domingo, 14 de março de 2021

A CIÊNCIA E A TECNOLOGIA NÃO SÃO JOVENS!



Em lugar do título que dei a este escrito, talvez fosse mais sugestivo e mais simbólico ter escolhido um outro, a saber: A RODA ou O FOGO.

Há um hábito de pensarmos que a Ciência e a Tecnologia só começaram a existir numa época recente e que ser cientista é uma atividade que só se pratica há dois ou três séculos para cá. É certo que, como muito bem aponta Lúcio Russo no seu livro “The Forgotten Revolution”, editado pela Springer e com subtítulo “How Science Was Born in 300 BC and Why It Had to Be Reborn”, os gregos antigos já conheciam muito que veio a cair no esquecimento (ou a ser ocultado) no Ocidente Europeu durante a Idade Média e que só a época do Renascimento o redescobriu ou o voltou a destapar. Mas estes pontos de vista não serão, a meu ver, largamente conhecidos. E há muito mais para dizer:

− Então quem construiu as pirâmides do Egipto, não eram técnicos de grande envergadura? E antes deles, quem fabricou as primeiras enxadas não eram criadores de tecnologia? Os Sumérios, os primeiros que domesticaram plantas, semeando-as, não eram cientistas? E quando descobriram que, regando-as, elas cresciam mais depressa ou tornavam-se mais produtivas, não eram cientistas? Não desenvolveram a tecnologia do seu tempo? Técnicos e cientistas do seu tempo, claro, quando aquilo que eles fizeram era novidade e constituiu passos notáveis para melhorar a vida dos seus contemporâneos.

Invoquemos a roda ou invoquemos o fogo, melhor dizendo, a capacidade de fazer fogo! São símbolos marcantes do progresso tecnológico de há milénios, imagens que para mim serão sempre logótipos da capacidade humana de inventar! Talvez nenhuma tecnologia contemporânea rivalizará com eles na sua perenidade!

A Ciência e a Tecnologia existem, a meu ver, desde que a Humanidade fez qualquer coisa para facilitar a sua sobrevivência; há milhares de anos, portanto, há muitos milhares mesmo! Acreditar que Ciência e Tecnologia só existem no nosso tempo, ou que nasceram pouco antes, é uma injustiça para com os muito antigos!

24.novembro.2019

sexta-feira, 12 de março de 2021

Assunção - minha babá e muito amiga


Estou em Lisboa e lembro-me hoje muito de ti, talvez porque aqui, nesta casa, viveste como minha doméstica e acompanhaste o meu dia-a-dia. Foste na minha primeira infância minha babá, como se diz no Brasil. A minha amizade por ti ainda a sinto e sentirei por certo no resto da minha vida!

Vejo em pensamento a tua figura à porta do meu quarto enquanto eu, sentado à escrivaninha, ia estudando ou escrevendo os meus trabalhos. Tenho saudades de ti. Talvez em breve nos reencontremos, se for verdade, o que dizem certas religiões, que a vida continua, noutro Mundo, depois da nossa morte.

Até breve, minha boa amiga Assunção!

Lisboa, 2020-fevereiro-22

domingo, 7 de março de 2021

MARCELO CAETANO

 

Referi Marcelo Caetano, o sucessor de Salazar no poster sobre Duarte Pacheco e Veiga Simão. Sinto que devo aqui dizer uma palavra sobre a minha opinião pessoal de Marcelo Caetano.

Quando assumiu a sucessão de Salazar deu alguns sinais que algo iria mudar. Infelizmente não levou avante o que pareceu ser a sua decisão inicial. Constou na altura que o Presidente da República e as forças conservadoras o terão pressionado e convencido que qualquer mudança, por mais que tentasse fazê-la passo a passo, iria derrapar. O que realmente aconteceu após o 25 de abril relativamente às então colónias: não se tornaram independentes progressivamente, mas sim precipitadamente.

Talvez pois devido às pressões que sentiu, Marcelo nada mudou. E daí a heroicidade de Veiga Simão, que na sua área de ação realmente mudou muito.

 

 

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