quinta-feira, 28 de junho de 2018

CATITINHA




RECORDANDO O CATITINHA

É verdade, há 70 anos, a Figueira da Foz era chamada a rainha das praias de Portugal! Ao Algarve ia-se, sim, para ver as amendoeiras em flor… mas praias não as havia por lá. 
À volta de Lisboa, havia Paço d’Arcos, o Estoril, Cascais, o Guincho, enfim, mais para o norte havia a Foz do Arelho, a Nazaré… praias para as famílias das classes alta e média alta daquele tempo… mas basta de nomes de praias dos anos a meio do século XX.

Quero falar-vos de um homem que percorria essas praias todas, uma figura típica e inesquecível para quem foi criança naquele tempo. 
Era o Catitinha!

Escrevo com maiúscula porque lhe servia de nome, de outro nome que ele por certo teria, não sei. Na Figueira da Foz, que eu frequentava, lá vinha ele, assobiando uma gaita e rodeado de criançada. Parece que o nome, muito mais que alcunha, provinha de ele ter por hábito dizer “Isso é catita!” Ele gostava de apertar a mão à miudagem e muitos o seguiam enquanto ele percorria a praia toda.

Eu era muito tímido, talvez medroso, creio bem que a mim ele nunca apertou a mão. Quando o via ou ouvia ao longe, escondia-me na barraca de praia, bem lá no fundo, para ele nem sequer me ver. 

O sujeito não me seduzia, direi mesmo, não me agradava olhar para ele, metia-me um pouco de receio, pois o via como um anormal! E parece que ele o era, tinha ficado doente mental após a morte de um filho; e por isso a proximidade das crianças certamente o consolava.

Olha, Catitinha, Catitinha, das minhas memórias, aqui fica hoje esta simples homenagem, tardia, mas sincera!

29 de abril de 2018



domingo, 15 de abril de 2018

RAMANUJAN E OS SEUS SONHOS


Srīnivāsa Rāmāṇujaṇ








A leitura do número de abril de 2018 da revista Notices of the American Mathematical Society veio recordar-me, num artigo de Edward Frenkel (pág. 410-412), a figura do extraordinário matemático indiano Srinivasa Ramanujan.

Este homem legou-nos fórmulas admiráveis, mas não as demonstrou! Dizia – e parece que não pode ser de outro modo – que muitas fórmulas lhe eram comunicadas em sonhos por uma deusa chamada Namagiri.
Ele próprio disse que, ao acordar, ia rapidamente escrever as fórmulas num caderno de apontamentos.
Causa espanto que as referidas fórmulas vieram a ser provadas verdadeiras, muitas vezes depois de árduo trabalho de matemáticos em época posterior ao tempo de Ramanujan.

Conhecemos os testemunhos de inúmeros cientistas, entre eles vários matemáticos, que descrevem terem vivido situações semelhantes, dizendo que seria o seu Deus, qualquer que seja o Seu nome, realmente a inspirá-los no seu trabalho, talvez através de sonhos ou de outros meios que trazem à nossa consciência verdades científicas das quais de outro modo não nos aperceberíamos!

Pessoalmente, sei de uma escritora de oráculos, Luz Compasso, que também se sente profundamente inspirada por sonhos: ela crê que eles são um meio usado por Deus para lhe dar informações.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

VERSOS



POESIA ou VERSOS?

Quando frequentei a escola, falaram-me de alguns poetas e das suas obras. Camões, por exemplo, e os seus Lusíadas, tão ao gosto do tempo salazarista, mas não só, claro; também de Guerra Junqueiro, António Nobre, Antero de Quental, Florbela Espanca de todos estes me falaram; António Aleixo, não recordo se o mencionaram, mas também o conheço desde há muito! Mostraram-me ou li versos destes todos!

Havia sempre naqueles versos algo que era difícil de imitar: tinham rima e métrica! A isso tudo se chamava Poesia.

Ora hoje a Poesia não é o mesmo que versos! A poesia contemporânea não tem rima nem tem métrica. Mais inesperado ainda: não se percebe o que diz, que mensagem traz, é constituída por frases metafóricas, sequências de palavras que podiam ter sido geradas por um sistema aleatório.

Alguns admiram quem escreve mensagens confusas e indecifráveis, há os que dizem ser bonito, genial, que é profundo.  

Por mim, já experimentei escrever poesia e também escrever versos. 

Não duvido agora que escrever frases sem sentido, sem métrica, sem rima é bem mais fácil que escrever um soneto.

Coimbra, 30 de setembro de 2017.




https://www.atariarchives.org/deli/write_about_itself.php

http://www.ubu.com/historical/racter/


 https://en.wikipedia.org/wiki/Computational_creativity

 

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