VIVER? OU NÃO VIVER?
Viver ou não viver é uma pergunta que tenho feito a mim próprio várias vezes. Serei preciso neste mundo? Serei útil para alguma coisa?
Filhos, tenho dois, mas não precisam de mim para nada e esperam apenas o fim da minha vida, na esperança de herdarem alguns bens materiais…
Primos, sim ainda tenho alguns, aliás todos mais velhos que eu… Irmãos, não tenho nem tive.
Pais, tios e avós, pela ordem natural das coisas, tive-os, lembro-me deles com saudade, mas já não estão cá… Até companheiros e companheiras de infância, não brinquei muito, mas enfim tive alguns e algumas, certo é que eu era o mais novo na escola, e isso, está claro, também significa algo!
O que é que me prende à vida, não será com muita força, mas ainda é suficiente para eu me ir arrastando por cá?
É a imensa preocupação de fazer falta à minha querida Luz.
Tenho a impressão que ela sentiria a minha falta. Chama-me muitas vezes, para a ajudar em pequeníssimas coisas. E eu quero estar sempre lá, disponível, com calor humano.
Reconheço que nunca acredita no que eu digo quando já tem uma ideia feita sobre o que quer que seja… mas esta dúvida paira sempre no meu espírito: talvez eu lhe fizesse falta, por certo far-lhe-ia falta, se não estivesse presente.
Vou hoje, dia 1 de novembro de 2020, acrescentar umas palavras que estão publicadas na página do jornal Diário de Coimbra, dedicada à necrologia.
Junto a uma foto do Eng.º José Maria Henriques (que aliás nunca conheci) vem o texto seguinte, intitulado 2 Anos de Eterna Saudade:
“Passaram dois anos sem a tua presença, por vezes ainda me custa acreditar que é verdade.
Sinto falta do teu abraço, da tua voz e da tua atenção sem limite.
As recordações e as lindas memórias que me deixaste vão atenuando a saudade. Descansa em paz, meu amor.”
Assinado “LUCAS”.
Penso que a minha querida Luz talvez assinasse um texto igual.
Tento pôr tudo na mão de Deus. Gosto muito dela e peço a Deus que ela continue a meu lado, até eu chegar a velhíssimo, e ela que tenha sempre saúde até bem para lá dos noventa…
Coimbra, 11 de fevereiro de 2018



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