RUI AGONIA PEREIRA
Foi um
grande amigo.
Recordo a década de 60 do século XX, quando ambos trabalhámos
no Centro de Cálculo Científico do Instituto Gulbenkian de Ciência, então
instalado ao cimo da Rua Dom João V, em Lisboa. Fomos pioneiros em Portugal no
uso de computadores; o IBM 1620 instalado no Centro era um dos dois únicos
computadores que existiam no País, estando o outro instalado no Laboratório
Nacional de Engenharia Civil.
Recordo também o nosso contato em Coimbra, uns anos mais
tarde. O Rui escreveu uma tese digna de um Ph.D., mas Coimbra não via com bons
olhos quem se quisesse doutorar sem estar já a exercer a docência na sua
Universidade na qualidade de Assistente, como era a nomenclatura naquele tempo.
Não consegui que o aceitassem como candidato ao doutoramento; certo é que eu
não tinha poder nenhum, embora já lá trabalhasse como docente de Matemática; eu
não era professor catedrático e só estes é que tudo decidiam. Além disto, o
doutoramento era naquele tempo uma consagração: só havia um ou dois por ano
letivo e os candidatos não eram jovens, mas sim pessoas nos seus trinta e
muitos ou mesmo nos seus quarenta ou cinquenta anos de idade.
O Rui não renunciou, face a essa situação antipática, a uma
carreira no ensino superior. Foi um tempo de criação de inúmeras universidades
privadas e ele foi nelas figura de proa. Lembro-me de me ter convidado – e eu
aceitei – para lecionar no ISLA de Lisboa (hoje Universidade Europeia) numa
licenciatura em Matemática por ele fundada.
Fora de recordações profissionais, lembrarei que ele e a
esposa, Maria Alice, foram padrinhos do meu casamento com a Maria da Luz no dia
1 de setembro do ano 2001. E foi por sugestão e a convite dele que iniciámos a
nossa lua de mel em Ofir, num
muitíssimo simpático hotel onde ele nos tinha feito reserva de quarto!
Nada mais direi… Presto aqui a mais sentida homenagem à
memória deste grande amigo que agora nos deixou.
Coimbra e Lisboa, 15 de fevereiro de 2021.



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