CÃO, CACHORRO, CACHORRÃO, CACHORRÃOZINHO E CAINÇO
Quanto a animais de companhia, há hoje quem tenha cobras e lagartos, peixes e patos, coelhos e salamandras. Mas eu continuo a considerar apenas gatos e cães, como possíveis companheiros. E as minhas claras preferências vão para os gatos.
É
óbvio que respeito quem prefere os cães; mas para quem vive num apartamento,
mesmo grande e luxuoso, numa cidade, se tiver um cão tem de passeá-lo na rua
quer chova quer faça sol e isso não me é muito agradável, especialmente no
Inverno, quando chove. Um gato não me exige essas saídas. Além disso um gato
não me perturba, o maior ruído que faz na casa é o seu ronrom ou uma miadela
delicada. Não se compara com o ladrar, ou melhor dizendo, o “esladrunçar” de um
cão. Eu criei a palavra esladrunçar para dar ênfase à falta de sentido do
habitual ladrar. O que eu quero dizer é que um cão, Cão com letra grande, no
seu perfeito juízo, consciente da sua dignidade, tendo presente a sua missão e
o seu papel na sociedade, ladra; quando fora de si, quando deficiente mental,
ou, enfim, quando simples cainço da classe baixa entre os cães, “esladrunça”.
Aos amigos que adoram cães, eu não manifesto estes meus sentimentos; pelo contrário, sou amável e pergunto até pelo seu cachorrãozinho. É outra palavra que não existe nos dicionários, mas eu inventei-a para exprimir a minha antipatia com as primeiras três sílabas (cachorrão…) e uma diplomática simpatia com as duas últimas (…zinho, em cachorrãozinho!). Quando um amigo ou vizinho anda a passear o seu, ele, como animal, deve entender a minha pouca simpatia com os da sua espécie… e “esladrunça” logo, arreganhando-me a dentuça…
E
eu, diplomaticamente, vou sorrindo e dizendo ao meu amigo ou vizinho: − Parece
que o seu cachorrãozinho não está a simpatizar comigo…



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