DUARTE PACHECO E VEIGA SIMÃO
Dois heróis que entusiasmaram a
minha imaginação. São o engenheiro e político Duarte Pacheco, cujo nome ficou
ligado a um viaduto de Lisboa e o físico e político Veiga Simão, cujo nome
podia ter sido dado a uma das muitas universidades que fundou.
Duarte Pacheco foi ministro das obras públicas num governo de
Salazar, no princípio da década de 40 do século XX. Num tempo em que ainda
circulavam nas ruas das cidades carros de bois e carroças puxadas por um ou
dois cavalos, ele lançou a construção da primeira auto-estrada do País, entre
Lisboa e o Estádio Nacional, com uns 7 ou
José Veiga Simão foi outro dos meus heróis. Doutorou-se na
Universidade de Coimbra em Física e foi catedrático nesta universidade. Mas
notabilizou-se na ação política. Inicialmente como primeiro reitor da
universidade do Maputo (então Lourenço Marques) cuja fundação ele impulsionou,
tal como impulsionou a universidade em Angola. Não se deixou vencer pelos que
se opunham á criação destas escolas, sob o pretexto que seria impossível
encontrar professores com a competência necessária para nelas exercerem a
docência. De facto naquele tempo havia universidades apenas em Lisboa, Coimbra
e Porto e o número de doutoramentos em cada área era de um ou dois por ano
letivo. Mas Veiga Simão não desistiu e Angola e Moçambique ficaram com as suas
universidades.
Maior ainda foi o arrojo de Veiga
Simão quando, mais tarde, no cargo de Ministro do Ensino Superior no governo de
Marcelo Caetano, levou a cabo a fundação (ou refundação, no caso de Évora) de
numerosas universidades em Portugal: Aveiro, Braga, Trás-os-Montes e Alto
Douro, Covilhã, Évora, Nova de Lisboa, Algarve, Madeira passaram a existir. Num
País em que só havia ensino superior nas três cidades acima referidas, o
aparecimento quase simultâneo de tantas instituições foi uma verdadeira
revolução. Não esqueçamos que ainda estávamos na vigência do Estado Novo,
embora o primeiro-ministro já não fosse Salazar, mas sim Marcelo Caetano.
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