sábado, 27 de fevereiro de 2021

DUARTE PACHECO E VEIGA SIMÃO



DUARTE PACHECO E VEIGA SIMÃO

 

Dois heróis que entusiasmaram a minha imaginação. São o engenheiro e político Duarte Pacheco, cujo nome ficou ligado a um viaduto de Lisboa e o físico e político Veiga Simão, cujo nome podia ter sido dado a uma das muitas universidades que fundou.

 

Duarte Pacheco foi ministro das obras públicas num governo de Salazar, no princípio da década de 40 do século XX. Num tempo em que ainda circulavam nas ruas das cidades carros de bois e carroças puxadas por um ou dois cavalos, ele lançou a construção da primeira auto-estrada do País, entre Lisboa e o Estádio Nacional, com uns 7 ou 8 quilómetros de extensão. Na saída de Lisboa, a auto-estrada atravessa um vale num viaduto que também é imponente: é o mais longo na cidade de Lisboa. Duarte Pacheco faleceu num desastre de automóvel e o seu tempo como ministro foi curto. Mas marcou a história das vias de comunicação de Portugal.

 

José Veiga Simão foi outro dos meus heróis. Doutorou-se na Universidade de Coimbra em Física e foi catedrático nesta universidade. Mas notabilizou-se na ação política. Inicialmente como primeiro reitor da universidade do Maputo (então Lourenço Marques) cuja fundação ele impulsionou, tal como impulsionou a universidade em Angola. Não se deixou vencer pelos que se opunham á criação destas escolas, sob o pretexto que seria impossível encontrar professores com a competência necessária para nelas exercerem a docência. De facto naquele tempo havia universidades apenas em Lisboa, Coimbra e Porto e o número de doutoramentos em cada área era de um ou dois por ano letivo. Mas Veiga Simão não desistiu e Angola e Moçambique ficaram com as suas universidades.

 

Maior ainda foi o arrojo de Veiga Simão quando, mais tarde, no cargo de Ministro do Ensino Superior no governo de Marcelo Caetano, levou a cabo a fundação (ou refundação, no caso de Évora) de numerosas universidades em Portugal: Aveiro, Braga, Trás-os-Montes e Alto Douro, Covilhã, Évora, Nova de Lisboa, Algarve, Madeira passaram a existir. Num País em que só havia ensino superior nas três cidades acima referidas, o aparecimento quase simultâneo de tantas instituições foi uma verdadeira revolução. Não esqueçamos que ainda estávamos na vigência do Estado Novo, embora o primeiro-ministro já não fosse Salazar, mas sim Marcelo Caetano.

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Ditulis Oleh : J. M. S. Simoes-Pereira // 20:11
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