DEUS E A BOMBA ATÓMICA,
ou: Como Ele apoia os cientistas
Como trabalhador científico que assim me considero, tenho meditado muitas vezes no que é a criação humana – mais precisamente, aquilo a que muitos chamam criação humana.
Não me pronuncio sobre criação artística, pois é uma atividade longe da minha vivência. Mas quanto à “criação científica”, hoje estou convencido que, no que respeita à Ciência, ela é fruto da inspiração divina que Deus nos concede. Certo que nos devemos sentir honrados pela ajuda divina dada ao nosso trabalho, por esta colaboração entre nós e Deus. O autor ou os autores do Génesis deviam, na minha opinião, ter acrescentado às ordens dadas a Adão quando Deus o expulsou do Éden, uma palavra que Deus terá dito explicando a Adão “olha que ao trabalhares para conseguires o teu sustento vais ficar a colaborar comigo e isso é uma honra para ti! Os outros seres vivos, ao contrário do que faço contigo, não precisam de trabalhar para viver, não lhes dou a oportunidade de colaborarem comigo; dou-lhes Eu tudo pois eles de nada são capazes!”
Todas as conquistas da Ciência e da Tecnologia, da roda e do acender do fogo até às dos nossos dias, têm sido – eu creio – inspiradas por Deus, como que “segredadas ao ouvido” dos que na Terra as concretizaram. O seu objetivo tem sido sempre melhorar a nossa existência. Embora por vezes tenham sido mal usadas. Luz Compasso diz que devemos sempre perguntar a Deus se o que tencionamos fazer nos leva para o bem ou para o mal; ela afirma que Deus está sempre disponível para nos informar. Só que poucos se dedicam a esse diálogo com a fonte divina e, por isso, há os bem-intencionados que fazem coisas monstruosas. Basta pensar no que foram as Cruzadas ou outras movimentações análogas. Os que nelas participaram estavam convencidos que serviam o “seu” Deus. Além disto, concordo que nem tudo é facilmente compreensível; repare-se na objecção que alguém me fez perguntando-me “se acredito que a bomba atómica foi um avanço da Ciência que foi inspirado por Deus.”
Este
caso da bomba atómica é exemplar, mas, por estranho que possa parecer, eu
admito que também foi uma benesse para os humanos. É já tradicional dizer-se
que, sem ela, a II Guerra Mundial não teria acabado tão depressa e o número de
mortos que a sua continuação provocaria seria superior aos duzentos e tal mil
que perderam a vida em Hiroxima e Nagasaki, as duas cidades japonesas que foram
até hoje as únicas no Mundo vítimas de bombardeamentos atómicos. Ora a esta
argumentação tradicional, eu acrescento: durante os mais de quarenta anos entre
1945 e
Coimbra, 2020-10-10



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