sábado, 13 de setembro de 2008

SÓ HOJE É QUE O MUNDO ESTÁ PERDIDO?

UMA PERGUNTA AOS PESSIMISTAS: SÓ HOJE É QUE O MUNDO ESTÁ MAL? (*)

Mas então não há coração no mundo? Nunca houve? Não vai haver?

Por toda a parte se vê efusão de sangue, homicídios, furtos, fraudes, corrupção, infidelidade, revolta, perjúrio…

Males do nosso tempo? A transcrição não é dos média de hoje… É um versículo da Bíblia, Livro da Sabedoria, capítulo 14, versículo 25

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(*) Extracto do livro de Zé-Manel Polido: “Amor, Solidão e Fé”, Editora Luz da Vida (Rua Mário Pais, 16-0-A, 3000-268 Coimbra), Fevereiro 2004.

© Editora Luz da Vida, Lda.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

AMAR O PRÓXIMO! MAS QUEM É O PRÓXIMO?

O AMOR AO PRÓXIMO E A HABITUAL MAS ERRADA INTERPRETAÇÃO DO TEXTO BÍBLICO (*)

Deus fez-me ver que o precioso e maravilhosamente lapidado diamante que eu pensava ser o amor dela era afinal um estilhaço de vidro velho. E assim me aliviou a dor de o ter perdido. [ … ]

– “Ajuda-me, ó Deus, a nunca mais o esquecer! E se eu reconheço o teu amor por mim, ajuda-me a corresponder-lhe. Há momentos da vida em que nos pedes firmeza, desassombro, assunção plena da nossa dignidade, criada à imagem da Tua. Em que não há lugar para branduras. É nisto que me reconheço culpado. É nesta linha de pensamento que, diante de Ti, o mais importante grito desta página é um pedido de perdão que Te venho fazer pelo bem que desacertadamente pratiquei e por ter amado tanta gente errada!

Reler o teu Evangelho ajudou-me a perceber quanto eu me enganei! Sim, está em Lucas, no capítulo 10, versículo 27: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” E depois vem a parábola do homem que caiu nas mãos dos salteadores e ficou jazendo na beira da estrada. A seguir, a pergunta frontal: “Dos três... (o sacerdote, o levita, o samaritano)... qual te parece ser o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?” E a resposta: “O que usou de misericórdia para com ele”. E Jesus aconselhou o seu interlocutor a “fazer do mesmo modo”. Tudo bem. Mas uma questão devia aflorar imediatamente ao nosso espírito: ─ Onde é que Cristo diz que “próximo” é sinónimo de “toda a gente”? Ele claramente perguntou qual dos três tinha sido o próximo do homem agredido; e não contestou a resposta que lhe foi dada, que foi aquele que o ajudou. Portanto, o sacerdote e o levita não o foram; nem, com muito mais razão, os salteadores. “Amarás o teu próximo!” não significa pois “Amarás toda a gente!”

O bom conselho de Jesus é que procedamos como o samaritano, que nos façamos próximos de quem de nós precisa. Mas àquele que por nós passa com indiferença, àquele que não usa de misericórdia para connosco, àquele que selvaticamente nos agride, a esses não nos exige que os amemos; pois nem diz para amarmos toda a gente – mas sim o próximo! – nem que o sacerdote, o levita e os salteadores foram, como o samaritano, igualmente próximos do homem agredido. É o que se lê, preto no branco, neste importante e tantas vezes citado capítulo dos Evangelhos!

Esta é para mim uma indicação clara que Deus não espera nem exige que retribuamos com amor a indiferença e, muito menos, a crueldade dos outros. Ao esquecermos este princípio, traímos a mensagem de Cristo. Falamos muito “no dar a outra face” e esquecemos o chicote com que Ele correu os vendilhões do templo ou a maldição que lançou à figueira pelo simples facto de ela não ter frutos. E com essa postura contribuímos para que a iniquidade continue.

Judeu que era – não o esqueçamos! – Cristo certamente terá lido esta afirmação que recordo ver citada do Talmude: “Quem é piedoso com os cruéis, acaba sendo cruel com os piedosos”. É por estes motivos que eu venho penitenciar-me. Por não ter interiorizado a parábola do samaritano e não ter conhecido o pensamento do Talmude, uma vez mais Te rogo, ó Deus:

– Perdoa-me! Não fui justo, não chicoteei os vendilhões, não amaldiçoei e fiz secar as figueiras que não me deram frutos!”

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(*) Estas linhas que questionam a totalmente ilógica mas sempre repetida interpretação que a Igreja Católica Romana dá à parábola do samaritano são extraídas do livro de Zé-Manel Polido: “Amor, Solidão e Fé”, Editora Luz da Vida (Rua Mário Pais, 16-0-A, 3000-268 Coimbra), Fevereiro 2004.
© Editora Luz da Vida, Lda.

sábado, 6 de setembro de 2008

UM POEMA DE LUZ COMPASSO

Várias personalidades (o Mário Soares e o Miguel Veiga, por exemplo) tiveram direito a escolher poesias para as antologias da série Os Poemas da Minha Vida que o jornal Público editou.

Eu também tenho o direito de fazer a minha escolha!

Por isso, sem comentários específicos que eles também não fizeram, vou afixar aqui um poema de Luz Compasso, extraído do seu livro "Roçai as Cordas da Harpa" (*):

FELIZ ÉS TU
Feliz és tu,
que viveste naquela
terra árida,
sem chuva,
sem vegetação,
sem lavrador e
sem semente
que germinasse no chão
do teu coração de pedra.
Porque agora é o tempo
em que não mais
terás pavor.
Eis que os teus inimigos
te observarão
quando subires
pela escada
e entrares
naquela porta
cheia de luz.

(*) Publicado pela Editora Luz da Vida, Rua Mário Pais, 16-0-A, 3000-268 Coimbra.

Se gostou, pode procurar na sua livraria ou pedir directamente à Editora. Custa 10 euros.

Com pre-pagamento as despesas de envio são por conta da Editora.

 

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