descrevem terem vivido situações semelhantes, dizendo que seria o seu Deus, qualquer que seja o Seu nome, realmente a inspirá-los no seu trabalho, talvez através de sonhos ou de outros meios que trazem à nossa consciência verdades científicas das quais de outro modo não nos aperceberíamos!

Pessoalmente, sei de uma escritora de oráculos, a minha Mulher, Luz Compasso, que também se sente profundamente inspirada por sonhos: ela crê que eles são um meio usado por Deus para lhe dar informações.

Luz Compasso é autora de vários livros de autoajuda, alguns dos quais ela própria chama oraculares. Todos foram escritos originalmente em Português, mas dois deles foram traduzidos para Inglês e já estão editados nos EUA pela Dorrance Publishing, de Pittsburgh, Pensilvânia: o TREE OF LIFE, em 2021, tradução do português “Árvore da Vida”, e o SOS - GIVE ME A COMPASS, em 2018, tradução do português “SOS – Bússola”.

https://bookstore.dorrancepublishing.com/sos-give-me-a-compass/

A estreia de Luz Compasso como escritora foi em 2004 com um livro de poesias e prosas poéticas cujo título é “Roçai as Cordas da Harpa”, publicado pela Editora Luz da Vida, de Coimbra, Portugal. 



quarta-feira, 4 de agosto de 2021

POEMA À MINHA LUZ

Na vida de alguém sempre existem alguns insetos zumbidores circulando para lá e para cá, supondo que a nossa luz iria se apagar! 

Mas já passaram mais de 20 anos e continuamos dando luz! 

O que os insetos não reconhecem é que essa luz não serve para nós mesmos, mas para os que circulam fora!

A essência que somos está hermeticamente revestido com lâmpada e o que está por dentro já mais irá ser atingido e quando a luz se apaga é apenas os que estão fora que ficam às escuras.  

 

                    És para mim a coisa mais linda.
            Estares na minha vida é um sonho realizado,
                          É a utopia na minha vida?
                  É a realidade que agradeço todo dia…
                          É a força que desejei,
                    És o amor que eu queria amar,
         Mas será que nunca te amei como devia amar?
                 Tudo isto é você meu amor...,
                                   Minha luz...,
                            Minha paz e meu calor,
                                 Ainda há quem pense

                          que nosso amor não existe...

                            mas  o amor existe À nossa maneira 

                     E a amizade da maneira mais pura...



FOI DIFERENTE DOS QUE OS HUMANOS PROGNOSTICARAM CONTINUAMOS UNIDOS JÁ POR MAIS DE 20 ANOS!

ESCRITO EM  ABRIL 2018 


 Lembra-te de que a vossa forte união, foi selada por Mim com selo apertado e quase que como algo hermeticamente, nenhum vírus vos separará! 
Tal como em Jó 41: 15-17 se descreve, estais tão unidos, tão perto, que nem o ar passa. 
Estais tão ligados um ao outro, que não será possível qualquer separação!

                                            PUBLICADO EM  04/08/2021
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MAIS UM CANAL DE VIDEOS DAS NOSSAS VIAGENS

MINHA LUZ GOSTA DE CRIANÇAS!
QUEM QUER UMA BABÁ DE LUXO?
PRECISAMOS DE NETINHOS! DIZ ELA!
ACHO É QUE ELA QUER MESMO É IR AOS EUA



terça-feira, 3 de agosto de 2021

O MEU CANAL DE VIDEOS




IDOSOS E FELIZES NUMA ALDEIA ESPIRITUAL NA ITÁLIA

                                          UM CANAL DA MINHA QUERIDA LUZ




 
https://www.youtube.com/channel/UClAuiW-p6wTtGzYGeNasRcQ

AS MINHAS CITAÇÕES

                                                              Tempo de meditar:
 

                                                             Tema Coragem

                                Quem tudo teme ao decidir, nada teme ao agir!



sábado, 29 de maio de 2021

CÃO, CACHORRO, CACHORRÃO, CACHORRÃOZINHO E CAINÇO 


Quanto a animais de companhia, há hoje quem tenha cobras e lagartos, peixes e patos, coelhos e salamandras. Mas eu continuo a considerar apenas gatos e cães, como possíveis companheiros. E as minhas claras preferências vão para os gatos.

É óbvio que respeito quem prefere os cães; mas para quem vive num apartamento, mesmo grande e luxuoso, numa cidade, se tiver um cão tem de passeá-lo na rua quer chova quer faça sol e isso não me é muito agradável, especialmente no Inverno, quando chove. Um gato não me exige essas saídas. Além disso um gato não me perturba, o maior ruído que faz na casa é o seu ronrom ou uma miadela delicada. Não se compara com o ladrar, ou melhor dizendo, o “esladrunçar” de um cão. Eu criei a palavra esladrunçar para dar ênfase à falta de sentido do habitual ladrar. O que eu quero dizer é que um cão, Cão com letra grande, no seu perfeito juízo, consciente da sua dignidade, tendo presente a sua missão e o seu papel na sociedade, ladra; quando fora de si, quando deficiente mental, ou, enfim, quando simples cainço da classe baixa entre os cães, “esladrunça”.

Aos amigos que adoram cães, eu não manifesto estes meus sentimentos; pelo contrário, sou amável e pergunto até pelo seu cachorrãozinho. É outra palavra que não existe nos dicionários, mas eu inventei-a para exprimir a minha antipatia com as primeiras três sílabas (cachorrão…) e uma diplomática simpatia com as duas últimas (…zinho, em cachorrãozinho!). Quando um amigo ou vizinho anda a passear o seu, ele, como animal, deve entender a minha pouca simpatia com os da sua espécie… e “esladrunça” logo, arreganhando-me a dentuça…

E eu, diplomaticamente, vou sorrindo e dizendo ao meu amigo ou vizinho: − Parece que o seu cachorrãozinho não está a simpatizar comigo…

21 de agosto de 2019


terça-feira, 20 de abril de 2021

À MINHA QUERIDA ESPOSA LUZ

VIVER? OU NÃO VIVER? 

Viver ou não viver é uma pergunta que tenho feito a mim próprio várias vezes. Serei preciso neste mundo? Serei útil para alguma coisa?

Filhos, tenho dois, mas não precisam de mim para nada e esperam apenas o fim da minha vida, na esperança de herdarem alguns bens materiais… 

Primos, sim ainda tenho alguns, aliás todos mais velhos que eu… Irmãos, não tenho nem tive. 

Pais, tios e avós, pela ordem natural das coisas, tive-os, lembro-me deles com saudade, mas já não estão cá… Até companheiros e companheiras de infância, não brinquei muito, mas enfim tive alguns e algumas, certo é que eu era o mais novo na escola, e isso, está claro, também significa algo!

O que é que me prende à vida, não será com muita força, mas ainda é suficiente para eu me ir arrastando por cá? 

É a imensa preocupação de fazer falta à minha querida Luz. 

Tenho a impressão que ela sentiria a minha falta. Chama-me muitas vezes, para a ajudar em pequeníssimas coisas. E eu quero estar sempre lá, disponível, com calor humano.

Reconheço que nunca acredita no que eu digo quando já tem uma ideia feita sobre o que quer que seja… mas esta dúvida paira sempre no meu espírito: talvez eu lhe fizesse falta, por certo far-lhe-ia falta, se não estivesse presente.

Vou hoje, dia 1 de novembro de 2020, acrescentar umas palavras que estão publicadas na página do jornal Diário de Coimbra, dedicada à necrologia. 

Junto a uma foto do Eng.º José Maria Henriques (que aliás nunca conheci) vem o texto seguinte, intitulado 2 Anos de Eterna Saudade:

“Passaram dois anos sem a tua presença, por vezes ainda me custa acreditar que é verdade. 

Sinto falta do teu abraço, da tua voz e da tua atenção sem limite. 

As recordações e as lindas memórias que me deixaste vão atenuando a saudade. Descansa em paz, meu amor.” 

Assinado “LUCAS”.

Penso que a minha querida Luz talvez assinasse um texto igual.  

Tento pôr tudo na mão de Deus. Gosto muito dela e peço a Deus que ela continue a meu lado, até eu chegar a velhíssimo, e ela que tenha sempre saúde até bem para lá dos noventa…

Coimbra, 11 de fevereiro de 2018

quinta-feira, 15 de abril de 2021

TER OU NÃO TER SAUDADES!


 

Recordo muitas vezes o meu pai. José Simões Pereira Júnior era o seu nome, igual ao do pai dele que só não tinha o Júnior: esta igualdade de nomes era habitual no princípio do século XX, quando ele nasceu em 1904.

Recordo-o com saudade e às vezes pergunto-me o que poderei eu fazer para mostrar o quanto o amei e o compreendo. A resposta é: Nada! Ele faleceu em 1990 e, religiosidade à parte, nada me permite comunicar com ele.

Lembro-me do que ele sofreu, sempre calado. A minha mãe, pessoa doente dos nervos, fez-lhe coisas terríveis. Acredito que não o fazia por mal, era consequência do seu temperamento doentio; mas as coisas que fazia chegaram a ser diabólicas.

Por que motivo ela agiria assim? Parece que se sentiu chocada logo após o casamento. Ela queria pertencer à alta sociedade e, portanto, gostaria de estar rodeada por gente dessa alta sociedade. Nos seus antepassados até havia uns nobres, com título dado pelos monarcas de então.

Ora as irmãs do meu pai, todas, dez anos, pelo menos, mais velhas que ele, eram gente da classe média; uma delas, a minha tia Augusta, era casada com um homem que hoje se diria um empresário… mas a sua empresa era um pequeno supermercado que ao tempo se chamava mercearia; e o dono de uma mercearia era chamado um merceeiro, palavra que até se usava como sinónimo de grosseirão, mal-educado. Outra irmã, a minha tia Assunção, era já viúva; tinha tido um problema de circulação que lhe fez ficar com a face assimétrica, doença frequente naquele tempo, hoje ao que me parece bastante rara ou talvez capaz de recuperação. Enfim a terceira irmã, minha tia Piedade, era casada com um proprietário rural: na sua quinta criavam galinhas, porcos e vacas e produziam também vinho e azeite. É claro que, rodeados de porcos e vacas, à alta sociedade também não pertenciam.

Mas o que mais dececionava a minha mãe era o modo como elas se vestiam: como aldeãs, com xaile (não casaco) e lenço (não chapéu) na cabeça, e todas sempre de preto; naquele tempo este era o trajo típico das gentes simples do campo!

Terá sido o ter vivido nos primeiros tempos de casamento na mesma casa onde, pelo menos uma delas, a Augusta, também vivia, que mais exacerbou o nervosismo da minha mãe. De facto essa convivência não terá durado muito, pois entretanto essa minha tia e o marido arranjaram casa para eles, mesmo assim a minha mãe dizia-se traumatizada pois que elas a olhavam, sem xaile nem lenço, como uma jovem demasiado moderna. Não sei se elas o pensariam ou se a ideia nasceu apenas na imaginação da minha mãe.

Eu disse acima que ela fez coisas terríveis contra o meu pai. Vou exemplificar: meu pai tinha tirado a sua licenciatura em Medicina com altíssimas classificações e fora nomeado logo assistente da Faculdade o que era ao tempo equivalente a estudante graduado que prepara um doutoramento. Aconteceu que na ausência do seu mestre, o professor Ângelo da Fonseca, chegou ao hospital universitário um doente que, ou era operado imediatamente ou teria poucas probabilidades de sobreviver. E o meu pai resolveu operá-lo e salvou-o, mas isso foi considerado uma falta de respeito pelo mestre – então um discípulo já sabe fazer o que o mestre faz? – e o meu pai foi demitido. Espantoso, dir-se-á, mas foi assim!

O meu pai foi então trabalhar como médico militar e entretanto tornou-se um cirurgião de sucesso.

Ora tinham já decorrido uma ou duas décadas, o seu velho mestre já estava certamente aposentado e o meu pai teve nova oportunidade para se candidatar ao doutoramento. Andava a preparar uma dissertação, nas horas que o seu trabalho no hospital militar e no seu consultório privado lhe deixavam livre. E o que fez a minha mãe num dos seus ataques de nervosismo? Queimou todos os seus papéis e apontamentos! Num tempo em que não havia computadores e pens ou flash drivers para ir guardando o que se escrevia, o meu pai perdeu literalmente todo o seu trabalho. Nunca lhe ouvi uma queixa. Mas também nunca mais pensou em doutoramento. Eu, que teria então os meus 6 ou 7 anos, só me apercebi de tudo quando vi restos de papel e livros queimados, e então ele disse-me o que tinha acontecido. Mas sem o mínimo vestígio de zanga ou revolta.

Não creio que meu pai tenha esquecido isto. Mas, como diz um personagem do romance Um que não mentiu de Nuno de Montemor, “Deus manda perdoar, não manda esquecer!”

Obrigado, querido pai, por esta e outras lições de calma e auto-domínio que assim me deste. Quem dera que pudesses ouvir este meu agradecimento.

 

Newark, Delaware, 3 de julho de 

quinta-feira, 8 de abril de 2021

NOSSA PROFESSORA PRIMARIA: Sra. D. Feliz dos Anjos Afonso.

Casa da Sra. D. Feliz nossa professora primária 



PAIS & MINGOCHO 

A Maria Júlia Pais e o António Manuel Mingocho foram meus condiscípulos na Escola Primária, como então se dizia dos quatro primeiros anos de escolaridade. Frequentámos esse tempo de escolaridade numa instituição privada que funcionava na residência da própria professora, a Sra. D. Feliz dos Anjos Afonso.

Era junto do Largo de Celas, em Coimbra, e tanto a Júlia como o António viviam ali perto, pois os respetivos pais eram donos de uma mercearia (hoje dir-se-ia um minimercado) chamado Pais & Mingocho cujos clientes eram, na grande maioria, moradores daquela zona.

Perdi o contato com a Maria Júlia da qual nada sei. Mas com o António não perdi e, infelizmente, ele faleceu há poucos dias aqui em Coimbra. Tive a possibilidade de apresentar pessoalmente os meus sentimentos à sua viúva, a qual aliás também era minha conhecida, pois era docente na Universidade de Coimbra, tal como eu, ela na Faculdade de Letras e eu na de Ciências e Tecnologia.

 Se a viúva quiser contatar comigo tem aqui o meu e-mail: siper@mat.uc.pt

16 dezembro 2020

terça-feira, 6 de abril de 2021

CIENCIA E FÉ

SER CIENTISTA E CRER EM DEUS


 

A Deus, há uns que chamam Alá, outros Jeová, outros Iavé, outros Adonai, e até já vi, na Internet, uma lista com 72 nomes ao todo! O mesmo acontece connosco, humanos; a mim, por exemplo, há quem chame José, outros apenas Zé, outros ainda José Manuel, Zé-Manel ou Simões Pereira. Eu sou sempre eu, mas respondo a vários nomes.

Vejo-me a mim próprio como cientista e creio em Deus. Como não pertenço a nenhuma religião, por outras palavras, não sigo hoje nenhum regime de culto, não uso qualquer daquelas designações quando quero falar com Ele para lhe agradecer alguma graça ou lhe pedir algum favor. Chamo--Lhe somente, ó Deus!

Tenho ouvido e lido opiniões que exprimem uma imaginária incompatibilidade entre Deus e a Ciência. Habituados a encadear raciocínios lógicos, os cientistas reconhecem-se incapazes de provar a existência de Deus como se se tratasse de provar a existência de um exoplaneta que eles observariam em vídeos gravados por algum telescópio enviado para o espaço; ou de um elemento químico numa amostra liquida que lhes trouxessem ao laboratório e que eles verteriam de um tubo de ensaio para outro tubo de ensaio, ora aquecendo-a, ora arrefecendo-a; ou de células sãs ou doentes num tecido animal ou vegetal que contemplariam através de ultramicroscópios ou outros equipamentos sofisticados.

Facto é que a realidade não pode ser analisada toda ela do mesmo modo. Eu recordo sempre a mulher gravemente ferida num acidente que a politraumatizou, a qual, ao ter alta do hospital, agradeceu à equipa médica a forma como cuidaram dela reconhecendo-se até, nas suas palavras alegres, um toque de humor: “Escapei à morte com o vosso auxílio e também pelo facto de Deus não querer, por enquanto, a minha alma no Paraíso!” O médico chefe afirmou-lhe que não tinha necessidade nenhuma de lhes agradecer, pois tinham apenas feito o melhor que sabiam, e, agnóstico que era, também com algum humor acrescentou: “Mas olhe que a sua alma, não a vimos em parte alguma, fora ou dentro do seu corpo! E olhámos para tudo com muita atenção!” Ao que ela, por sua vez, redarguiu, perguntando-lhe, também sorrindo, “se, porém, tinham visto algures, lá dentro ou cá fora, o grande amor que ela tinha pelos seus três filhos.”

É um episódio simples que aponta não ser possível analisar toda a realidade com os mesmos métodos e as mesmas ferramentas. E quem usa o seu intelecto para trabalhar como investigador científico tem de compreender este facto incontestável: que a realidade não tem toda os mesmos predicados, não pode portanto ser analisada, toda ela, com as mesmas técnicas, os mesmos utensílios. Isto que a mim parece evidente, é esquecido por muita gente, cientistas, artistas ou humanistas, eruditos ou analfabetos!

A minha experiência, ou, talvez melhor dizendo, a minha convivência com Deus enriqueceu a minha vida; os momentos, os episódios, as evoluções e os desenlaces que me convenceram que Deus existe e interfere connosco foram tão intensamente significativos que apagaram qualquer dúvida que alguma vez tivesse existido no meu entendimento. Embora eu nunca tenha visto nada do que outros chamam milagres: nem vi Deus manipular a Física, transformando por exemplo moedas em rosas, nem contemplei qualquer bailado do Sol subitamente aparecido de entre nuvens chuvosas; talvez a minha virtude não seja tanta que eu mereça assistir a momentos desses; nem, muito menos, a recriações de momentos bíblicos, como seria ver mortos ressuscitando ou anjos voando pelos céus. Mas o que vivi foi suficiente para perceber atitudes hediondas de gente que se diz profundamente religiosa e agradecer a Deus que tenha usado tais atitudes para me agraciar com acréscimos de fé; ou verificar a espantosa animosidade, direi mesmo rancor, de alguém que toda a vida eu amei como um louco e perceber que Deus o terá feito acontecer para eu não sofrer terrivelmente com a morte dela.

Termino! Para mim, Deus não se prova como um teorema de Matemática ou com uma experiência de Física, Química ou Biologia num laboratório ricamente equipado! Deus não se prova, pese muito a Kant, com métodos científicos. Mas também não se exclui com quaisquer desses métodos. Como o amor pelos filhos da doente politraumatizada, Deus sente-se, mas não se vê! E há quem não sinta a presença d’Ele, nem sequer, consequentemente, creia que Ele existe!

Por isso, eu concordo que a Ciência, no seu estado atual e provavelmente em todo o seu futuro, não vai esclarecer se Deus existe ou não. Embora cada um de nós, quer sejamos cientistas, artistas, humanistas, profissionais de qualquer outra atividade, ou até inativos, possa viver de acordo com uma ou outra destas duas convicções: Deus existe ou Deus não existe; e justificá-la, ou pelo menos interpretá-la, com a decorrência da própria vida.

Lisboa, 23 de novembro de 2017

quinta-feira, 1 de abril de 2021

                                  RUI AGONIA PEREIRA

                                                          Foi um grande amigo.

Recordo a década de 60 do século XX, quando ambos trabalhámos no Centro de Cálculo Científico do Instituto Gulbenkian de Ciência, então instalado ao cimo da Rua Dom João V, em Lisboa. Fomos pioneiros em Portugal no uso de computadores; o IBM 1620 instalado no Centro era um dos dois únicos computadores que existiam no País, estando o outro instalado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

Recordo também o nosso contato em Coimbra, uns anos mais tarde. O Rui escreveu uma tese digna de um Ph.D., mas Coimbra não via com bons olhos quem se quisesse doutorar sem estar já a exercer a docência na sua Universidade na qualidade de Assistente, como era a nomenclatura naquele tempo. Não consegui que o aceitassem como candidato ao doutoramento; certo é que eu não tinha poder nenhum, embora já lá trabalhasse como docente de Matemática; eu não era professor catedrático e só estes é que tudo decidiam. Além disto, o doutoramento era naquele tempo uma consagração: só havia um ou dois por ano letivo e os candidatos não eram jovens, mas sim pessoas nos seus trinta e muitos ou mesmo nos seus quarenta ou cinquenta anos de idade.

O Rui não renunciou, face a essa situação antipática, a uma carreira no ensino superior. Foi um tempo de criação de inúmeras universidades privadas e ele foi nelas figura de proa. Lembro-me de me ter convidado – e eu aceitei – para lecionar no ISLA de Lisboa (hoje Universidade Europeia) numa licenciatura em Matemática por ele fundada.

Fora de recordações profissionais, lembrarei que ele e a esposa, Maria Alice, foram padrinhos do meu casamento com a Maria da Luz no dia 1 de setembro do ano 2001. E foi por sugestão e a convite dele que iniciámos a nossa lua de mel em Ofir, num muitíssimo simpático hotel onde ele nos tinha feito reserva de quarto!

Nada mais direi… Presto aqui a mais sentida homenagem à memória deste grande amigo que agora nos deixou.

Coimbra e Lisboa, 15 de fevereiro de 2021.

 

sexta-feira, 19 de março de 2021

VIAJAR NO TEMPO

ANDAR NO TEMPO

 


Ouvi um pouco de uma palestra em que o orador se interroga o que pensará cada um de nós no momento de morrer.

Claro que todos nós sabemos que morreremos. Mas esta pergunta é, na minha opinião, um pouco pateta, se o que ele pretende saber é o que se passa nos últimos minutos ou talvez segundos antes da nossa morte. Se é esse o sentido da sua pergunta, é quase o mesmo que perguntar em que pensamos nos minutos ou segundos antes de adormecermos, todos os dias.

A minha resposta à pergunta se feita neste sentido é “não sei!” Se porém a pergunta não se refere aos últimos segundos, mas é feita no sentido geral, aí eu posso responder por mim: Penso no que fiz em vida, na obra que deixo neste mundo. E fico tranquilo, pois acho que a minha vida foi produtiva.

Quanto ao “depois da morte” sou crente que Deus existe mas quanto à existência de um Paraíso ou de um Inferno… tenho sérias dúvidas. E quanto à ressurreição? Por estranho que isto possa parecer a quem me ler, acredito nela, sim! Porquê? Como?

É que eu creio no avanço da Ciência e da Tecnologia, que aliás está diante dos nossos olhos todos os dias. E, num futuro de, talvez quinhentos, talvez mil anos, acredito que será possível viajar no tempo. Teorias da Física contemporânea já admitem que o tempo é uma dimensão do Universo; e sendo assim vai ser possível deslocarmo-nos ao longo dele, para a frente e para trás, para usar uma linguagem um pouco ingénua. Mas a ideia não é ingénua. Terá a ver com a existência de “universos paralelos” e, se eles de facto existem, virá o dia em que nos movemos entre eles. Nessa altura, a Eternidade deixou de ser um tema exclusivamente religioso para ser científico também; e a Ciência e a Teologia serão claramente irmãs gémeas. Os sonhos alimentados durante milénios pelas religiões vão tornar--se realidade.

Perguntar-me-ão se realmente acredito que tais sonhos se venham a realizar. Sim! E haverá mais gente a acreditar no mesmo? Na minha resposta, pergunto por minha vez: − Quantas pessoas terão previsto, há mil anos, a existência de aviões, satélites artificiais, viagens à Lua, telecomunicações de alcance mundial, GPSs, análises e manipulações genéticas?

Coimbra, 31 de dezembro de 2020

DEUS E A BOMBA ATÓMICA,

ou: Como Ele apoia os cientistas


 

Como trabalhador científico que assim me considero, tenho meditado muitas vezes no que é a criação humana – mais precisamente, aquilo a que muitos chamam criação humana.

Não me pronuncio sobre criação artística, pois é uma atividade longe da minha vivência. Mas quanto à “criação científica”, hoje estou convencido que, no que respeita à Ciência, ela é fruto da inspiração divina que Deus nos concede. Certo que nos devemos sentir honrados pela ajuda divina dada ao nosso trabalho, por esta colaboração entre nós e Deus. O autor ou os autores do Génesis deviam, na minha opinião, ter acrescentado às ordens dadas a Adão quando Deus o expulsou do Éden, uma palavra que Deus terá dito explicando a Adão “olha que ao trabalhares para conseguires o teu sustento vais ficar a colaborar comigo e isso é uma honra para ti! Os outros seres vivos, ao contrário do que faço contigo, não precisam de trabalhar para viver, não lhes dou a oportunidade de colaborarem comigo; dou-lhes Eu tudo pois eles de nada são capazes!”

Todas as conquistas da Ciência e da Tecnologia, da roda e do acender do fogo até às dos nossos dias, têm sido – eu creio – inspiradas por Deus, como que “segredadas ao ouvido” dos que na Terra as concretizaram. O seu objetivo tem sido sempre melhorar a nossa existência. Embora por vezes tenham sido mal usadas. Luz Compasso diz que devemos sempre perguntar a Deus se o que tencionamos fazer nos leva para o bem ou para o mal; ela afirma que Deus está sempre disponível para nos informar. Só que poucos se dedicam a esse diálogo com a fonte divina e, por isso, há os bem-intencionados que fazem coisas monstruosas. Basta pensar no que foram as Cruzadas ou outras movimentações análogas. Os que nelas participaram estavam convencidos que serviam o “seu” Deus. Além disto, concordo que nem tudo é facilmente compreensível; repare-se na objecção que alguém me fez perguntando-me “se acredito que a bomba atómica foi um avanço da Ciência que foi inspirado por Deus.”

Este caso da bomba atómica é exemplar, mas, por estranho que possa parecer, eu admito que também foi uma benesse para os humanos. É já tradicional dizer-se que, sem ela, a II Guerra Mundial não teria acabado tão depressa e o número de mortos que a sua continuação provocaria seria superior aos duzentos e tal mil que perderam a vida em Hiroxima e Nagasaki, as duas cidades japonesas que foram até hoje as únicas no Mundo vítimas de bombardeamentos atómicos. Ora a esta argumentação tradicional, eu acrescento: durante os mais de quarenta anos entre 1945 e 1989, a animosidade entre as super potências de então, os EUA e a URSS, foi permanente; foi o período da chamada Guerra Fria. Se não houvesse bombas atómicas nos arsenais destas duas super potências é muito provável que entre elas teria rebentado uma Guerra Quente que se tornaria uma III Guerra Mundial e o número de vítimas teria sido incalculável. Cada uma daquelas duas super potências receava o arsenal da outra e por isso cada uma delas se conteve, não dando à outra pretexto para uma ação militar. Penso que devemos à bomba atómica o mundo não ter sido vítima de uma tremenda catástrofe. E desde 1989 para cá, outras situações de tensão entre países com a bomba atómica nos seus arsenais terão certamente ocorrido. Por outras palavras, e isto talvez seja uma verdade arrepiante, mas a bomba atómica trouxe realmente paz ao nosso planeta! Consequentemente, eu estarei grato a Deus, precisamente pensando que Ele sugeriu a sua criação aos que nela trabalharam.

 

Coimbra, 2020-10-10

 

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