terça-feira, 20 de abril de 2021

À MINHA QUERIDA ESPOSA LUZ

VIVER? OU NÃO VIVER? 

Viver ou não viver é uma pergunta que tenho feito a mim próprio várias vezes. Serei preciso neste mundo? Serei útil para alguma coisa?

Filhos, tenho dois, mas não precisam de mim para nada e esperam apenas o fim da minha vida, na esperança de herdarem alguns bens materiais… 

Primos, sim ainda tenho alguns, aliás todos mais velhos que eu… Irmãos, não tenho nem tive. 

Pais, tios e avós, pela ordem natural das coisas, tive-os, lembro-me deles com saudade, mas já não estão cá… Até companheiros e companheiras de infância, não brinquei muito, mas enfim tive alguns e algumas, certo é que eu era o mais novo na escola, e isso, está claro, também significa algo!

O que é que me prende à vida, não será com muita força, mas ainda é suficiente para eu me ir arrastando por cá? 

É a imensa preocupação de fazer falta à minha querida Luz. 

Tenho a impressão que ela sentiria a minha falta. Chama-me muitas vezes, para a ajudar em pequeníssimas coisas. E eu quero estar sempre lá, disponível, com calor humano.

Reconheço que nunca acredita no que eu digo quando já tem uma ideia feita sobre o que quer que seja… mas esta dúvida paira sempre no meu espírito: talvez eu lhe fizesse falta, por certo far-lhe-ia falta, se não estivesse presente.

Vou hoje, dia 1 de novembro de 2020, acrescentar umas palavras que estão publicadas na página do jornal Diário de Coimbra, dedicada à necrologia. 

Junto a uma foto do Eng.º José Maria Henriques (que aliás nunca conheci) vem o texto seguinte, intitulado 2 Anos de Eterna Saudade:

Passaram dois anos sem a tua presença, por vezes ainda me custa acreditar que é verdade. 

Sinto falta do teu abraço, da tua voz e da tua atenção sem limite. 

As recordações e as lindas memórias que me deixaste vão atenuando a saudade. Descansa em paz, meu amor.” 

Assinado “LUCAS”.

Penso que a minha querida Luz talvez assinasse um texto igual.  

Tento pôr tudo na mão de Deus. Gosto muito dela e peço a Deus que ela continue a meu lado, até eu chegar a velhíssimo, e ela que tenha sempre saúde até bem para lá dos noventa…

Coimbra, 11 de fevereiro de 2018

Ditulis Oleh : J. M. S. Simoes-Pereira // 15:19
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