ANDAR NO TEMPO
Ouvi um pouco de uma palestra em que o orador se interroga o que pensará cada um de nós no momento de morrer.
Claro que todos nós sabemos que morreremos. Mas esta pergunta é, na minha opinião, um pouco pateta, se o que ele pretende saber é o que se passa nos últimos minutos ou talvez segundos antes da nossa morte. Se é esse o sentido da sua pergunta, é quase o mesmo que perguntar em que pensamos nos minutos ou segundos antes de adormecermos, todos os dias.
A minha resposta à pergunta se feita neste sentido é “não sei!” Se porém a pergunta não se refere aos últimos segundos, mas é feita no sentido geral, aí eu posso responder por mim: Penso no que fiz em vida, na obra que deixo neste mundo. E fico tranquilo, pois acho que a minha vida foi produtiva.
Quanto ao “depois da morte” sou crente que Deus existe mas quanto à existência de um Paraíso ou de um Inferno… tenho sérias dúvidas. E quanto à ressurreição? Por estranho que isto possa parecer a quem me ler, acredito nela, sim! Porquê? Como?
É que eu creio no avanço da Ciência e da Tecnologia, que aliás está diante dos nossos olhos todos os dias. E, num futuro de, talvez quinhentos, talvez mil anos, acredito que será possível viajar no tempo. Teorias da Física contemporânea já admitem que o tempo é uma dimensão do Universo; e sendo assim vai ser possível deslocarmo-nos ao longo dele, para a frente e para trás, para usar uma linguagem um pouco ingénua. Mas a ideia não é ingénua. Terá a ver com a existência de “universos paralelos” e, se eles de facto existem, virá o dia em que nos movemos entre eles. Nessa altura, a Eternidade deixou de ser um tema exclusivamente religioso para ser científico também; e a Ciência e a Teologia serão claramente irmãs gémeas. Os sonhos alimentados durante milénios pelas religiões vão tornar--se realidade.
Perguntar-me-ão se realmente acredito que tais sonhos se venham a realizar. Sim! E haverá mais gente a acreditar no mesmo? Na minha resposta, pergunto por minha vez: − Quantas pessoas terão previsto, há mil anos, a existência de aviões, satélites artificiais, viagens à Lua, telecomunicações de alcance mundial, GPSs, análises e manipulações genéticas?
Coimbra, 31 de dezembro de 2020




