quinta-feira, 8 de abril de 2021

NOSSA PROFESSORA PRIMARIA: Sra. D. Feliz dos Anjos Afonso.

Casa da Sra. D. Feliz nossa professora primária 



PAIS & MINGOCHO 

A Maria Júlia Pais e o António Manuel Mingocho foram meus condiscípulos na Escola Primária, como então se dizia dos quatro primeiros anos de escolaridade. Frequentámos esse tempo de escolaridade numa instituição privada que funcionava na residência da própria professora, a Sra. D. Feliz dos Anjos Afonso.

Era junto do Largo de Celas, em Coimbra, e tanto a Júlia como o António viviam ali perto, pois os respetivos pais eram donos de uma mercearia (hoje dir-se-ia um minimercado) chamado Pais & Mingocho cujos clientes eram, na grande maioria, moradores daquela zona.

Perdi o contato com a Maria Júlia da qual nada sei. Mas com o António não perdi e, infelizmente, ele faleceu há poucos dias aqui em Coimbra. Tive a possibilidade de apresentar pessoalmente os meus sentimentos à sua viúva, a qual aliás também era minha conhecida, pois era docente na Universidade de Coimbra, tal como eu, ela na Faculdade de Letras e eu na de Ciências e Tecnologia.

 Se a viúva quiser contatar comigo tem aqui o meu e-mail: siper@mat.uc.pt

16 dezembro 2020

terça-feira, 6 de abril de 2021

CIENCIA E FÉ

SER CIENTISTA E CRER EM DEUS


 

A Deus, há uns que chamam Alá, outros Jeová, outros Iavé, outros Adonai, e até já vi, na Internet, uma lista com 72 nomes ao todo! O mesmo acontece connosco, humanos; a mim, por exemplo, há quem chame José, outros apenas Zé, outros ainda José Manuel, Zé-Manel ou Simões Pereira. Eu sou sempre eu, mas respondo a vários nomes.

Vejo-me a mim próprio como cientista e creio em Deus. Como não pertenço a nenhuma religião, por outras palavras, não sigo hoje nenhum regime de culto, não uso qualquer daquelas designações quando quero falar com Ele para lhe agradecer alguma graça ou lhe pedir algum favor. Chamo--Lhe somente, ó Deus!

Tenho ouvido e lido opiniões que exprimem uma imaginária incompatibilidade entre Deus e a Ciência. Habituados a encadear raciocínios lógicos, os cientistas reconhecem-se incapazes de provar a existência de Deus como se se tratasse de provar a existência de um exoplaneta que eles observariam em vídeos gravados por algum telescópio enviado para o espaço; ou de um elemento químico numa amostra liquida que lhes trouxessem ao laboratório e que eles verteriam de um tubo de ensaio para outro tubo de ensaio, ora aquecendo-a, ora arrefecendo-a; ou de células sãs ou doentes num tecido animal ou vegetal que contemplariam através de ultramicroscópios ou outros equipamentos sofisticados.

Facto é que a realidade não pode ser analisada toda ela do mesmo modo. Eu recordo sempre a mulher gravemente ferida num acidente que a politraumatizou, a qual, ao ter alta do hospital, agradeceu à equipa médica a forma como cuidaram dela reconhecendo-se até, nas suas palavras alegres, um toque de humor: “Escapei à morte com o vosso auxílio e também pelo facto de Deus não querer, por enquanto, a minha alma no Paraíso!” O médico chefe afirmou-lhe que não tinha necessidade nenhuma de lhes agradecer, pois tinham apenas feito o melhor que sabiam, e, agnóstico que era, também com algum humor acrescentou: “Mas olhe que a sua alma, não a vimos em parte alguma, fora ou dentro do seu corpo! E olhámos para tudo com muita atenção!” Ao que ela, por sua vez, redarguiu, perguntando-lhe, também sorrindo, “se, porém, tinham visto algures, lá dentro ou cá fora, o grande amor que ela tinha pelos seus três filhos.”

É um episódio simples que aponta não ser possível analisar toda a realidade com os mesmos métodos e as mesmas ferramentas. E quem usa o seu intelecto para trabalhar como investigador científico tem de compreender este facto incontestável: que a realidade não tem toda os mesmos predicados, não pode portanto ser analisada, toda ela, com as mesmas técnicas, os mesmos utensílios. Isto que a mim parece evidente, é esquecido por muita gente, cientistas, artistas ou humanistas, eruditos ou analfabetos!

A minha experiência, ou, talvez melhor dizendo, a minha convivência com Deus enriqueceu a minha vida; os momentos, os episódios, as evoluções e os desenlaces que me convenceram que Deus existe e interfere connosco foram tão intensamente significativos que apagaram qualquer dúvida que alguma vez tivesse existido no meu entendimento. Embora eu nunca tenha visto nada do que outros chamam milagres: nem vi Deus manipular a Física, transformando por exemplo moedas em rosas, nem contemplei qualquer bailado do Sol subitamente aparecido de entre nuvens chuvosas; talvez a minha virtude não seja tanta que eu mereça assistir a momentos desses; nem, muito menos, a recriações de momentos bíblicos, como seria ver mortos ressuscitando ou anjos voando pelos céus. Mas o que vivi foi suficiente para perceber atitudes hediondas de gente que se diz profundamente religiosa e agradecer a Deus que tenha usado tais atitudes para me agraciar com acréscimos de fé; ou verificar a espantosa animosidade, direi mesmo rancor, de alguém que toda a vida eu amei como um louco e perceber que Deus o terá feito acontecer para eu não sofrer terrivelmente com a morte dela.

Termino! Para mim, Deus não se prova como um teorema de Matemática ou com uma experiência de Física, Química ou Biologia num laboratório ricamente equipado! Deus não se prova, pese muito a Kant, com métodos científicos. Mas também não se exclui com quaisquer desses métodos. Como o amor pelos filhos da doente politraumatizada, Deus sente-se, mas não se vê! E há quem não sinta a presença d’Ele, nem sequer, consequentemente, creia que Ele existe!

Por isso, eu concordo que a Ciência, no seu estado atual e provavelmente em todo o seu futuro, não vai esclarecer se Deus existe ou não. Embora cada um de nós, quer sejamos cientistas, artistas, humanistas, profissionais de qualquer outra atividade, ou até inativos, possa viver de acordo com uma ou outra destas duas convicções: Deus existe ou Deus não existe; e justificá-la, ou pelo menos interpretá-la, com a decorrência da própria vida.

Lisboa, 23 de novembro de 2017

quinta-feira, 1 de abril de 2021

                                  RUI AGONIA PEREIRA

                                                          Foi um grande amigo.

Recordo a década de 60 do século XX, quando ambos trabalhámos no Centro de Cálculo Científico do Instituto Gulbenkian de Ciência, então instalado ao cimo da Rua Dom João V, em Lisboa. Fomos pioneiros em Portugal no uso de computadores; o IBM 1620 instalado no Centro era um dos dois únicos computadores que existiam no País, estando o outro instalado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

Recordo também o nosso contato em Coimbra, uns anos mais tarde. O Rui escreveu uma tese digna de um Ph.D., mas Coimbra não via com bons olhos quem se quisesse doutorar sem estar já a exercer a docência na sua Universidade na qualidade de Assistente, como era a nomenclatura naquele tempo. Não consegui que o aceitassem como candidato ao doutoramento; certo é que eu não tinha poder nenhum, embora já lá trabalhasse como docente de Matemática; eu não era professor catedrático e só estes é que tudo decidiam. Além disto, o doutoramento era naquele tempo uma consagração: só havia um ou dois por ano letivo e os candidatos não eram jovens, mas sim pessoas nos seus trinta e muitos ou mesmo nos seus quarenta ou cinquenta anos de idade.

O Rui não renunciou, face a essa situação antipática, a uma carreira no ensino superior. Foi um tempo de criação de inúmeras universidades privadas e ele foi nelas figura de proa. Lembro-me de me ter convidado – e eu aceitei – para lecionar no ISLA de Lisboa (hoje Universidade Europeia) numa licenciatura em Matemática por ele fundada.

Fora de recordações profissionais, lembrarei que ele e a esposa, Maria Alice, foram padrinhos do meu casamento com a Maria da Luz no dia 1 de setembro do ano 2001. E foi por sugestão e a convite dele que iniciámos a nossa lua de mel em Ofir, num muitíssimo simpático hotel onde ele nos tinha feito reserva de quarto!

Nada mais direi… Presto aqui a mais sentida homenagem à memória deste grande amigo que agora nos deixou.

Coimbra e Lisboa, 15 de fevereiro de 2021.

 

 

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