sábado, 6 de março de 2021

CRISTINA E SEUS MEDOS


 

MEDOS MÓRBIDOS E COMO ELES NOS AFETAM

 A mãe dos meus filhos pediu o divórcio e assim acabou com o nosso casamento porque, vivendo nós nos EUA, ela tinha medo que eu trouxesse os filhos para Portugal. 

A razão é que ela acreditava que a URSS ia dominar toda a Europa. Como tinha passado a sua juventude na Roménia, então sob a égide de Ceausescu, e sabia a opressão que viveu num regime comunista, não queria de modo algum que os nossos filhos viessem a passar pela mesma experiência. Não consegui convencê-la que ver a Europa Ocidental nas mãos da Rússia era demasiado improvável para nos assustar.

 Aconteceu que o nosso divórcio foi decretado em 27 de junho de 1989 e, 4 meses e 12 dias depois, a 9 de novembro desse mesmo ano, caía o muro de Berlim e com ele a hipotética ameaça do domínio soviético sobre e Europa. Pelo contrário, os países europeus que formavam a chamada Europa de Leste, todos mais ou menos submetidos ao jugo de Moscovo, libertaram-se desse jugo e escolheram os seus novos governos. 

Aconteceu assim o contrário do que a mãe dos meus filhos temia. E este desenlace ocorreu rapidamente!

Foi um caso típico na minha vida em que um medo mórbido me afetou gravemente!

                                                                            2021.março.6

segunda-feira, 1 de março de 2021

COACHES? NO!

 

NOT BORN TO BE CARRIED ON BY OTHERS!

 

Have you ever been obedient to a coach? Imitated a role model? Followed a leader?

To all these questions my answer is: No!

 

Coaches, role models, leaders… no such people ever crossed my way! They would have no effect on me. Most of the time, I would not believe on a leader, I would not admire a role model, I would never obey a coach unless I would have discovered exactly the same he or she had also found or learned or been trained to pass it on to others.

I feel I was not born to follow anybody.

But books, yes, good books, they taught and keep teaching me; they formed my character, they created − or recreated − my personality. What is written in a good book has been thought off, is the product of many long experiences which were lived without exhibition. You don’t see the author’s face, his or her make up, quite often chosen − for coaches and role models − by television image makers to impress the viewers.

Good books on how to grow up, yes, since my teenage years they taught me how to fight, how to stand up, to resist, to survive, in a single word, to live!

Books versus coaches! Books win! My choice is − and has always been − clear.

 

2019.11.05

ROSALIND E. FRANKLIN

 

Há pessoas que se agigantam na minha memória porque fizeram o que muitos julgariam impossível. Lembro aqui uma personalidade estrangeira que viveu em décadas relativamente recentes, mais precisamente, no século XX. É a investigadora Rosalind Franklin, uma heroína da Ciência, injustamente esquecida na atribuição do Prémio Nobel de Medicina em 1962.

 

Rosalind E. Franklin será sempre um importante nome numa lista minha de heróis. Investigadora de génio, foi uma mulher que admiro, pois na sua curta vida fez, entre outras, uma importantíssima descoberta, a saber, a estrutura do DNA. Mas quem foi premiado por estudos semelhantes foram três homens que receberam o Prémio Nobel da Medicina em 1962. Ela foi nesse momento ignorada. Porquê? Por ser mulher? Abominável, se a razão foi essa.

 

Perguntarei a propósito se os premiados não terão sentido uma certa incomodidade por a Rosalind Franklin ter sido deixada fora desta vitória da Ciência: se eles tinham sentimentos e formação ética, devem ter sofrido um pouco com a situação. Não me consta que tenham manifestado uma tal atitude, que indiscutivelmente revelaria nobreza de caráter. Ora se eles não sofreram, não são em nada dignos da nossa admiração e do nosso respeito. Ela, sim, foi uma figura gigante da história da Ciência contemporânea

 

 

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